Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias e Will Ferreira
a Tom Maior celebrou literalmente o dom da vida. Com uma comunidade empolgada, o quesito Harmonia se sobressaiu em relação aos demais. Embalados pelo intérprete Léozinho Nunes, os componentes vibravam a cada verso cantado. Outro destaque foi a comissão de frente, coreografada por Gandhi Tabosa, artista do Amazonas que vive sua primeira experiência no carnaval de São Paulo. Os bailarinos representaram de forma satisfatória o que está por vir na homenagem à cidade de Uberaba, remetendo à antiguidade da terra. Uma bateria bem equalizada contribuiu para o conjunto musical apresentado pela agremiação em seu segundo e último treino. Agora, resta saber como a escola se apresentará com fantasias e alegorias, especialmente nos setores que retratam Chico Xavier. Com andamento tranquilo, a escola encerrou o ensaio no tempo de 1h04.
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A Tom Maior levará para a avenida o enredo “Chico Xavier – Nas entrelinhas da alma, as raízes do céu em Uberaba”, desenvolvido pelo carnavalesco Flávio Campello.
COMISSÃO DE FRENTE
Vindo diretamente do Festival de Parintins e do carnaval manauara, esta é a primeira experiência do coreógrafo Gandhi Tabosa no carnaval de São Paulo. No treino, a comissão de frente apresentou suas credenciais. Com os bailarinos pintados de vermelho, toda a coreografia foi executada sobre o elemento alegórico. Foram contemplados os requisitos previstos no manual do julgador, como a saudação ao público e a apresentação da escola durante o cortejo.

A encenação no tripé remete à pré-história e à era paleolítica, com movimentos típicos dos homens daquele período. A escolha dialoga diretamente com a cidade de Uberaba, que possui forte ligação com esse tema, já que abriga um geoparque com fósseis de dinossauros, importante atração turística local. Esse contexto pode ter inspirado o coreógrafo a retratar os primeiros habitantes da região e o surgimento da terra.
O ponto de atenção fica para o tamanho do elemento alegórico, considerando que há uma cabine de jurados no Setor H praticamente ao nível do chão. Fica a dúvida sobre como será a visibilidade da comissão de frente nesse ponto específico da avenida. Ainda assim, a proposta de destacar os primeiros habitantes como eixo central se mostrou bastante satisfatória.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Ruhanan Pontes e Ana Paula Sgarbi realizou um ensaio marcado inicialmente pela dificuldade da pista molhada, situação que foi bem contornada ao longo da apresentação. A dupla sempre se destacou pelas coreografias integradas ao samba e pela sincronia existente entre ambos, qualidades que ficaram evidentes no treino. Em todas as cabines, o casal obteve êxito nas tentativas de giros horários e anti-horários. Em resumo, o ensaio foi satisfatório, superando as dificuldades iniciais e alcançando os objetivos propostos.

“Acho que fechamos com chave de ouro. Hoje foi melhor que o outro ensaio. No anterior, ainda estávamos estranhando as cabines, foi tenso, mas agora é só guardar a ansiedade para o dia do desfile. Graças a Deus, hoje foi incrível. Se fosse hoje, era nota 40”, celebrou Ana Paula.
“Eu estava muito ansioso, e a Ana não. Hoje fiquei bem tranquilo e realmente me diverti. Acho que a galera conseguiu entender o que faltava e ficou muito feliz. Consegui agir quase como um psicólogo comigo mesmo, porque estava muito ansioso e hoje aproveitei. Ensaio nota 10, perfeito. Vamos para as cabeças”, comemorou Ruhanan.
HARMONIA
“Vamos cantar, cantar, cantar!” Foi o pedido do presidente e mestre Carlão antes da entrada da escola na pista. Sem dúvida, este foi o principal destaque da Tom Maior no ensaio. O samba-enredo, de melodia cadenciada, foi cantado com força pela comunidade. Apesar do tom melódico mais baixo, os componentes compensaram com vozes potentes, especialmente nos trechos de maior intensidade. A obra foi cantada do início ao fim sem erros, mantendo consistência e energia constantes.

Os refrães se destacaram, assim como o verso final da segunda parte: “Quem corre atrás do que gosta não cansa jamais!”. O intérprete Léozinho Nunes foi fundamental para o desempenho do quesito, executando cacos durante todo o ensaio e elevando ainda mais o ânimo da comunidade. Também merece destaque o trabalho da equipe de harmonia e dos coordenadores de alas, que incentivaram os componentes o tempo todo. Outro ponto alto foram os apagões realizados pela bateria Tom 30. A equipe de harmonia e os chefes de ala sinalizavam com as mãos, fazendo com que o canto ecoasse ainda mais forte.
EVOLUÇÃO
A evolução da Tom Maior foi bastante satisfatória neste ensaio técnico. A escola desfilou compacta, sem abrir buracos ou provocar divisões. Dentro das alas, os desfilantes cumpriram bem seu papel, mantendo a compactação e evitando espaços entre as fileiras. No ritmo do samba, os componentes desfilaram soltos, evoluindo de um lado para o outro, sempre com alegria e sorriso no rosto. Não houve coreografia durante o samba, apenas no refrão do meio, com movimentos de braços para a esquerda, direita e para frente. Os pompons, bexigas e outros adereços de mão utilizados pelas alas criaram um belo contraste visual na pista.
SAMBA-ENREDO

Com pouco tempo de escola, Léozinho Nunes mostrou, nesses dois ensaios, que sua contratação foi mais do que acertada. Ele tem se dedicado intensamente ao comando da ala musical, chamando a comunidade, interagindo com o público e exaltando a escola o tempo todo. Foi uma grande atuação do cantor carioca, que vive sua primeira experiência no carnaval de São Paulo. A ala musical apresentou boa equalização, com destaque também para a voz feminina entre os apoios. Esse trabalho vem sendo desenvolvido desde a época de Gilsinho e, agora, a escola encontrou um substituto totalmente disposto a se dedicar à Tom Maior.

“Quero dizer que, a cada dia, a gente aprimora mais alguma coisa. No ensaio técnico, nos ensaios de quadra, no estúdio e nos ensaios da bateria, sempre melhoramos algum detalhe. Até o dia do desfile, vamos evoluir cada vez mais. Foi um ensaio emocionante para a ala musical. A gente não consegue ver todo mundo cantando, mas dá para sentir a energia do público”, contou Léozinho.

“Esse samba era muito subestimado, mas, no primeiro ensaio técnico, foi muito elogiado por todos os sites. Agora demos uma cara nova, trouxemos outra nuance, mais garra, e estamos construindo esse coral. Estão cantando muito, o samba está lá em cima”, completou o intérprete.
OUTROS DESTAQUES
A bateria Tom 30, comandada pelo mestre Carlão, apresentou um ritmo contagiante e cadenciado, com destaque para o apagão no refrão principal.

Nas três primeiras marcações de alegorias, passaram caminhões com componentes realizando coreografias, cada um com uma cor e uma dança diferente. Apenas na última marcação veio a velha-guarda da escola.










