Por Luiz Gustavo, Juliana Henrik, Juliane Barbosa, Lucas Santos e Maria Estela Costa
A Imperatriz Leopoldinense realizou seu segundo ensaio técnico da temporada para o Carnaval 2026 no último domingo, novamente debaixo de uma insistente e teimosa chuva que não parou de cair durante a apresentação da escola. O que só serviu para esquentar ainda mais a energia dos componentes, que fizeram um grande desfile, com ótima comunicação com o público presente na Marquês de Sapucaí, que se jogou na festa e acompanhou uma verde e branco extremamente vibrante, solta e livre para ser feliz na pista.
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A agremiação aliou essa alegria a uma ótima técnica de evolução, alas compactas que aproveitam muito bem todo o espaço do sambódromo, um casal espetacular, um samba que pegou na veia da comunidade e rende de forma excelente na avenida, além de uma comissão de frente que sintetiza o enredo com belo nível de execução. Todo esse conjunto formou um dos grandes ensaios da temporada e alcançou uma potente sinergia com a arquibancada, que cantou e reconheceu o trabalho de uma escola que se redescobriu e está apaixonada por si mesma. A Imperatriz colocará toda essa força à prova no domingo de carnaval, sendo a segunda escola a desfilar na noite, exibindo o enredo “Camaleônico”, homenagem a Ney Matogrosso desenvolvida pelo carnavalesco Leandro Vieira em seu quarto ano na agremiação.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão idealizada por Patrick Carvalho primou pela expressividade em sua performance, com ótima teatralização e uma leitura direta do enredo proposto. A transformação da persona Ney Matogrosso, mostrando-se como o camaleão retratado pela Imperatriz, surge em uma coreografia repleta de expressão corporal e boa marcação dos tempos. O final, com o homenageado voltando à sua figura humana, abraçado pela bandeira da escola, é o ápice de uma apresentação visceral que foi bastante aplaudida pelo público presente. Um trabalho muito bem feito, que deixa um gosto de curiosidade para o que será desenvolvido na avenida no desfile oficial por Patrick Carvalho, em seu segundo ano na agremiação.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro realizaram uma apresentação típica de ambos, unindo técnica, um bailado bastante ágil e muita garra. Mesmo com a pista escorregadia pela chuva e a nova pintura do chão da Sapucaí, o casal entregou um desempenho de ótimo nível, por meio do enorme entrosamento que os dois possuem, além de uma excelente coreografia e muita precisão nos movimentos. Phelipe é um motor, de uma energia absurda, com um bailado que magnetiza quem assiste e eleva a temperatura do ensaio até o final de sua série. Rafaela é elegância e graciosidade, unidas a boa explosão no bailado e em seus giros. Juntos, formam um casal de excelência no carnaval carioca e que vive um grande momento.

EVOLUÇÃO
A Imperatriz seguiu sua toada de ensaiar brincando pela pista, com muita leveza, componentes soltos e performando interpretação com um samba que permite e pede essa linha de desfile. Muitos integrantes das alas não marcavam posição fixa por muito tempo, movimentando-se por todos os lados da pista e usando ao máximo a amplitude do sambódromo. Quando o samba chegava aos dois refrãos em sequência, a evolução explodia e a escola quicava na avenida. Em termos de andamento, a evolução foi firme e tranquila, sem correria ou espaçamentos. A escola conseguiu manter boa compactação, com as alas próximas, algumas abrindo mais espaço entre os componentes para preencher maior volume na pista, como as alas coreografadas. A verde e branco terminou seu ensaio com segurança, em 73 minutos, com bastante empolgação ao final.

HARMONIA E SAMBA
A cada verso, uma demonstração de alegria, vigor e alto astral. O canto do leopoldinense é feliz, energizado, flui de forma natural e contagia. Da primeira à última ala, a escola entoou o samba com vontade de extravasar e brincar sob uma chuva que não parava de cair. Esse astral convidou o público a cantar junto, esquentando ainda mais a apresentação e criando um clima muito gostoso. As alas coreografadas, que em certos momentos costumam ter um canto mais irregular, não deixaram a toada cair e entraram no ritmo forte que a agremiação imprimiu. A ala do último setor, enfeitada com leques e adereços com as cores do movimento LGBTQIAPN+, é um destaque à parte, com seus componentes se jogando na festa sem pensar em mais nada, apresentando um canto muito forte e interpretativo.
Toda essa energia gerada por um samba que, se não foi comprado de cara pelo público e sambistas em geral, recebeu a adesão em massa dos gresilenses, criando uma identificação imediata por parte da comunidade. O trabalho da direção musical, de Pitty de Menezes, junto com seus apoios e o mestre Lolo, é exemplar. Algumas variações melódicas que soavam truncadas hoje passam de forma cada vez mais agradável aos ouvidos. Essa linha melódica funciona, não deixa o samba monótono e envolve o componente. O samba não apresenta quedas, rendendo do início ao fim do ensaio, bastante potencializado pelo excelente desempenho de Pitty e Lolo, que não deixam o samba cair, com diversas bossas por parte do mestre de bateria. A obra foi bem recebida e cantada pelo público, que encarou a chuva e se divertiu com a Imperatriz.

OUTROS DESTAQUES
Carmen Mondego vem logo no primeiro setor da escola, após o casal, e abre a passagem das alas com beleza e muito samba no pé. A bem-vestida ala de baianas da Imperatriz cantou bem o samba e realçou a força e a tradição da comunidade de Ramos. Iza reinou à frente da bateria, brilhando com uma bonita fantasia e seu carisma habitual, sendo bastante ovacionada pelo público.










