Sob o olhar de Dona Fulô, uma grande celebração da luta pela liberdade, na forma dos esforços das ganhadeiras que vendiam joias, em busca do sonho de comprar a própria alforria, atravessou o Sambódromo do Anhembi, na última sexta-feira, no desfile do Império de Casa Verde intitulado “Império dos Balangandãs – Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado por Leandro Barboza.
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Em entrevista ao CARNAVALESCO, alguns dos principais representantes do Tigre Guerreiro falaram sobre o desempenho da escola e de seus quesitos na Avenida.
Sergio Cardoso, coreógrafo da comissão de frente

“Este ano, as cabines estavam em uma posição totalmente diferente do que estamos acostumados e bem mais próximas. Além disso, o campo de visão dos jurados diminuiu bastante, porque era mais baixo. Tivemos que mudar algumas estratégias. A minha sorte é que o samba é curto, então tenho duas passagens para contar toda a história. São quatro minutos, e foi tranquilo. Essas duas cabines muito próximas e a parada do recuo da bateria ficaram bem no meio das duas. Ou seja, estávamos sendo avaliados de frente e de costas. Acho que esse é o jogo, e temos que nos aperfeiçoar cada vez mais diante das regras. Para mim, a execução foi tudo ok. Agora vamos ver o olhar do jurado”.
Edinei Pedro Mariano, preparador do primeiro casal

“Vim com o primeiro casal, para quem faço a preparação técnica, e procuramos colocar em prática tudo o que ensaiamos durante meses. Foi pouco tempo, já que cheguei à escola no final de dezembro, mas aceleramos os ensaios e conseguimos aplicar o que havíamos treinado. Agora, vai depender dos jurados e da visão deles, mas considero o resultado satisfatório. Colocamos algumas nuances e certa licença poética do enredo, com algumas paradas dentro da dança, sem prejudicar o conteúdo principal, que é o volume de dança da porta-bandeira. Tivemos essa licença poética, mas sempre voltando à prática natural da dança do mestre-sala, mantendo a grafia da bandeira. Achei que ficou legal”.
Patrick Vicente, primeiro mestre-sala
“Foi um desfile bem técnico. Treinamos desde maio, com um trabalho árduo, e achei muito bom o andamento. Deu para priorizar tanto a comissão quanto o casal, que veio logo em seguida. Eu e a Sofia saímos daqui felizes ao ver o nosso rendimento. Executamos todos os movimentos que vínhamos ensaiando desde cedo. Agora é esperar o resultado e, se Deus quiser, seremos abençoados da melhor forma possível. Sobre as cabines próximas, a intensidade precisa ser a mesma, já que é uma seguida da outra. Para nós, é a questão de prender a respiração por um minuto, recuperar o fôlego e iniciar novamente na outra cabine. Isso foi bem desafiador e acredito que para todos os casais de São Paulo, pois é algo muito novo. Seja qual for o resultado, não ficaremos tristes, porque sabemos todo o esforço que fizemos pelo nosso pavilhão e pela nossa comunidade”.
Tinga, intérprete oficial
“Foi muito bom, estamos felizes demais. Viemos, cumprimos o nosso trabalho e agora estamos esperando o resultado. Fizemos um grande desfile e sempre esperamos a melhor colocação para levar o nosso Império ao nosso sonho, que é ser campeão do Carnaval”.
Tiago Nascimento, intérprete oficial
“Acho que foi muito bom. A comunidade cantou e está feliz, está alegre. O público respondeu, e o nosso trabalho alcançou o objetivo. O enredo foi fundamental; enredo e samba bons são meio caminho andado. Estamos felizes demais com tudo e, se Deus quiser, é Império na cabeça.”
Mestre Zoinho, da bateria ‘Barcelona do Samba’

“Dentro da nossa expectativa, saiu tudo certo. No ano passado, o Império veio de um décimo primeiro lugar e não agradamos nem o público nem os jurados, então a expectativa neste ano era muito grande. Eu, há 21 anos à frente da bateria, tenho essa grande responsabilidade. A comunidade confia muito no nosso trabalho, e a cada ano precisamos nos superar e fazer um trabalho melhor. Nós nos preparamos bastante para este ano, e o resultado foi o que todos viram: a interação com o público e com a arquibancada, a bateria fazendo as bossas e as paradinhas para alegrar as pessoas, sem perder a nossa característica principal, que é o ritmo. Estou feliz, acho que o balanço dessa passagem foi muito bom. Agora vamos esperar o julgamento e ver o que os jurados acharam”.
Fábio Leite, presidente do Império de Casa Verde

“Primeiro, a sensação é de gratidão. Terminar o ano com um desfile maravilhoso como esse não tem preço. É o que todo mundo almeja, e Deus esteve conosco nesse momento. Assumimos o Carnaval na metade do projeto, e o presidente Alexandre já tinha deixado tudo muito bem direcionado. Nós apenas demos continuidade ao processo, e o reflexo foi o que se viu na pista. Confesso que não consegui ver todo o desfile, porque ficamos mais na parte técnica da escola, mas saio daqui muito satisfeito e tranquilo. O sorriso de cada um é o que importa neste momento. Sou grato a eles, porque, sem os componentes, não estaríamos aqui. Fazer fantasia e carro não adianta nada se você não tiver o componente com o calor humano.”










