
O Morro da Casa Verde realizou seu único ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, preparando-se para o Carnaval de 2026. A escola precisa realizar ajustes no quesito evolução, pois encerrou o ensaio com 57 minutos, ultrapassando o tempo máximo permitido pelo regulamento, que é de 50 minutos. A agremiação teve como destaques a harmonia e a parte musical.
A Verde e Rosa será a sétima escola a desfilar no sábado de Carnaval pelo Grupo de Acesso 2. A escola levará para a avenida o enredo “Santo Antônio de Batalha faz de mim batalhador”, assinado pelo carnavalesco Ulisses Bara.
COMISSÃO DE FRENTE
Os bailarinos, coreografados por Ana Carolina Vilela, representarão Exus no desfile oficial. Alguns integrantes masculinos da comissão vestiram saias vermelhas, enquanto outros utilizaram saias brancas, todos com palhas claras e sem camisa. As mulheres utilizaram a mesma parte inferior, combinada com regatas brancas. Um personagem central, que representa diretamente o Exu presente no enredo, destacou-se ao vestir palhas nas cores preta e vermelha.

Durante a apresentação para a cabine julgadora, curiosamente, os componentes não realizaram encenações mais evidentes que remetessem à figura do Exu. Em determinado momento, o personagem central executou uma representação mais contida, mas, na maior parte do tempo, acompanhou a coreografia coletiva da comissão. Os movimentos apresentados seguiram o padrão tradicional do quesito, marcados sobre a melodia do samba-enredo. Em outro momento da apresentação, quatro personagens dançaram de forma livre, enquanto os demais executaram passos sincronizados. Trata-se de uma comissão de frente que instiga o público a querer entender o que será apresentado no desfile oficial, já que, no ensaio técnico, a leitura do enredo ainda se mostrou pouco explícita.
CASAL DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
João e Juliana, por mais um ano, formam o casal oficial de mestre-sala e porta-bandeira do Morro da Casa Verde e demonstraram forte conexão em sua apresentação. O bailado foi marcado pelo sincronismo e por movimentos coreográficos bem alinhados ao samba-enredo. Mesmo com vento durante o ensaio, a porta-bandeira demonstrou técnica ao manter o pavilhão bem desfraldado. Vestidos com figurinos que simulavam o traje do desfile oficial, a dupla realizou um bom ensaio técnico.
HARMONIA
A harmonia é um dos pontos altos do Morro da Casa Verde. Os componentes cantaram o samba de forma leve, empolgada e constante. O canto se destacou ainda mais no trecho em que o samba entoa o verso “Chama o casamenteiro”, evidenciando o envolvimento da comunidade com a obra.

O intérprete Wantuir e a bateria, regida pelo mestre Léo, ajudaram a harmonia da escola a cantar ainda mais o samba-enredo, com entrosamento, cacos e notas que chamam o componente, além de envolver o público.
EVOLUÇÃO
Apesar de ter ultrapassado o tempo máximo permitido, a comunidade desfilou de maneira descontraída e solta, aproveitando o excelente samba-enredo da escola. Os componentes realizaram coreografias nos refrões, sendo uma delas voltada para a interação com o público — ação que, em um Sambódromo cheio, pode se tornar um ponto extremamente positivo para a agremiação. A escola apresentou boa uniformidade visual, com exceção de alguns personagens que representavam diretamente o enredo, o que reforçou a organização do conjunto.
SAMBA-ENREDO
Interpretado por Wantuir, renomado cantor do Carnaval do Rio de Janeiro e de São Paulo, o samba-enredo do Morro da Casa Verde figura entre os melhores do Grupo de Acesso 2. Com uma letra de fácil assimilação, que em poucas passagens já permite a participação do público, e uma melodia dançante, a obra volta a ser um dos grandes trunfos da escola. Composição de Celsinho Mody, Rubens Gordinho, Tiago SP, Douglas Chocolate, André Ricardo, Márcia Macedo e Juninho FPA, o samba apresenta grande potencial e facilitou de forma evidente o trabalho da harmonia no canto dos componentes.
OUTROS DESTAQUE

A bateria, comandada pelo mestre Léo, apresentou bossas que incentivam ainda mais os componentes a dançar e cantar. Em alguns momentos, os ritmistas realizaram apagões estratégicos e retornaram com ainda mais força rítmica, levantando o samba-enredo. A corte da bateria surgiu vestida de acordo com o enredo, demonstrando representatividade e comprometimento com os ritmistas. Outro destaque importante foi a ala das baianas que, vestida com as cores da escola, desfilou com alegria e orgulho, honrando o pavilhão como verdadeiras baluartes.









