Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A Dragões da Real realizou na noite do último domingo seu primeiro ensaio técnico visando à preparação para o Carnaval 2026. O treino teve como destaques a parte musical e a evolução. Como sempre, o canto da comunidade esteve nas alturas. O carro de som, liderado por Renê Sobral, soube interpretar o samba indígena, e a bateria “Ritmo que Incendeia” conseguiu dar sustentação ao samba. Destaque também para a evolução solta que os componentes da Dragões da Real executam todos os anos. Um detalhe interessante foi a presença da torcida da escola, localizada no Setor B (Monumental), que levou várias bandeiras com mastros contendo a logomarca do enredo. Com as cores, criou-se um efeito visual interessante em meio ao público.

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O fato é que a Dragões da Real realizou um ensaio técnico de almanaque, em nível de elite, brigando pelas maiores posições. A escola é uma potência há muito tempo e se mostra cada vez mais determinada a levantar o caneco. A agremiação da Vila Anastácio será a terceira escola a desfilar na sexta-feira, com o enredo “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”, assinado pelo carnavalesco Jorge Freitas. A Dragões da Real faz seu segundo ensaio técnico no dia 1º de fevereiro.

COMISSÃO DE FRENTE

Comandada pelo coreógrafo Ricardo Negreiros, a comissão de frente da Dragões da Real simbolizou muito bem a força da mulher indígena. Destacou-se pela objetividade, sem muitos detalhes, diferentemente do que foi apresentado em anos anteriores. A maioria do elenco é feminina, com quatro homens e uma criança. A coreografia consistiu em colocar as mulheres encenando sobre o elemento alegórico, enquanto outros acontecimentos se desenrolavam no chão. Havia claramente uma personagem principal, realizando movimentos característicos da cultura indígena, além de expressões faciais marcantes.

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A responsabilidade de apresentar a escola e saudar o público ficou com os integrantes que estavam no elemento alegórico. A proposta de Ricardo Negreiros neste ensaio foi mostrar, de forma objetiva, quem são as Guerreiras Icamiabas. A garra e a força das personagens na dança foram executadas com êxito.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Rubens de Castro e Janny Moreno realizou um ensaio seguro. Eles dançaram com a fantasia do Carnaval 2025, o que ajudou a abrilhantar o ensaio e também a dar o tom da próxima fantasia. A proposta envolveu giros no sentido horário e anti-horário, e a vestimenta serve para o controle de peso, como o uso de adereços de cabeça e apresentações em frente às cabines nessas condições.

Vale ressaltar o empenho da dupla na coreografia dentro do samba, além do cumprimento dos movimentos obrigatórios previstos no regulamento. É perceptível a felicidade do casal com o samba-enredo. O sorriso e a entrega nas movimentações, com referências aos passos indígenas, evidenciam esse sentimento. Trata-se de um casal que não aposta em movimentos excessivamente intensos nos giros, mas que trabalha com propriedade dentro das regras que o carnaval exige.

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Ainda dentro da dança, é válido destacar que Rubens de Castro e Janny Moreno formam o casal mais experiente, em termos de idade, do carnaval paulistano. O mestre-sala demonstra um jogo de pernas elegante, com samba no pé e riscado refinado, priorizando a arte do quesito. Janny Moreno, com seu sorriso marcante, acompanha o parceiro à altura.
Janny afirmou que o objetivo é sempre a nota 10, mas reconhece que há espaço para evolução.

“A nossa expectativa sempre é nota 10, mas sempre dá para melhorar. Esse foi o nosso primeiro ensaio com toda a comunidade. O próximo, no dia 1º de fevereiro, será melhor ainda”, disse.

Rubens contou que os ensaios anteriores ocorreram sob chuva e que este foi o primeiro com a pista em boas condições. Seguindo a linha da companheira, afirmou que ainda há pontos a ajustar. “Fizemos cinco ensaios na chuva, então a novidade veio neste, no seco. Pneu de chuva no seco. Entregamos tudo e testamos tudo, mas sempre tem algo a mais que queremos ajustar. Somos assim, sempre buscando um pouquinho mais”, declarou.

HARMONIA

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Avaliar o canto da Dragões da Real chega a ser chover no molhado. A escola possui uma das melhores harmonias do carnaval de São Paulo. O canto é potente e envolve componentes de alas, crianças e até as baianas. Diferentemente de 2025, quando o samba era mais emotivo, a obra atual é forte e foi concebida para ser cantada com garra. A comunidade comprou a ideia e mantém o sorriso no rosto. É impressionante notar o prazer que os componentes têm em desfilar e participar da agremiação da Vila Anastácio.

O refrão de cabeça e a segunda parte se destacam por elevar o tom do samba-enredo, e foi perceptível o aumento do canto dos componentes nesses trechos. As palavras Juremê e Juremá ecoam com força por serem oxítonas, o que contribui para o aumento da intensidade sonora. A frase “Corre sangue pelas veias”, presente na segunda parte do refrão de cabeça, tem a palavra “veias” prolongada, gerando ainda mais impacto.

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Outro ponto positivo foi a constância do canto da comunidade. É natural haver queda de rendimento vocal ao longo da pista, mas isso ocorreu de forma mínima. Esse fator é importante, já que a última cabine, localizada próxima à dispersão, é responsável pelo julgamento da harmonia e do samba-enredo. Manter o ritmo do canto até o fim é essencial.

