A ala de passistas da Unidos da Tijuca, intitulada “Encantos do Pavão – Passistas”, levou para a Avenida o brilho e as contradições do sucesso de Carolina Maria de Jesus após a repercussão de Quarto de Despejo. Sob o tema “Malandros de Ocasião”, a fantasia retrata o período em que a escritora se transforma na personagem “Vedete da Favela” e passa a atrair pretendentes oportunistas, fascinados por sua fama repentina.
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FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
Cristiane Esteves, manicure de 26 anos, desfila na Tijuca há 5 anos. Ela sentiu a representatividade que a trajetória da escritora apresenta, sobretudo, para mulheres negras e periféricas.
“Esse momento para mim, e creio eu que para elas todas, representa as meninas que moram na favela, que sonham estar aqui, que sonham poder ser escritoras, que sonham poder mostrar que não é por que você é preta, que só viverá na favela, que a pista também é espaço para ocupar”, afirmou Cristiane.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
O técnico em enfermagem, Marcos Colbert, de 22 anos, desfila na agremiação há quatro anos e faz sua estreia como passista. Marcos compreendeu as referências da fantasia como o contraste entre a vida difícil que Carolina levou e o seu sucesso.
“É um mesclado de tudo. O contraste da situação dela e o sucesso, a gente tá representando isso. E a gente é isso, ser passista é isso. A gente se lasca o ano todo, mas viemos pra glamourizar isso tudo”, comparou Marcos.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
A assistente jurídica, Cléo, de 25 anos, desfila na escola há 2 anos. Ela admira a obra de Carolina e a interpreta como uma escritora atemporal.
“Eu costumo dizer que ela era muito à frente do tempo dela. Ela retrata muito o que nós vivemos ainda hoje. Só eu sei como mulher negra o que eu tenho que enfrentar para ocupar os espaços que eu ocupo. E Carolina já dizia muito sobre isso naquela época”, enfatizou Cléo.

FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO
O engenheiro de produção João Pedro Drumond, de 29 anos, desfila na Tijuca há 9 anos e percebe que a ideia de malandragem, representada em sua fantasia, ainda é presente nos dias atuais.
“No cotidiano, você vê várias pessoas por interesse de outras e traz aquela malandragem que a parte do passista masculino tem. Nós brincamos com essa malandragem. Isso foi um paralelo que o nosso carnavalesco fez para poder dar um ‘se ligue’ na sociedade”, disse João.










