Em mais uma quinta-feira de eliminatória, a Beija-Flor de Nilópolis levou sete sambas para a próxima fase da disputa, com a eliminação das parcerias de Picolé da Beija-Flor e Arnaldo Matheus. Com o enredo “Bembé”, do carnavalesco João Vitor Araújo, a Azul e Branca da Baixada será a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval em 2026. Veja abaixo a análise do CARNAVALESCO.
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Parceria de Marcelo Guimarães: A parceria de Marcelo Guimarães, Cesar Neguinho, Wander Timbalada, Rogério Damata, Maicon Lazarim e Vander Sinval foi a terceira a pisar no palco nilopolitano, com Pixulé à frente do microfone, em uma performance muito boa que levantou o ânimo da quadra. O samba apresentou momentos interessantes na segunda parte, especialmente na mudança leve do ritmo da melodia, que se torna mais suave a partir do trecho “Por rio segue o mar de gente, vão passando as horas”. Esse ponto marca a subida para o refrão, que se destacou e foi bem cantado pela torcida. O refrão principal também chama atenção pela animação rítmica, valorizando o histórico da agremiação em enredos afro e religiosos logo no primeiro verso: “Meu Beija-Flor azul e branco, macumbeiro/Quilombola, feiticeiro, herdeiro de Bembé”, igualmente muito cantado.
Parceria de Júnior PQD: Pitty de Menezes defendeu com intensidade a parceria de Júnior PQD, Ailson Picanço, Nando Billy Mandy, Marcelo Moraes, Geraldo M. Felício e Robson Carlos, contando ainda com Hudson Luiz como apoio nos vocais, o que deu mais potência à apresentação. A obra empolgou a torcida e os componentes presentes na quadra, tendo como ponto alto o refrão do meio: “Firma na palma, eu quero ver!/Samba de roda, maculelê/No cangerê do meu iylê/Treze de maio não foi de graça/Quem é quilombo nunca mais será senzala!” A melodia combina bem com os versos, especialmente os dois últimos, que trazem grande força para a mensagem do enredo. Outro momento marcante está na primeira parte do samba, em “Flores para inanaê! (inaê, inaê!)/Cativeiro nunca mais!/Mas será que a liberdade/Trouxe a dignidade ou um novo capataz?”, também bastante cantado na quadra.
Parceria de Rômulo Massacesi: De autoria de Rômulo Massacesi, Lucas Gringo, André Jr., Nurynho Almawi, Doguinho e Ali Jabr, o quinto samba da noite teve Marquinho Art’Samba e Leozinho Nunes nos microfones principais, com apoio reforçado e uma apresentação muito potente. O samba foi bem cadenciado do início ao fim, valorizando o enredo da escola e destacando a cultura e religiosidade do Bembé. Os refrões cumpriram bem o papel de explosão, sendo cantados com força pela torcida, como em “O chão da magia emana axé/Sou Beija-Flor, casa de candomblé”. Outro momento de impacto foi a subida para o refrão: “Ao ver minha luta resista/Tem sangue por trás da conquista/O jogo alafiou o meu legado/Respeita pra ser respeitado”.
Parceria de Júnior Trindade: Com Bruno Ribas como intérprete principal, a obra de Júnior Trindade, Élson Ramires, JP Figueira, Ricardo Castanheira, Marcão da Gráfica e Júlio Alves teve uma apresentação animada, com apoio de Tuninho Jr. O refrão principal, encerrado pelo verso “Nilópolis, terra da magia/É muita macumba, parece a Bahia”, foi um dos pontos altos, empolgando a torcida. Outro destaque foi a segunda parte da obra, com melodia mais suave em versos como: “Em tuas águas vai meu povo de santo/De azul e branco o barco a navegar/Yabás, um reencontro espiritual/Que vem da África ancestral”.
Parceria de Sidney de Pilares: Composto por Sidney de Pilares, Marquinhos Beija-Flor, Chacal do Sax, Cláudio Gladiador, Marcelo Lepiane e Salgado João Conga, o sétimo samba da noite foi interpretado por Wander Pires, com apoio de Wandinho e Rafael Tinguinha. A apresentação foi potente e bastante animada, com forte participação da torcida, que cantou em coro trechos como o bis de subida para o refrão principal: “A curimba de baiano faz Nilópolis cantar/Aiê yê! Odoyá!”. O início da obra também chamou atenção com versos marcantes: “Não me peça pra calar minha verdade/Pois a nossa liberdade não depende de papel”, além da subida para o refrão do meio: “Não tememos ataque algum/A rua ocupamos por direito!”.
Parceria de Julio Assis: Tinga e Nêgo conduziram, junto aos apoios Thiago Acácio e Juan Briggs, o samba de Julio Assis, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Manolo, Julio Alves e Léo do Piso, em uma das grandes apresentações da noite. A torcida cantou forte durante toda a obra, que se destacou especialmente no bis e no refrão principal: “Atabaque ecoou, liberdade que retumba/Isso aqui vai virar macumba”. “Deixa girar que a rua virou bembé/Deixa girar que a rua virou bembé/O meu egbé faz valer o seu lugar/Eró eró Beija-Flor, alafiá!” Outros trechos marcantes foram “Sou eu Beija-Flor/Filho de santo que jamais se omitiu/O canto livre dos terreiros do Brasil/Que ainda clamam alforria”, com melodia interessante, e o falso refrão do meio, também de destaque.
Parceria de Kirrazinho: Encerrando a noite, a obra de Kirrazinho, Gui Karraz, Moisés Santiago, Miguel Dibo, Dr. André Lima e Denilson Sodré foi conduzida por Charles Silva, Igor Vianna e Tem-Tem Jr., com participação de Igor Pitta, em uma apresentação de muita força e animação. O samba, bastante poético, destacou-se nos refrões, como o principal, que remete à ancestralidade jeje-nagô e ao fundador da escola, Cabana. O refrão do meio, com melodia envolvente, foi bem cantado pela torcida: “Oro mi má oro mi maior/Oro mi má oro mi maior/A benção mainha, nos cubra de amor/E leva meu sonho nas asas de um Beija-Flor”. Na segunda parte, também ganhou força o trecho “Meu nego, te desejo liberdade/No balaio frente à purificação/Desse meu lugar não saio, ninguém solta a minha mão”, consolidando a obra como um dos destaques da noite.