O abre-alas mergulha a Sapucaí em uma selva fantástica, onde troncos, sombras e camaleões cercam a figura central de Ney Matogrosso como um ser híbrido: homem, bicho e entidade estética ao mesmo tempo.
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FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
A alegoria sintetiza o coração do enredo “Camaleônico”. Não se trata apenas de contar a trajetória de um artista, mas de assumir sua filosofia: a metamorfose como identidade. O corpo que muda, que provoca, que recusa rótulos fixos e transforma a própria existência em linguagem.
Ali, entre natureza e fantasia, a Imperatriz estabelece o pacto visual do desfile: tradição pode ser transgressão, e o corpo pode ser manifesto.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Lucas Maia, de 32 anos, social media e no segundo ano na escola, enxergou no abre-alas um gesto político e afetivo.
“Eu, como uma pessoa LGBT, acho mais do que significativo desfilar esse tema na minha escola do coração representando o Ney, que foi fruto de liberdade e luta na ditadura. Estar no abre-alas já chegou causando essa imagem de viver a vida sem tabu. Vamos viver do jeito que quisermos, um verdadeiro camaleônico.”

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Para Hiago Soares, de 25 anos, estudante de jornalismo e estreante na verde e branco, a homenagem tem dimensão pessoal.
“Foi muito incrível e bonito abrir o desfile com a figura do Ney Matogrosso. Meu nome é com H porque meu pai disse que eu seria um homem com H maiúsculo. E eu sou, um homem gay com H. Quando soube que a Imperatriz viria com essa homenagem, não pensei duas vezes. Eu sou um pássaro mulher, igual à minha ala. A Imperatriz deixou como recado a espontaneidade, a liberdade e a diversão”, pontuou.

FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO
Já Marcos Vinícius Pinheiro, de 34 anos, farmacêutico e há dois anos na escola, destaca o impacto narrativo da alegoria.
“Magnífica a abertura da escola na avenida, o sonho virou realidade. O abre-alas levou a mensagem de uma caixinha onde estava tudo preso e agora está explorando o mundo, se libertou, algo bem farofônico. Nosso desfile foi para o mundo enxergar que precisa de paz, diversidade e muito amor. O restante a gente vai batalhar”, comentou.










