A terceira escola a cruzar a Marquês de Sapucaí no primeiro dia do Grupo Especial foi a Portela, levando para a avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará”.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Dentro do setor “Ecos de Uma Realeza”, o terceiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Osanna Baptista e Yuri Pires, assumiu papel central ao representar o Bailado do Maçambique de Osório. O figurino com bastões e fitas coloridas chamou, mais do que estética, havia ali pesquisa e fusão cultural.

Questionada se já conhecia a manifestação cultural negra do Rio Grande do Sul antes de vestir a fantasia, Osanna foi direta ao destacar o caráter educativo do desfile. Segundo ela, o enredo da Portela funciona como “uma verdadeira aula de
história”, sobretudo por apresentar ao grande público tradições pouco difundidas. Para a Porta-Bandeira, viver essa experiência está sendo lindo e diferente, principalmente por poder trazer a cultura do Rio Grande do Sul e mesclar com a carioca. A fala revela o espírito de troca que marcou a preparação do casal.

Adaptar o bailado tradicional do samba ao ritmo próprio do Maçambique exigiu dedicação. Yuri ressaltou a importância de receber “com muito amor e carinho tudo aquilo que é diferente e novo”, reforçando o respeito ao processo.

Já Osanna detalhou que houve “muito estudo, muito treino”, com direito a testes durante as bossas da bateria. Ela contou ainda que buscou apoio de uma amiga Porta-Estandarte do Rio Grande do Sul.

“Tenho uma amiga que é Porta-Estandarte no Rio Grande do Sul, então eu mandava vídeo para ela, e assim ela ia me ajudando, me passando algumas referências e assim fomos evoluindo e chegando até a nossa dança”, afirmou.

Ao levar para a Sapucaí uma manifestação negra do Sul do país, o casal também ajudou a romper percepções limitadas sobre a região.

“Negro é negro, a gente consegue se misturar independente da cultura”, afirmou o Mestre-Sala, defendendo a ideia de unidade na diversidade. A presença do Maçambique de Osório na avenida amplia o olhar sobre o Rio Grande do Sul, muitas vezes associado apenas a matrizes europeias.

Vestindo uma fantasia que simboliza a nobreza negra esquecida de Osório, o casal também destacou o cuidado do ateliê na execução das roupas.

“Temos um ateliê maravilhoso, que entende o figurino e trazer a arte do Rio Grande do Sul e adaptar com a nossa cultura foi perfeito”, concluíram.

A Portela celebrou a adaptação da arte gaúcha à identidade carioca. O brilho das fitas e a imponência dos bastões dialogavam com o conceito de “ecos de uma realeza”.