A Tubarão de Mesquita levou para a avenida o samba-enredo “Berta Ribeiro: Da Praça Onze ao Coração da Floresta”, exaltando a trajetória da antropóloga Berta Ribeiro. O desfile celebrou sua sabedoria, força e profunda ligação com as culturas que pulsavam entre a antiga Praça Onze e os povos originários da floresta, destacando suas raízes culturais, sua caminhada profissional e suas contribuições à sociedade brasileira.

A escola da Baixada apresentou um conjunto sólido e consistente: coreografias potentes, evolução bem distribuída e fantasias de alto nível estético. Pelo desempenho apresentado, é apontada como forte candidata ao acesso à Série Ouro em 2027.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação

COMISSÃO DE FRENTE

Flávia Leal, coreógrafa da comissão de frente, entregou uma apresentação impactante, com trocas de figurino, maquiagens marcantes e a utilização de um elemento cênico móvel. A coreografia narrou o encontro de Berta com os povos indígenas e sua transformação ao passar a enxergar, sentir e registrar o mundo sob a perspectiva dessas culturas.

O ponto alto foi a revelação, dentro do elemento móvel, de imagens que retratavam momentos da vida da homenageada. A apresentação envolveu o público do início ao fim, combinando narrativa clara, impacto visual e potência dramática — um desempenho que reúne elementos para nota máxima.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Matheus Silva e Rayra Guarinho apresentou uma dança cadenciada, com movimentos suaves e elegantes. Demonstrando forte conexão e segurança técnica, executaram a coreografia sem falhas aparentes. O mestre-sala destacou-se pelo domínio do leque e pelo seu sorriso contagiante, enquanto a porta-bandeira manteve leveza e imponência na defesa do pavilhão.

HARMONIA E EVOLUÇÃO

Diferentemente de outras agremiações da noite, a Tubarão mostrou domínio do samba por parte de seus componentes. A comunidade cantou com intensidade durante todo o desfile, empolgando o público, que respondeu com entusiasmo e gritos de “é campeã”.

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Mesmo com alegorias de grande porte e alas volumosas, a evolução manteve regularidade e fluidez. A escola encerrou sua apresentação com tranquilidade, registrando 36 minutos e 31 segundos, dentro do tempo regulamentar.

SAMBA

Comandada pelo mestre Michel Silva, a bateria apresentou ritmo forte e cadenciado, sustentando o samba-enredo com firmeza. O intérprete Igor Pitta, ao lado dos demais músicos, demonstrou segurança e animação na condução do canto, garantindo excelente entrosamento com a bateria e fortalecendo a comunicação com a comunidade e o público presente.

ALEGORIAS E FANTASIAS

A luxuosidade das fantasias e alegorias ficou evidente desde os primeiros quesitos. A comissão de frente apostou em trocas de figurino e na utilização de um tripé cenográfico impactante, criando um momento emocionante e de forte apelo visual. Na sequência, o abre-alas apresentou uma composição rica em elementos cênicos, com bancos, árvores e grandes painéis artísticos em tonalidades douradas, reforçando a imponência da abertura do desfile.

O conjunto de fantasias da Tubarão de Mesquita foi um dos destaques da apresentação, elevando a qualidade estética do desfile. O predomínio de brilho, prata e ouro marcou as alas, que surgiram chamativas, luxuosas e em plena sintonia com o enredo e o samba-enredo.

As alegorias mantiveram o alto nível ao longo do cortejo, mas a última composição alegórica se sobressaiu e encerrou o desfile com grande impacto. O carro destacou a importância dos povos indígenas por meio de pinturas detalhadas, esculturas e acabamentos que valorizavam a temática. A presença de componentes femininas sobre a alegoria, com fantasias que também dialogavam com a homenagem, contribuiu para um fechamento visual forte e simbólico.

OUTROS DESTAQUES

Um destaque para a rainha de bateria em em seu quarto ano Alexia Oliveira mostrou o amor, alegria e o samba no pé. Sua fantasia era em homenagem à diversidade indígena brasileira. Um trabalho lindo de Berta Ribeiro.