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Cubango traz “constelação de estrelas negras” em homenagem a atriz Chica Xavier e transborda emoção

Por Gabriel Leal

 

Na luta pelo acesso ao Grupo Especial, a Acadêmicos do Cubango apostou no enredo “O amor preto cura: Chica Xavier, a mãe baiana do Brasil” para arrematar o caneco da Série Ouro. Desenvolvido pelo carnavalesco João Vitor Araújo, o enredo enalteceu a trajetória da atriz e yalorixá, falecida em agosto de 2020, após uma carreira de sucesso, no teatro, cinema e tv.

Com forte predileção por enredos de temática afro, a verde e branco de Niterói não economizou na emoção ao abordar a vida da atriz e trouxe familiares da atriz e outros artistas negros para desfilar na última alegoria da escola. É o caso da também atriz e neta de Dona Chica, Luana Xavier. A atriz fez questão de relembrar outros grandes nomes que passaram pela avenida e celebrou a trajetória da grande mãe baiana.

“A minha avó junto com tantas outras, junto com Léa Garcia, com Zezé Motta, aliás todas foram enredo, essas mulheres abriram muitos caminhos para gente. Elas tiveram força e garra para lutar por um espaço, a gente tem o dever de dar continuidade a esse legado. O povo preto existe e resiste. Eu penso que existem muitas homenagens que um artista, uma pessoa importante para a cultura possa receber na vida. E no Brasil, talvez a maior delas seja uma pessoa se tornar enredo de escola de samba. Então sem dúvida esse é o ápice da carreira de Chica Xavier, estar aqui representando a força e o axé que é Chica Xavier, foi um dos dias mais marcantes da minha vida”, confessou Luana.

Quem também esteve presente na alegoria foi o ator, diretor e dramaturgo, Rodrigo França. Muito amigo da família e admirador do trabalho da atriz, o premiado diretor sublinhou a força da representatividade de Dona Chica em sua carreira.
“Eu lembro de vê-la em cena na novela Renascer fazendo um papel muito aquém da grandeza dela. E sem dúvida, ela, Grande Othelo e todos outros inspiraram a minha trajetória”, relembrou França que também será homenageado pela Beija-Flor.

A safra de 2022 tem como marca uma grande quantidade de enredos de temática negra. Somente na série Ouro que é composta por 15 escolas, mais da metade das agremiações optou por enredos afro. Este fato rendeu ao carnaval deste ano o apelido de “carnaval mais preto dos últimos tempos”, por muitos desfilantes da concentração da Cubango.
Esta particularidade do ano de 2022 causa muita alegria aos componentes. Como é o caso da atriz, jornalista e influencer Maíra Azevedo, a Tia Má.

“As escolas de samba, assim como os blocos afros tem o papel de educar por meio da ludicidade. Que coisa importante a gente está tendo agora: conhecer a história dessa mulher. Quem estiver desfilando nessa escola de samba precisa entender como ela abriu portas. Para eu ser uma mulher preta reconhecida estar dando essa entrevista, foi fundamental que ela estivesse fazendo novela. Na época dela era impossível pensar que uma mulher preta, com a cara preta pudesse estar interpretando uma yalorixá. Dona Chica Xavier é nossa ancestral que hoje a gente bate a cabeça”, afirmou veementemente a jornalista.

Quem fez coro a Tia Má e esbanjava satisfação e alegria ao subir na última alegoria para desfilar foi a cheff e apresentadora Andressa Cabral. Filha do mesmo orixá que Dona Chica Xavier, a apresentadora felicitou esta semelhança e endossou a opinião de Maíra Azevedo, quanto à importância da cultura de matriz africana estar na avenida.

“Estamos aqui falando de uma Eborá, uma ancestral potente. Estamos falando de uma mulher de yansã e eu sou de yansã, isso me aproxima muito do enredo. Isso para o povo preto é muita importante, me traz uma força, uma resiliência. Eu fico imaginando a luz da pouca vivência que eu tenho. Eu passei por muita coisa, profissionalmente falando, principalmente no meio da gastronomia. Existe uma demonização de quem tem orgulho de quem é da religião. Imagino o que essa mulher não deve ter passado. Quantas acusações foram feitas? Quanta coisa ela passou. Mas orixá deu força a ela para ela semear muitas coisas. E nós somos os frutos”, celebrou Andressa Cabral.

Segunda escola a pisar na avenida, a Acadêmicos do Cubango luta pelo acesso à elite da folia. No último desfile a escola conquistou a quinta colocação.

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