
A Portela realizou, na última quinta-feira, seu ensaio de bateria no Setor 11. Com o comando de Mestre Vitinho, a Tabajara do Samba tomou conta da pista no trecho final da Passarela do Samba, realizando, pela primeira vez, esse momento à frente dos ritmistas da Portela. O ensaio da Águia de Madureira também contou com a ala de passistas e com a presença de Júnior Escafura, presidente da agremiação. A escola de Oswaldo Cruz e Madureira vai levar para a Avenida, no domingo de Carnaval, o enredo “O mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, sobre o Príncipe Custódio do Bará e a cultura negra do Rio Grande do Sul, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues.
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Vitinho falou sobre esse momento com a “Tabajara do Samba”. Comandando pela primeira vez a bateria portelense, o mestre reforçou a importância de reconhecer o campo antes do jogo acontecer, mas, ao mesmo tempo, destacou que se trata de um ensaio mais tranquilo. Ainda assim, ressaltou a grande responsabilidade de comandar tantos ritmistas, independentemente da situação, e afirmou que o ensaio de bateria é um grande momento para estar com todos eles, reforçando a dedicação e o esforço dos ritmistas, além de comparar os momentos de treino, ensaio técnico e desfile a situações do futebol.

“Trabalho é trabalho e bateria é ancestralidade. Mas, estando aqui, é um terreiro, é como se fosse rolar ali um candomblé, um xirê. A gente pede licença já para chegar, e eu sempre gosto de fazer isso, para pedir licença, porque tem pouca gente, a gente fica mais à vontade. A gente limpa os arranjos, vê se tem alguma dificuldade, procura ajustar para chegar no ensaio técnico com excelência. Na minha visão, o ensaio técnico já é o jogo de ida. Se você entrega um muito bom, no jogo de volta a galera já está te esperando e vibrando pelo teu momento. Levo muito à risca o ensaio do Setor 11, eu não deixo ninguém faltar”, disse.
O comandante da “Tabajara do Samba” também declarou qual será o trunfo da bateria para 2026, com destaque para o ritmo, o andamento e a felicidade que os ritmistas estão carregando.

“O ritmo, o andamento, os arranjos, a bateria feliz, alegre, interagindo com o público. Acho que vai ser algo que você toca e o povo grita, dança e canta. Este ano será em conjunto, a bateria querendo fazer e acontecer com a escola, pulsando muito para, se Deus quiser, ter o sonhado título para Madureira. Foi tudo muito bem pensado, não foram arranjos para tapar buraco, não tem que colocar alguma coisa aqui porque tem um momento. É algo muito musical, e todos são importantes, todos os arranjos têm uma coreografia. É muito legal porque a Marquês de Sapucaí é um espetáculo aberto, o maior da Terra, e quando você toca e dança bem, o público já vem junto. Acredito que em todos os momentos, mas especialmente no arranjo em que a gente para para o povo cantar ‘que o povo preto não possa enfrentar’, vai ser o bum da Sapucaí, o povo vai abaixo. E quando a gente começar a dançar para o lado, a galera da Sapucaí vai vir junto”.

O diretor de carnaval, Júnior Schall, afirmou que o ensaio é muito importante, não apenas pela bateria, mas por agregar outros fatores preponderantes para o êxito do desfile como um todo.
“Você vem realmente para o grande palco, o grande terreiro. O mestre Vitinho, com a Tabajara, veio em quase sua totalidade. Isso é muito bom porque você entende como a bateria vai se comportar em todas as circunstâncias do samba, em todas as convenções, em todo o andamento, junto com o carro de som. Trouxemos a ala de passistas e a ala que faz a cobertura do recuo da bateria, porque é muito importante que todos entendam a dinâmica do desfile a partir da questão do som e do ritmo”.

Schall também destacou o rendimento do samba da Portela, falando sobre como cada componente assumiu para si o hino da escola de Oswaldo Cruz e Madureira para 2026 e como a felicidade com essa obra se demonstra a cada ensaio. Na visão dele, há uma crescente que deve seguir até o dia do desfile, encerrando com a afirmação de que se deve esperar uma Portela muito feliz em 2026 na busca do título.
“Com todo o máximo respeito aos seus autores, hoje o samba é de cada portelense, sendo cantado com intensidade de alma, força, felicidade, emoção e garra, mas compondo técnica para o desfile, ou seja, visando sempre um arco de crescimento para o dia do desfile. É isso que a gente vai tentar fazer e vamos conseguir nessa reta final de ensaios. Tem uma questão muito interessante que o Júnior coloca, que acho que resume tudo: espere o portelense feliz, pois ele está feliz. Uma escola como a Portela, feliz, torna a Avenida feliz, desfila feliz, e o êxito é de todos nós”, afirmou.
Zé Paulo esteve presente no ensaio e comentou sobre a parceria com Vitinho, desejada há muito tempo por ambos. Mesmo com as condições em que ela se realizou, o intérprete observa que os dois têm construído algo muito bonito na Águia de Madureira entre a bateria e o carro de som e aguarda os ensaios técnicos para já utilizar o som da Sapucaí. Zé também falou sobre a importância do ensaio para a bateria e para o carro de som portelense.
“O Vitinho pôde exercitar algumas coisas, como a apresentação para o julgador e os conteúdos de bossa. Claro que não mostrou tudo, mas o importante também é o ritmo. Conseguimos manter bem o andamento com um som que não é o do dia do desfile. A bateria é muito grande, o som às vezes não suporta, mas, mesmo assim, acho que a gente conseguiu, dentro do que temos e do que é possibilitado no momento, fazer um ensaio bacana e se preparar ainda mais”, reforçou.

O cantor também lembrou que cantou o samba na eliminatória, antes do falecimento de Gilsinho, e comentou sobre o rendimento da obra nos ensaios que acompanhou.
“Sou muito suspeito para falar desse samba porque eu canto ele desde setembro, me identifico muito, já está entranhado, está muito na minha veia. A escola comprou o barulho, quem já foi a alguns ensaios pôde perceber, e hoje rendeu muito bem. Acho que a gente nem imprimiu um ritmo tão forte, e o samba continua rendendo. O Vitinho colocou um ritmo mais forte dentro do box ali, o que é uma estratégia e também um ensaio. Ele é um irmão, a gente tinha um sonho de trabalhar junto, tanto ele de trabalhar comigo quanto eu de trabalhar com ele. Calhou de ser nessas condições, com a perda do Gilson, mas também é a realização de um sonho nosso. Estamos trabalhando juntos e acho que temos tudo para fazer um grande trabalho. Primeiro porque somos amigos, gostamos um do outro e, musicalmente, nos entendemos”.

O presidente Junior Escafura falou sobre como enxerga o ensaio no Setor 11 como estar no palco do jogo, um momento para ver a pulsação do ritmista, sentir a energia e reconhecer o solo da Avenida. Escafura também comentou sobre a alegria e a felicidade da Portela com o samba de 2026 e afirmou que se pode esperar uma escola alegre e com muita vontade de vencer no próximo carnaval.

“A energia é diferente. Conseguimos ver aqui essa pulsação do ritmista, do carro de som, já sentir o clima da Avenida. A cada semana de ensaio melhora mais o samba, a bateria, e a pegada fica melhor e mais firme, com o ritmista mais confiante e o carro de som também. A Portela está cantando com muita alegria, com muita felicidade, e acho que isso é uma das coisas mais importantes, além da enorme vontade de vencer”, declarou.










