Por Gustavo Lima e Will Ferreira
A Acadêmicos do Tatuapé realizou o seu primeiro ensaio técnico visando à preparação para o Carnaval 2026. Um forte temporal atingiu a cidade de São Paulo, sobretudo a Zona Norte, mas a chuva deu uma trégua para a escola, que conseguiu desfilar com a pista seca. Os destaques do treino ficaram por conta da comissão de frente, que apresentou diferentes ingredientes, do canto da comunidade e do rendimento do carro de som.
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O quesito Harmonia, como é de praxe na escola, se fez presente novamente e se manteve de forma linear, fator importante para o julgamento. A comissão de frente, coreografada por Leonardo Helmer, realizou diferentes movimentos e explicou de forma emocionante o enredo, a ideia do “Broto primordial” e o sucesso da colheita. Outro destaque foi a ala musical, com Celsinho Mody, que teve excelente desempenho no Anhembi, cuidando do timbre e mantendo-se animado o tempo todo para colocar o gás necessário nos componentes.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente, coreografada por Leonardo Helmer, ensaiou representando o “Broto primordial”. Interpreta-se que tudo o que brota reluz e significa um novo começo. Com isso, os bailarinos foram à pista com vestimentas predominantemente brancas e cumpriram os requisitos principais, como a saudação ao público e a apresentação da escola.
Dentro da encenação, havia uma mulher posicionada à frente de todos os dançarinos, como se estivesse guiando o grupo. Essa personagem era o centro da apresentação, enquanto os demais componentes formavam uma roda ao seu redor, criando uma cena de forte apelo teatral.

No tripé, os componentes pegavam folhas e as sacudiam. Interpreta-se como a colheita sendo realizada, a terra rendendo bons frutos. É válido destacar que a comissão de frente da Tatuapé mudou bastante em relação aos últimos anos. Antes, era conhecida por apenas cumprir os requisitos básicos do regulamento, mas agora a escola arrisca mais e aposta fortemente nas encenações para explicar melhor o enredo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Diego e Jussara mostrou resiliência neste ensaio. A bandeira saiu do mastro em frente à segunda cabine e, sendo assim, não houve apresentação voltada a ela. Foi a primeira falha em muitos anos, considerando ensaios e desfiles.

A resiliência citada se deu pelo fato de a dupla ter demonstrado o entrosamento necessário conforme o manual do julgador. O emocional foi rapidamente recuperado e o casal conseguiu realizar um ensaio no padrão “Casal Foguinho”. Executaram todos os movimentos exigidos, principalmente os giros no sentido horário e anti-horário, com bastante intensidade, algo que sempre foi muito bem feito pela porta-bandeira desde que assumiu o pavilhão da agremiação.

“Hoje foi o nosso primeiro ensaio técnico aqui com a escola completa, bateria e tudo mais. A gente conseguiu contar tudo o que estamos planejando apresentar para os jurados, a apresentação de pista e tudo mais. Inclusive, tivemos imprevistos. Tudo pode acontecer. Tem o tempo, que nos dá sol e vento, tem chuva. Tudo isso faz parte do nosso trabalho, mas, graças a Deus, hoje conseguimos apresentar tudo o que vínhamos planejando desde abril de 2025”, contou a porta-bandeira.
“Hoje tivemos um pequeno problema com o pavilhão, com a costura, mas dentro da pista mesmo resolvemos e continuamos a nossa trajetória, colocando em prática o que já tínhamos ensaiado. Os imprevistos estão aí para acontecer e, se acontecerem, não podemos perder o controle da situação. Vamos corrigindo”, completou o mestre-sala.
HARMONIA
É chover no molhado elogiar a força do canto da Tatuapé. O samba-enredo, que foi resultado de uma junção, desde o dia de sua apresentação foi completamente abraçado pela comunidade, como costuma acontecer todos os anos.

A forte harmonia se destaca especialmente nos últimos versos do samba: “Que a esperança está no amanhã, e assim será, viver é partilhar e nada em troca esperar”. É um samba fácil de assimilar, e seus refrões comprovam isso. Vale ressaltar que o ótimo canto reflete diretamente no julgamento, visto que a escola manteve a constância, e a harmonia é avaliada do início ao fim do desfile. De fato, é um quesito que costuma causar poucos problemas para a escola.
EVOLUÇÃO
Um ponto de atenção para a escola: houve uma situação em que o casal de mestre-sala e porta-bandeira abriu 13 grades para a marcação do abre-alas, sendo que o regulamento permite, no máximo, 12. Fica o registro de que é até estranho notar esse tipo de erro na evolução da escola, já que a Tatuapé é referência na montagem de desfile. Sempre apresenta evoluções de alto nível no Anhembi, mas teve esse percalço logo em frente à cabine de jurados do Setor H. A escola ensaia no próximo fim de semana e terá a chance de corrigir.

No mais, o quesito foi muito bem executado. Os componentes preencheram corretamente as fileiras e dançaram no padrão Tatuapé. Vale destacar que os desfilantes não têm a característica de dançar de um lado para o outro no mesmo lugar, mas também não caminham em linha totalmente reta. A expressão corporal é forte e dialoga diretamente com o samba-enredo.
SAMBA-ENREDO
Excelente atuação do intérprete Celsinho Mody e de sua ala musical. O cantor mostra que, mesmo com o passar do tempo, ainda desponta como um dos melhores do carnaval paulistano e segue em alto nível há muitos anos.

Interagiu com o público usando frases como “agora é com vocês” e fez o mesmo com a comunidade. Durante o desfile, elogiava os componentes com expressões como “que escola linda!”. Um verdadeiro capitão, que chamou o samba para si e, pelo que se viu no ensaio, tende a ser um destaque ainda maior do que no ano passado. Isso faz total diferença para dar mais gás aos componentes. A ala musical também é formada por grandes nomes, com cordas dignas de elogios.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Qualidade Especial”, de mestre Cassiano Andrade, imprimiu um ritmo forte e acelerado. O estilo de Cassiano casou perfeitamente com a potência vocal e a melodia dos sambas da Tatuapé na voz de Celsinho Mody. As bossas foram bem executadas, com destaque para o apagão nos versos finais.

“O ensaio foi muito bom. Agora vou me reunir com os diretores, porque há coisas que eu não consigo ter dimensão à frente da bateria. No fim, eles vão me passar tudo o que aconteceu. Vamos acertar para o próximo e, se Deus quiser, fazer um belo desfile. Acho que foi bem positivo pela alegria do pessoal. Vamos atrás dos detalhes que faltam e entregar um grande trabalho. É uma escola muito forte, que realmente trabalha bastante. Posso falar pela minha vivência dentro da escola: é uma comunidade que vai para a pista pensando em ganhar”, avaliou o mestre.










