Chegou o grande dia, nesta sexta-feira, dia 28 de fevereiro, sete escolas estarão na pista do Sambódromo do Anhembi, abrindo a primeira noite de desfiles no Grupo Especial do carnaval de São Paulo. Às 21h, temos o desfile das Velhas Guardas de São Paulo abrindo o evento, para depois às 23h00, a Colorado do Brás abrir oficialmente os desfiles, que só se encerra com o Camisa Verde e Branco às 5h30. Vamos trazer um guia das sete escolas do primeiro dia de Grupo do Especial com enredo, curiosidades e mais detalhes para 2025.
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Colorado do Brás – 23h
Abrindo a primeira noite de desfiles, a Colorado do Brás retorna ao Grupo Especial após dois anos longe. A agremiação fundada em 1975 foi vice-campeão do Acesso I em 2024, e por isso abrirá os desfiles nesta temporada. Neste ano estará com o tema “Afoxé Filhos de Gandhy no ritmo da fé” desenvolvido por David Eslavick que contou sobre o enredo na Série Barracões.
“Falar sobre o Afoxé Filhos de Gandhy acho que tem tudo a ver com a cara da Colorado do Brás. É uma escola que resiste, é uma escola feliz, alegre e o povo baiano é isso. O povo baiano e os Filhos de Gandhy foram resistência, eles passaram por muitos altos e baixos, voltaram, retornaram novamente, ficaram dois anos fora e voltaram novamente através de alguns rituais, entre outras situações, é bem a cara da Colorado isso. A Colorado é uma escola que batalha muito, tem diversas dificuldades, mas não perde o sorriso. Eu acredito que por conta desses adjetivos, dessas situações, que eles escolheram fazer o enredo sobre os Filhos de Gandhy”.
A Colorado estava no Especial até 2022, mas acabou caindo após perda de ponto por merchan. Em 2023 não conseguiu retorno, mas em 2024 com o vice-campeonato cantando o enredo “Os encantos da raiz do mandacaru”.
Fundação: 1975
Melhor resultado: 6º lugar em 1987
Títulos: Terceira divisão (1979, 2000 e 2013) e Quinta divisão (2011)
Último ano: 2º lugar no Grupo de Acesso I
Barroca Zona Sul – 00h05
A verde e rosa de 50 anos de história está no Grupo Especial desde 2020, teve três anos seguidos no 10ª lugar, e em 2024 homenageando justamente os cinquenta anos, ficou em nono lugar. Em 2025, Pedro Magoo, trouxe o tema “Os Nove Oruns de Iansã” e contou um pouco sobre o tema em nossa visita ao barracão.
“Eu curto muito a setorização da história com uma introdução, um desenvolvimento e uma conclusão. Eu gosto de contar a história de uma maneira mais fluida, por isso que eu fiz essa divisão. Primeiro, dei uma pincelada como uma introdução sobre Iansã. Depois, mostro que ela é uma orixá forte, com vários poderes. Ela chegou e aprendeu um pouquinho com cada orixá, desenvolveu seus poderes e sua espiritualidade, desenvolveu tudo através desse conhecimento. Daí o enredo já entra na parte dos oruns, contando um por um. O último orun, que é o Orun Marê, é a morada final de todos os orixás. Todos os orixás vivem em comunhão com os elementos da natureza. E ele será o fechamento da nossa história. Tem um começo, um desenvolvimento e uma conclusão no final. Eu gosto assim”.
Fundação: 1974
Melhor resultado: 5ª lugar em 1982, 1985 e 1990
Títulos: Segunda Divisão (1976, 1987, 2002) e Terceira divisão (1975, 2015, 2017)
Último ano: 9ª colocado no Grupo Especial
Dragões da Real – 01h10
Desde 2012 no Grupo Especial, quando estreou na elite do carnaval paulistano, a Dragões da Real busca seu primeiro título, já são três vice-campeonatos, inclusive na última temporada. Neste ano, com Jorge Freitas desenvolvendo o tema “A vida é um sonho pintado em aquarela!” e contará com homenagem para o próprio netinho do carnavalesco que nos contou sobre o enredo.
