Esqueça a antiga divisão “meio a meio” que dominou a avaliação das histórias contadas na Marquês de Sapucaí nos últimos anos. A Liga Independente das Escolas de Samba (LIESA) reescreveu as regras para o quesito Enredo no Manual do Julgador de 2026, transformando a avaliação em uma equação de três variáveis. Se antes o julgamento era binário, agora o carnavalesco terá que preencher três requisitos distintos para alcançar a nota 10, sob o olhar atento de um corpo de jurados ampliado para 06 avaliadores.

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A mudança é drástica e promete alterar a estratégia de barracão: o quesito abandona a soma simples de dois subquesitos de valor igual (Concepção e Realização) utilizada em 2025, para adotar uma estrutura tripartida com pesos diferenciados.

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Nova Matemática da Narrativa

Para o Carnaval de 2026, a nota final será a soma das seguintes fatias.

1. Realização (O Peso Pesado – 4,5 a 5,0 pontos): Continua sendo a alma do quesito. É aqui que se julga se o público e o jurado entenderam a história através das fantasias e alegorias e se houve a “carnavalização” do tema. Uma novidade no texto exige a “integração das soluções apresentadas para alegorias e fantasias dentro dos seus setores”;
2. Concepção (O Alicerce – 2,7 a 3,0 pontos): O desenvolvimento teórico e o argumento perdem peso na nota final (antes valiam até 5,0). O julgador avaliará a clareza e a coesão do roteiro, com um alerta inédito no manual: a roteirização não deve ser confundida com “cronologia”, dando liberdade para narrativas não lineares;
3. Criatividade (A Novidade – 1,8 a 2,0 pontos): A grande estrela do novo manual. A criatividade deixa de ser apenas um item diluído nos outros conceitos e ganha um subquesito exclusivo.

‘Recorte’ Vale Nota

A criação do subquesito Criatividade envia um recado claro às escolas: não basta contar bem a história; é preciso inovar na forma de contá-la. O manual instrui o julgador a pontuar a “criatividade das soluções apresentadas” e, especificamente, o “enfoque ou ‘recorte’ escolhido pelo pesquisador e/ou carnavalesco”.

Contudo, a Liesa faz uma ressalva importante para proteger a tradição: criatividade não deve ser confundida com ineditismo. Ou seja, um tema já batido pode ganhar nota máxima se for abordado sob uma perspectiva original e inventiva.

Livro Abre-Alas: A Lei da Avenida

Apesar das mudanças conceituais, o rigor técnico permanece. O roteiro entregue pela escola (Livro Abre-Alas) continua sendo o documento supremo de fiscalização.
As penalidades continuam severas para quem prometer e não entregar. A escola será penalizada se houver:

• Falta de alegorias, tripés ou alas previstas no roteiro.
• Presença de elementos não previstos no livro.
• Troca de ordem de alas ou alegorias que prejudique o entendimento da narrativa.
• Ausência de destaques de chão ou de alegoria que constem no descritivo oficial.

Veredito

Com 54 julgadores atuando no Grupo Especial em 2026, a margem para erros de interpretação diminui. O novo sistema de pesos privilegia a Realização (que vale metade da nota), sinalizando que, no fim das contas, o mais importante continua sendo a capacidade visual de traduzir o papel para a realidade da Avenida. No entanto, ao isolar a Criatividade, a LIESA força as agremiações a saírem da zona de conforto, premiando quem tiver a audácia de olhar para o enredo por um novo prisma.