Há, porém, um ponto de atenção. Em algumas bossas executadas pelo mestre Klemen Gioz, algumas alas tiveram dificuldade para retornar à mesma sintonia do carro de som. Isso pode ter ocorrido pelo fato de o Anhembi ainda não estar com o sistema de som completo em funcionamento. É algo que merece observação.

“Eu que agradeço pela cobertura, mais uma vez. Estou muito feliz, porque temos ensaiado bastante, e muitas coisas que treinamos na quadra e na rua, quando chegam aqui, algumas funcionam e outras não, já que o ambiente é diferente. Hoje, graças a Deus, tudo o que testamos funcionou. Isso me deixa muito feliz. Testamos coisas novas na parte musical, ajustes que já vínhamos trabalhando, e, quando chegamos aqui, decidimos colocar em prática para ver se daria certo, e deu certo. Praticamente 99,9% da parte musical, junto com a bateria, foi testada e aprovada neste ensaio. Estou muito satisfeito. A comunidade cantou muito, houve uma boa reverberação, e acredito que estamos no caminho certo. Cantar um samba indígena é um desafio que eu gosto bastante, porque procuro incorporar o enredo. Quando ele traz uma história tão bonita, com lendas e espiritualidade, eu me entrego completamente, estou adorando esse samba. Sem dúvida, o som com toda a estrutura montada é diferente, traz mais potência e permite que a gente se escute melhor, mas, como as arquibancadas não estão cheias, isso também influencia. O som do carro de som funcionou bem, havia algumas caixas que davam retorno para a pista, e isso ajudou. Claro que, quando tudo estiver funcionando plenamente, será muito melhor, é outra realidade”, disse o intérprete Renê Sobral.

EVOLUÇÃO

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É empolgante acompanhar a evolução da Dragões da Real. A forma como os componentes se movimentam de um lado para o outro, brincando de carnaval, representa a essência da folia. Trata-se de uma movimentação organizada, sem bagunça, com cuidado para evitar buracos e escapes entre as alas. A liberdade dos desfilantes transmite alegria, e isso é incentivado pelos próprios integrantes da harmonia. Não houve qualquer ocorrência de falhas entre as fileiras, divisões de escola ou buracos. Todo o quesito foi apresentado de maneira correta.

Outro destaque é o uso das camisetas das alas. Todas exibem o nome de seus respectivos grupos e utilizam cores diferentes, criando um visual interessante e uma sensação de desfile, como se fossem fantasias coloridas.

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SAMBA-ENREDO

O samba caiu como uma luva na voz do intérprete Renê Sobral, mesmo sendo o primeiro samba indígena que ele interpreta na carreira. O cantor é acompanhado por uma equipe experiente e de extrema qualidade, com nomes como Jorginho Soares, Helber Medeiros e a voz feminina de Mayara Costa. Destaque também para o entrosamento da ala musical com a bateria “Ritmo que Incendeia”, liderada pelo mestre Klemen.

Renê Sobral afirmou estar extremamente satisfeito com o ensaio, especialmente pelo sucesso dos arranjos testados. “Estou muito feliz, porque temos ensaiado bastante. Muitas coisas que treinamos na quadra e na rua, quando chegam aqui, às vezes funcionam e outras não, pois o ambiente é diferente. Hoje, graças a Deus, tudo o que testamos funcionou. Isso me deixa muito satisfeito. Praticamente 99,9% da parte musical, junto com a bateria, foi testada e aprovada neste ensaio. A comunidade cantou muito, houve boa reverberação, e acredito que estamos no caminho certo”, declarou.

É a primeira vez que o cantor interpreta um samba indígena, e ele se diz fascinado pela história. “Gosto bastante, porque procuro incorporar o enredo. Quando ele traz uma história tão bonita, com lendas e espiritualidade, eu me entrego completamente. Estou amando esse samba”, afirmou.

O intérprete também comentou sobre o sistema de som do Anhembi e minimizou a ausência da estrutura completa. Segundo ele, quando tudo estiver montado, a experiência será ainda melhor. “O som com toda a estrutura é diferente, traz mais potência e permite que a gente se escute melhor. Como as arquibancadas ainda não estão cheias, isso também influencia. O carro de som funcionou bem, havia algumas caixas de retorno para a pista, o que ajudou bastante. Quando tudo estiver funcionando plenamente, será outra realidade”, completou.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria “Ritmo que Incendeia”, comandada pelo mestre Klemen, apresentou um andamento satisfatório para o samba, com bossas bem executadas. Klemen avaliou o ensaio como positivo. “Quando a bateria entrou no recuo, vimos que a escola estava cantando e evoluindo bem. Tudo o que nos propusemos a fazer foi realizado. Como toda escola costuma dizer, é apenas o primeiro ensaio. No segundo, vamos ajustar alguns detalhes, mas, no geral, foi exatamente o que queríamos”, explicou.

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O músico elogiou o enredo e destacou o empenho da escola na busca pelo título. “Senti que a bateria assimilou bem a técnica e abraçou esse enredo, que é muito bom, talvez o melhor. A escola vem trabalhando muito, na quadra, no barracão e no ateliê. Nós, da bateria, ensaiamos toda semana e vamos dar mais de 100% para alcançar nosso maior objetivo”, finalizou.

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A corte de bateria esteve completa, com a rainha Karine Grum, a princesa Yohana Obyara e a musa Lexa. Destaque para uma alegoria localizada no primeiro setor, que explodia serpentinas para o delírio do público.

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