“Esse enredo, como todos sabem, é muito especial na vida do profissional Jorge Freitas. Mas também estamos em uma competição em que, acima de tudo, a síntese do enredo é você comemorar a vida. O Jorginho tinha esse amor pela vida. Ele queria cada vez mais viver, cada vez mais estar presente em tudo que a família fazia – e o carnaval está enraizado dentro da minha família. Ele presenciava tudo e era um lugar que ele gostava de estar. Para o enredo, além do ciclo da vida, nós nos baseamos na música ‘Aquarela’, do Toquinho. Do desenrolar, do início ao fim do nosso desfile, todos vão poder se contemplar com as imagens que ficam no inconsciente coletivo dessa canção e se conectar com o ciclo da vida através da música e através do samba – que conta, na verdade, toda a trajetória do ciclo e da música citada”.
A Dragões da Real é a terceira agremiação na pista, foi a primeira a escolher por desfilar na sexta-feira e por isso optou pelo melhor horário na visão da escola que busca o título inédito.
Fundação: 2000
Participações no Grupo Especial:
Melhor resultado: Vice-campeã do Grupo Especial em 2017, 2019 e 2024
Títulos: Segunda Divisão (2011), Terceira divisão (2004), Quarta divisão (2003) e Quinta divisão (2001)
Último ano: Vice-campeão no Grupo Especial
Mancha Verde – 02h15
A Mancha Verde optou por uma comissão de carnaval para desenvolver o tema escolhido em 2025, e o diretor de carnaval, Paolo Bianchi que participa do processo, contou sobre a escolha do tema “Bahia, da Fé ao Profano” que surgiu de um documentário como nos contou em entrevista exclusiva na Série Barracões.
“A Mancha definiu de fazer o enredo por uma ideia do presidente. Alguns anos atrás, a gente tomou a decisão de sempre que possível, temas 100% cultural. A gente só acaba fazendo o enredo com patrocínio, se é uma situação interessante, mas a preferência do presidente é sempre dessa forma. Ele fica consumindo bastante produtos, programas na TV Futura e outras televisões. Sempre que vê um negócio legal, nos manda. Dessa forma, um pouquinho antes do carnaval do ano passado, ele viu essa minissérie em uma madrugada, que a gente tem de insônias pré-carnaval e nos disse. No primeiro momento algumas pessoas falaram: ‘Bahia de novo?’ Mas quando a gente assistiu, viu que era diferente. Não é sobre o local, e sim sobre o povo baiano, como eles trabalham, fazem para viver a vida dele de festa de fé, seja católica, umbanda ou candomblé. E ao mesmo tempo eles profanam, que é o título do nosso enredo. Profanar, nada mais é do que curtir a festa”.
A Mancha teve seu pior resultado em 2024, mas foi o 5ª lugar, voltando para as campeãs, como tem sido desde 2018, onde variou entre campeão, vice, terceiro lugar, e esse último resultado.
Fundação: 1995
Melhor resultado: Campeão do Grupo Especial em 2019 e 2022
Títulos: Primeira Divisão (2019 e 2022), Segunda Divisão (2014 e 2016), Terceira divisão (2002), Quarta divisão (2001), Blocos Especiais (1997 e 1998) e Grupo Especial de Escolas Desportivas (2006 e 2007)
Último ano: 5º lugar Grupo Especial
Acadêmicos do Tatuapé – 03h20
Seguindo a noite, de bicampeão para bicampeã, a Acadêmicos do Tatuapé entra na pista do Anhembi com o enredo: “JUSTIÇA – A Injustiça Num Lugar Qualquer é Uma Ameaça à Justiça em Todo Lugar”. O carnavalesco Wagner Santos que está na agremiação desde 2018, contou para o CARNAVALESCO sobre o tema escolhido.
