A última alegoria da Em Cima da Hora trouxe um manifesto contra a intolerância religiosa. A escola do bairro de Cavalcanti foi a segunda a desfilar neste sábado de Carnaval e levou para a Avenida o enredo “Salve Todas as Marias: Laroyê, Pombagira!”, idealizado pelo carnavalesco Rodrigo Almeida, em homenagem às Pombagiras, entidade que representa a força e o poder feminino.

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Ultima alegoria da Em Cima da Hora
Última alegoria da Em Cima da Hora
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

No carro alegórico, há uma releitura da obra “Pietà”, de Michelangelo. Na versão original, a Virgem Maria segura o corpo de Jesus. Na leitura feita pela agremiação, a Pombagira assume o papel de mãe que protege e acolhe os seus, enfatiza o papel da entidade nas religiões afro-brasileiras e desconstrói a visão preconceituosa.

Paulo Cesar de 57 anos desfila na agremiacao ha 8 anos
Paulo César, de 57 anos, desfila na agremiação há 8 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Paulo César, de 57 anos, desfila na agremiação há 8 anos. Neste ano, veio na alegoria para representar o mensageiro da paz. Para ele, estar nesse papel é maravilhoso, já que Oxalá é o seu Orixá de cabeça. Paulo defendeu o combate ao preconceito religioso e afirmou a importância da escola abordar esse tema.

“É racismo, é guerra, é intolerância religiosa. Tem que acabar! A gente precisa de paz, a violência está muito grande. Eu estou trazendo até uma pomba da paz na roupa”, enfatizou Paulo.

O pai de santo e advogado Fernando de Oxossi de 50 anos
O pai de santo e advogado Fernando de Oxóssi, de 50 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O pai de santo e advogado Fernando de Oxóssi, de 50 anos, foi convidado pelo carnavalesco para integrar à terceira alegoria por ser parte da Comissão de Combate à Intolerância religiosa da OAB do Rio de Janeiro. Para ele, o carro transmite o respeito a todas as religiões.

“Tem que ser bastante elevado, porque cada vez mais o que está acontecendo é intolerância religiosa na cidade. Os terreiros sendo atacados, primordialmente, pela criminalidade”, pontuou Fernando.

A professora Tatiane dos Santos de 41 anos
A professora Tatiane dos Santos, de 41 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A professora Tatiane dos Santos, de 41 anos, desfila na Em Cima da Hora há 11 anos e já passou por diversos postos na agremiação. Ela interpreta a alegoria como uma forma de reafirmar a ancestralidade do povo preto.

“Se buscar a história do Carnaval, dá para ver que ele começou nos terreiros, começou com o povo preto. É uma forma de combater a intolerância religiosa. É mostrar para a população que o Carnaval vem disso. O carnaval é a nossa cultura, é ancestralidade, é a representação do nosso povo”, comentou Tatiane.

O tecnico de enfermagem Joao Victor Proenca de 24 anos
O técnico de enfermagem João Victor Proença, de 24 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O técnico de enfermagem João Victor Proença, de 24 anos, desfila na escola há dois anos. João diz que sente uma energia diferente com o enredo por se tratar de uma homenagem aos seus ancestrais.

“Eu acho que o carnaval, em si, já é festa do pobre, do preto, do macumbeiro, do favelado. É a forma de nós, que somos minoria, mostrar a nossa força. Mostrar que a minoria, na verdade, não é minoria, e sim maioria”, disse João Victor.

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A mãe de santo e agente funerária, Viviane Rosa, de 42 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A mãe de santo e agente funerária, Viviane Rosa, de 42 anos, está em seu primeiro desfile pela Em Cima da Hora. Para ela, a escola mostra e esclarece a religião para o mundo. Viviane acredita que é uma mensagem para os políticos promoverem mais campanhas contra o preconceito religioso e motivar a união entre as religiões.

“É uma forma de você esclarecer a religião, de poder mostrar para o mundo, porque não está mostrando só para o Rio de Janeiro. Está mostrando para vários países a cultura afrodescendente e afro-brasileira”, declarou Viviane.