Por Maria Estela Costa
O Carnaval 2026 está se aproximando e, nesta sexta-feira, a agremiação realizou o último ensaio de rua antes de ensaiar na Sapucaí. O evento foi realizado na principal praça de Guilherme da Silveira, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Neste ano, a Unidos de Padre Miguel está apostando no enredo “Kunhã-Eté: O sopro sagrado da Jurema”, idealizado pelo carnavalesco Lucas Milato, em homenagem a Clara Camarão, que se destacou após lutar contra as invasões holandesas no Recife e, a partir disso, tornou-se símbolo da resistência da mulher indígena. O ensaio foi marcado pela alta qualidade apresentada pela escola, do primeiro casal até as últimas alas.
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Sobre as expectativas e os avanços da escola, o diretor de carnaval, Cícero Costa, revelou: “A gente está no caminho certo. Graças a Deus que, em primeira mão, 90% das fantasias estão prontas, faltando 28 dias para o carnaval. É um balanço positivo, o planejamento está bem encaminhado, acredito que, no começo de fevereiro, a gente já comece a entregar as fantasias. O barracão está praticamente resolvido e é só esperar o dia do desfile”.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
A sintonia entre Marcinho e Cris não é mais novidade para os apaixonados por carnaval. Logo, a cada ensaio, eles fazem questão de reafirmar isso, deixando evidente a parceria e o carinho existentes entre os dois. Seus passos, além de sincronizados, tinham referências do enredo, como quando dão as mãos e giram juntos ou quando fazem um movimento de “vai e vem” com os ombros, como se estivessem intimidando alguém.
O mestre-sala não perdeu sua parceira de vista em momento algum, e ela focou em manter o pavilhão sempre erguido. Nas vestimentas, o casal optou por conforto, mas com referências à agremiação: Cris, com um vestido completamente vermelho e botas brancas, e Marcinho, com calça e blusa regata também na cor vermelha; nos pés, usava sapatos sociais nas cores vermelho e branco.

HARMONIA
O samba-enredo pegou na comunidade como chiclete; a comunidade estava em peso, com a letra gravada na memória. As alas, em sintonia com a bateria e o carro de som, cantavam com potência, e o público também acompanhava. Esse sucesso do samba ficou explícito na paradinha da bateria e dos intérpretes, justamente para deixar o povo soltar a voz, e eles fizeram isso com excelência: cantaram com muita força e admiração pela agremiação.

A ala musical se complementa com a bateria e reflete um trabalho em conjunto para que haja um bom rendimento no samba-enredo. Além disso, diferentemente do ensaio da semana passada, desta vez não houve nenhuma ala atrasando; todas acompanharam o samba no mesmo ritmo.
EVOLUÇÃO
As alas estavam bem posicionadas, todas atentas ao enfileiramento e ao tempo de prosseguir. Essa atenção contou com o auxílio dos diretores de ala e dos componentes da harmonia. Apesar dessa exigência, crucial para o desfile, os desfilantes se mostraram alegres e confortáveis, dançando, cantando e interagindo com os espectadores. Algumas alas levaram adereços em referência ao que será utilizado no desfile. Entre elas, a ala 1, em que cada integrante segurava um cabo de vassoura em pé, como uma lança; as alas 3 e 4, que estavam com duas bolas nas cores da agremiação; e a ala 12, que, além de segurar um cabo de vassoura ou arminhas de brinquedo, está coreografada, com passos que remetem a uma batalha, como se estivessem defendendo algo.

SAMBA
O samba teve bom rendimento. A ala musical estava em total sintonia e, assim, fazer o que se gosta com alegria deixa o trabalho mais leve; esse sentimento refletiu no desempenho durante o ensaio. Além disso, a bateria “Guerreiros”, comandada pelo mestre Laion, fez com que suas paradinhas fossem o complemento que faltava no samba, que foi bem recebido pelo público.
“O samba é muito bom! Trabalhar com samba bom ajuda muito no trabalho. Para lapidar, ficam pequenos detalhes. Tem o ensaio técnico na sexta-feira, estou muito convicto, estou trabalhando bastante, fazendo dois ensaios na semana. Acho que, para eu tirar um parâmetro mesmo, ter uma ideia do que posso lapidar, é após o ensaio técnico. Se ficar um errinho aqui ou outro ali, vão ser questões mínimas de limpeza. É o ano em que estou mais confiante no trabalho, meu melhor ano de trabalho”, afirma o mestre Laion.
OUTROS DESTAQUES

O ensaio não contou com a apresentação da comissão de frente, coreografada por Paulo Pinna. Porém, contou com a presença da rainha de bateria, Dedê Marinho, que encantou a comunidade com seu gingado e samba no pé, além da fofura de seu filhinho Noah, que também marcou presença. Para o look, a rainha escolheu um conjunto com as cores da agremiação e a logo na altura do peito; nos pés, estava com um salto dourado. Além disso, as musas Jaquelline, Crislin e Mari Mola também compareceram ao evento e entregaram carisma, interação com o público e, claro, muito samba.