“Foi uma proposta já criada pela diretoria. O presidente Erivelto Coelho foi a pessoa que escolheu o enredo. Eu realmente fiquei muito satisfeito porque é diferente, tem uma proposta visual maravilhosa e dá condição para o carnavalesco trabalhar. Estou muito feliz, me sinto agradecido e estou tendo a oportunidade de desenvolver esse enredo fantástico. Vou, inclusive, poder satirizar em alguns momentos, brincar um pouco com a história… isso vale muito para o meu currículo profissional. É uma grande oportunidade, agradeço muito à Tatuapé, ao Departamento Cultural que desenvolveu todo o trabalho de pesquisa – tenho eles como grandes parceiros, eles me ajudam em um dos momentos mais difíceis do carnaval – a final, quando é a hora de desenvolver a pasta que é entregue ao jurado… nessa hora, o carnavalesco não tem mais cabeça para desenvolver nada”.
A escola tem mantido uma regularidade de resultados e em 2024 ficou na 3ª colocação. Nos últimos dois carnavais optou pelo enredo CEP, mas desta vez mudou o estilo e escolheu o tema Justiça.
Fundação: 1953
Melhor resultado: Bicampeão do Grupo Especial em 2017 e 2018
Títulos: Primeira Divisão (2017 e 2018), Segunda Divisão (2003), Terceira divisão (2010), Quarta divisão (1996), Quinta Divisão (1993) e Grupo de Seleção (1985)
Último ano: 3ª colocado no Grupo Especial
Rosas de Ouro – 04h25
A Rosas de Ouro teve uma troca no carnavalesco para 2025, o Fábio Ricardo assume a parte artística da escola e em seu primeiro enredo na nova casa, contará: “Rosas de Ouro em uma Grande Jogada”. E o enredista Roberto Vilaronga explicou sobre o tema.
“Partimos do pressuposto de que precisávamos fazer um carnaval que aliasse ao bom gosto, aos figurinos do Fábio juntando com a história da escola, que tem o histórico de ter essa pompa, com figurinos bonitos, muita beleza, e que a escola pediu muito isso para o Fábio, que ele mantivesse o padrão de beleza da escola. Nós queríamos fazer um enredo visualmente identificável, ele tem que ser didático para quem está ali, para quem conhece o roteiro, mas também quem está lá na Monumental, lá em cima, bater o olho e se identificar. Nós entendemos que isso faz a diferença nesse enredo, e ele proporciona isso pelo contexto histórico, pelo contexto funcional e visual dele. Queríamos fazer um enredo que fosse histórico e objetivo. O nosso desfile vai ser muito narrativo com o samba. Se você ouve o samba do Rosas de Ouro, você vai entender o nosso desfile claramente, ele passa muito fácil. Isso corrobora também para o momento da escola. Escolhemos um enredo que todo mundo queria, fizemos fantasias muito legais, as alegorias do samba convergem e isso cria um clima muito aprazível na escola”.
A meta da escola é voltar ao desfile das campeãs que não acontece há algum tempo, a Roseira ficou em 7ª lugar em 2020, já em 2022 foi um 9ª lugar, em 2023 no 12º lugar e no último ano em 11º lugar, ou seja, quer algo mais.
Fundação: 1971
Melhor resultado: 7 vezes campeã do Grupo Especial
Títulos: Primeira Divisão (1983, 1984, 1990, 1991, 1992, 1994, 2010), Segunda Divisão (1974), Terceira divisão (1973)
Último ano: 11ª colocado no Grupo Especial
Camisa Verde e Branco – 5h30
Para o dia nascer feliz, o Trevo da Barra Funda vai para o segundo ano consecutivo no Grupo Especial, e aposta em uma homenagem para o lendário cantor, Cazuza. O enredo é “O Tempo Não Para! Cazuza – O Poeta Vive”. O enredista Mangabeira contou um pouco sobre o processo do enredo, e a participação da mãe do Cazuza, