Pelo segundo ano consecutivo à frente da direção de Carnaval da Estação Primeira de Mangueira, Dudu Azevedo afirma viver um momento de grande responsabilidade e realização pessoal. Sambista de berço, ele destaca que ocupar o cargo em uma escola com a dimensão histórica e simbólica da Mangueira ainda é algo difícil de mensurar. “É muita honra e muita glória estar na Mangueira. Eu não sei mensurar a grandeza de ver que hoje eu estou na maior coisa chamada planeta, que é a Mangueira”, afirma.
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Dudu ressalta que fazer parte da escola representa integrar uma instituição marcada pela ancestralidade e pela identidade negra. “É uma escola de raiz, que respeita o samba e que representa, com certeza, a maior cultura do Brasil”, diz. Segundo ele, o trabalho na direção de Carnaval é coletivo e sustentado por um grupo de lideranças internas que participa ativamente das decisões estratégicas do desfile.
Ao comparar os carnavais de 2025 e 2026, Dudu aponta um avanço significativo na maturidade do projeto. “No ano passado, a galera acreditou. Este ano, a galera já faz”, resume. Para ele, a principal mudança está no nível de engajamento da comunidade e das equipes envolvidas. “O trabalho parece mais sólido. Existe cooperação, abraço ao projeto e uma sensação de que todo mundo já entendeu o caminho”, afirma. Dudu destaca ainda a rotina de reuniões semanais e debates internos como parte fundamental desse processo.
Outro ponto destacado pelo diretor é o momento financeiro vivido pela escola, que, segundo ele, tem impacto direto na qualidade do trabalho desenvolvido no barracão. “A Mangueira hoje tem a ministra do Planejamento, a presidente Guanayra Firmino. A forma como ela dá condições de infraestrutura e como todos os profissionais recebem em dia faz muita diferença”, explica. Ele cita ferreiros, carpinteiros, aderecistas e equipes de ateliê e barracão como parte de uma engrenagem que depende de organização e previsibilidade.
“O reconhecimento financeiro é fundamental para o trabalho artístico. O artista gosta do reconhecimento financeiro, e isso permite cobrar e exigir o trabalho com responsabilidade”, afirma. Segundo Dudu, a gestão da escola trata o cumprimento dos pagamentos como obrigação básica. “Quando a gente conversa, ela fala que não está fazendo nada demais, está fazendo o que é certo”, completa.
Dentro desse processo, o trabalho plástico desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França ganha centralidade. Dudu avalia que o artista chega ao segundo Carnaval com a Mangueira mais seguro de sua linguagem e mais conectado à identidade da escola. “O Sidnei já fez um Carnaval muito bonito no ano passado, e agora ele vem com uma assinatura ainda mais clara de Mangueira”, afirma. Para o diretor, o carnavalesco conseguiu assimilar pedidos e sensibilidades do mangueirense sem abrir mão de seus próprios traços. “Ele tem uma assinatura muito bela, com traços que só ele tem”, destaca.
Dudu ressalta que a estética do desfile de 2026 nasce do cotidiano do barracão e da convivência direta com o processo criativo. “É emocionante estar no barracão todos os dias acompanhando o trabalho dele”, afirma. Segundo ele, a leitura visual do desfile deve evidenciar identidade, acabamento e coerência plástica, pontos considerados fundamentais para a Mangueira.










