Em entrevista ao canal “Fala Muka”, na última quarta-feira, a presidenta mais jovem da história do Rio, Lara Mara, de apenas 20 anos, abordou lições e desafios enfrentados pela UPM no último carnaval, citou planos futuros e relatou como é ser uma mulher jovem em um ambiente amplamente considerado masculino. Indagada sobre como começou sua história com a UPM, Lara declarou: “Desde sempre. Meu pai e minha mãe sempre me levaram muito para a quadra. Comecei na ala das crianças, depois fui destaque, diretora de carnaval… Meu sonho era ser porta-bandeira. Mas vi que não era para mim. As coisas foram seguindo um rumo tão natural para a gestão de carnaval que fui me encontrando e pensei que era isso o que eu queria para minha vida. Eu vi que era ali que eu podia fazer pela minha comunidade, que a comunidade da Vila Vintém tivesse alguém que pudesse falar por eles. E ali eu achei: ‘esse é o meu lugar’. E, acima de tudo, eu sou sambista, posso fazer o que eu gosto, o que eu amo”.
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A presença das mulheres no posto de presidência traz mais segurança e mais conforto para a jovem presidenta, já que, na direção de carnaval, ela trabalhava cercada de homens. Cita ainda que sentia como se fosse uma intrusa ali, por ser um ambiente totalmente masculino.
“Não eram os colegas de trabalho, nunca fui desrespeitada, era o ambiente em si mesmo. Quando chegava a uma plenária, por exemplo, eu era a única mulher, então me sentia uma intrusa ali. Quando você chega a uma presidência de carnaval, não é assim. Tirando o mestre-sala, qualquer cargo numa escola de samba é lugar de mulher. Quem falou que para ser diretor de carnaval tem que ser homem?. Era um sonho meu (virar presidenta), mas achei que ainda iria demorar mais uns cinco anos como diretora de carnaval. Mas veio a presidência. Eu ainda estava digerindo o que aconteceu no último carnaval. Mas veio a assembleia geral e eu fui eleita. Fiquei muito feliz e grata”, conta.
Lara comentou também sobre o movimento “Fechados com a UPM”, repercussões da apuração, conversas com o presidente da Liesa e recursos feitos pela escola.
“O ‘Fechados com a UPM’ foi algo que eu falei que precisávamos falar porque vai além da UPM. Olha o que aconteceu com o Império e com tantas outras escolas que tiveram esse julgamento vicioso também. Até quando a gente vai ficar calado?. “A gente sabe que a escola que sobe é a escola que desce. Mas eu entendo isso, porque, depois do que aconteceu com a UPM, como o povo não vai achar isso?”.
A presidenta da UPM contou que todo o processo do recurso e de não saber o que aconteceria foi o mais difícil para ela. Contestou ainda a falha do som, que durou 17 minutos, prejudicando a avaliação da escola em muitos quesitos, mas o recurso contestando esse ponto foi negado. Segundo Lara, o Conselho Deliberativo negou, dizendo que o jurado é soberano. Após o episódio, a diretoria sentou e conversou, decidindo levantar a cabeça e agir para colocar o carnaval na avenida pela Série Ouro, sem contar com a demora dos recursos, já que ainda cabia um último, que a escola optou por não utilizar.
“A questão das notas, assim como o Lucas (Milato, carnavalesco da escola), tudo que fosse novo eu achei que seria bom para a Unidos. Mas, depois do julgamento, eu tive a leve impressão de que não fui comparada com quem deveria ser comparada. Mas não vou entrar no mérito aqui, porque não quero arrumar problema. Mas, enfim… Não vou falar que é ruim, vamos para mais um ano, para decidir se funciona. Tem prós e contras nesse novo protocolo”, relata.
Já sobre o quarto módulo instalado e a nova iluminação da Sapucaí, Lara opina: “O quarto módulo, para mim, foi cansativo demais, engessou, parecia que a escola estava cansando. Eu assisti aos desfiles e parecia que a escola não estava evoluindo ali na quarta cabine. A luz ainda não tenho uma opinião formada sobre. Ela cria um espetáculo à parte para a comissão de frente, mas, para o desfile, falta tempo para testar e fazer funcionar na avenida”.
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Notas dos jurados
“Acho que o problema está no manual. O julgador precisa ser explicado acerca do parâmetro que deve ser julgado, porque os critérios ficaram desproporcionais”, cita.
“Quando o Gabriel deu a entrevista, acendeu um pingo de esperança. Para mim, ele falou ali como sambista. Sei que não é uma decisão só dele. Ele me deu total suporte, foi respeitoso. Acho que, se a decisão fosse dele, a UPM ficava no Grupo Especial, sim. Tem muitas coisas que ele quer mudar, mas não dependem só dele. Ele ainda tem três anos pela frente, e eu estou torcendo muito para que ele consiga mudar esse julgamento vicioso”.
Planos e projetos para 2026
“Agora pretendo voltar ao Grupo Especial, apresentar grandes carnavais. Hoje em dia, acho que todo mundo é um pouquinho UPM por conta dessas grandes injustiças que a gente vem sofrendo. É muito legal quando a gente é parado na rua e ouve que fizemos grandes desfiles, porque a gente faz carnaval para o povo, e é isso que quero que a minha escola continue fazendo: que o povo veja a UPM e se sinta feliz, representado. Eu tenho muitos planos ainda. Um deles é um sonho que minha avó tem, de criar uma escola mirim, e a gente quer realizar esse sonho. Já temos até um nome: ‘Boizinhos da Vintém’, mas vamos ver. Temos também o sonho do nosso instituto. Acho que a comunidade vai ficar muito feliz”, confidencia.