O Carnaval é território onde história e imaginação caminham juntas. Em 2026, a Inocentes de Belford Roxo leva para a Avenida o imaginário “Pernamburrusso” na Ala das Baianas, uma narrativa popular que associa certos passos do frevo à possível influência russa no início do século XIX, a partir da chegada da expedição Langsdorff ao Recife.
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Entre fato, fantasia e tradição oral, a história sugere um encontro festivo entre russos e pernambucanos, onde passos teriam sido trocados e reinventados. É essa mistura simbólica que conecta o Trem-de-Ferro do frevo às danças do Império do Czar, celebrando a ideia de que a cultura popular transforma encontros em identidade.
E quem melhor para representar essa travessia cultural do que as baianas, guardiãs da memória e da ancestralidade nas escolas de samba?
Para Maria Marques, 63 anos, professora e há dois anos na escola, o imaginário já basta por si só.
“O nosso imaginário vale muito, faz a gente viajar e imaginar coisas. Isso é muito bom”, afirma. Para ela, o Carnaval soube se reinventar ao longo do tempo. “Já foi muito tradição. Graças a Deus, hoje, fez uma repaginada com coisas futuristas, com tecnologias, conhecendo melhor o nosso Brasil e o mundo”.

Quando se fala em frevo, Maria é direta: “Recife. Muita garra, muita energia, muito drible nos pés.” E quando o ritmo começa, ela sente que tudo se conecta: “Tudo é batuque, tudo é samba, tudo é frevo, tudo é axé.” Na Avenida, o que espera é simples e potente: “Energia da arquibancada gritando e cantando.”
Já Lúcia Helena, de 67 anos, doméstica e há 19 anos na Inocentes, prefere a comprovação histórica. “Eu preciso que seja comprovada”, diz sobre histórias curiosas. Defensora das tradições, ela carrega o Carnaval no sangue: “Desde que me conheço por gente eu sigo a tradição. Meu irmão foi ritmista, outro baterista, e eu com seis anos já desfilava.” Para ela, frevo é celebração pura: “Eu danço tudo, meu amor. Frevo é forte para a festa.” E quando o carro entrar na Avenida, a palavra que resume é clara: “Alegria. Felicidade”.

No primeiro ano desfilando, Ana Helena Luna, de 51 anos, servidora pública, enxerga no Carnaval a convivência entre passado e futuro.
“As duas coisas se misturam. O novo e o antigo se retroalimentam. O Carnaval precisa juntar tradição e inovação para se manter vivo.” Ela conta que já viveu o frevo de perto: “Passei um Carnaval em Pernambuco e foi a coisa mais linda que já vi. Já dancei maracatu aqui no Rio, sou forrozeira também além de sambista.” Ao falar do Galo da Madrugada, ela celebra: “Viva o Galo, viva a nossa cultura popular brasileira.” Sobre o ritmo acelerado do frevo, define: “O tambor bate fundo no coração.” E diante da proposta do enredo, se emociona: “Adorei saber dessa junção, dessa influência russa sobre o brasileiro. Minha expectativa está lá no alto”.

Historiadora e desfilando há três anos, Cláudia Turco busca o equilíbrio entre rigor e imaginação. “Eu busco comprovar, mas é sempre bom ter um pouco de imaginação.” Para ela, o Carnaval sobrevive justamente na mistura. “Ele busca inovação para se manter vivo, mas também se segura muito nas tradições. É a mistura dos dois.” Quando pensa em frevo, lembra do Recife, dos bonecos gigantes de Olinda e do Galo.
E mesmo sem nunca ter arriscado os passos acelerados da dança, admite: “A gente se anima, dá vontade de se mexer.” Na hora da entrada na Avenida, a expectativa é intensa: “É muita emoção, muita emoção mesmo”.

Entre comprovação e fantasia, tradição e inovação, as baianas da Inocentes mostram que a cultura popular não precisa escolher um lado. O frevo pode dialogar com o Império do Czar. O Recife pode conversar com a Rússia. O que nasce desse encontro real ou imaginado é tradição.
E quando as saias girarem na Avenida, será a prova de que o Carnaval continua fazendo o que sempre fez de melhor: transformar histórias em espetáculo e encontros em identidade.










