A Grande Rio segue em ritmo intenso de preparação para o Carnaval 2026, ajustando os últimos detalhes para levar à Marquês de Sapucaí o enredo “A Nação do Mangue”. A proposta da escola de Duque de Caxias é celebrar o movimento cultural e musical Manguebeat, surgido no Recife nos anos 1990, estabelecendo um paralelo entre a lama dos manguezais, a resistência periférica nordestina e a realidade da Baixada Fluminense.

Sob a assinatura do carnavalesco Antônio Gonzaga, o desfile promete unir ecologia, música e crítica social, transformando a Avenida em um verdadeiro manguezal tecnológico.
Durante a concentração da escola para o ensaio realizado neste domingo, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Daniel Werneck e Taciana Couto falou sobre a importância do enredo, a responsabilidade do quesito e os desafios impostos pelo novo formato de julgamento. A dupla será uma das principais responsáveis por traduzir em dança e simbologia toda a força do tema proposto pela tricolor caxiense.
Taciana destacou a riqueza artística do enredo e o impacto pessoal de vivenciar mais um mergulho cultural proporcionado pelo Carnaval.
“Esse ano está sendo muito especial. O enredo reúne muitas influências de diversas artes. É um tema que nos permite explorar bastante e conhecer mais uma cultura. Mais uma vez, o Carnaval proporciona esse contato para a gente. Está sendo um momento incrível e uma honra falar do Manguebeat”, afirmou a porta-bandeira.
Daniel ressaltou o viés social do enredo e a mensagem que a Grande Rio pretende transmitir ao público e aos jurados.
“É um enredo muito importante para nós, porque fala sobre a desigualdade existente. A Grande Rio vem mais uma vez trazendo uma mensagem de conscientização, para que as pessoas tratem todas com igualdade, sem diferença de classe social, já que essa é uma luta constante pelos nossos direitos”, declarou o mestre-sala.

A dupla também comentou sobre a pressão de disputar os tão sonhados 40 pontos em um dos quesitos mais técnicos e decisivos do Carnaval.
Taciana destacou o peso da responsabilidade, mas reforçou o comprometimento do casal com a escola.
“É uma responsabilidade imensa, que abraçamos com muito carinho e respeito. É mais um ano de completa dedicação do casal para alcançar um bom resultado e ajudar a escola. É difícil, pois se trata de uma responsabilidade nas costas de apenas duas pessoas, mas temos conseguido cumprir com maestria e pretendemos continuar nesse caminho de busca e evolução para trazer um resultado positivo”, explicou.
Daniel avaliou que a experiência ajuda a lidar melhor com a cobrança ao longo das temporadas.
“Já estamos acostumados com isso. Mas, de fato, é uma responsabilidade muito grande, porque são apenas duas pessoas disputando esses 40 pontos. A partir do momento em que se entende essa importância, é possível atravessar o desfile com mais tranquilidade. A cada ano existe uma proposta e um enredo diferentes, o que exige estar sempre entregando o melhor”, pontuou.
Ao abordar a construção do bailado para o desfile de 2026, Daniel falou sobre sua formação clássica e a adaptação da dança às exigências do enredo.
“Venho de uma escola marcada pela influência do mestre-sala Ronaldinho, um artista extremamente elegante e clássico. Consegui trazer um pouco desse lado para a minha formação. Tive a oportunidade de ter aulas com ele e aprender bastante. Hoje entendemos que cada enredo pede algo diferente ou um complemento a mais. Por isso, misturamos a dança do mestre-sala e da porta-bandeira com movimentos que representam o que está sendo retratado no enredo, como maracatu, coco e dança afro, que também estão enraizados na origem do nosso bailado e dialogam diretamente com o Manguebeat”, relatou.
Taciana explicou como o casal busca equilibrar tradição e inovação, respeitando os fundamentos do quesito.
“Temos conseguido encontrar o equilíbrio entre a dança tradicional do mestre-sala e da porta-bandeira, que é o que prezamos e defendemos, e o novo. Com o passar do tempo, tudo evolui, e não podemos ficar para trás. No entanto, é fundamental não perder a essência e aquilo que realmente precisa ser apresentado, que é a dança do casal. Buscamos sempre trazer movimentos dentro da temática, priorizando os fundamentos obrigatórios do quesito”, afirmou.
Outro ponto abordado foi a implementação da cabine espelhada, que exige que os casais dancem em 360 graus ao longo do desfile. Daniel avaliou a mudança como positiva para o espetáculo.
“Todos estão começando do zero. Cada casal vem com uma proposta diferente, mas entendemos que o importante é dançar em 360 graus, para todos os lados. Havia uma zona de conforto nas apresentações anteriores, mas essa mudança é válida. Tudo que agrega e engrandece o Carnaval é positivo, inclusive para o público que fica do lado oposto aos jurados, que também merece ser prestigiado com o bailado do mestre-sala e da porta-bandeira”, destacou.
Taciana finalizou ressaltando o caráter desafiador e estimulante da novidade e projetou um grande espetáculo para o público.
“É uma novidade e uma responsabilidade imensa, mas todos partem do zero. Acompanhamos o trabalho dos colegas e cada casal apresenta uma proposta diferente. As pessoas estão se adaptando e trazendo novidades para o espetáculo, o que engrandece ainda mais a festa. Ver todos se testando e se desafiando é algo muito positivo. Sair da zona de conforto é importante, e o público pode esperar um grande espetáculo da Grande Rio”, concluiu.










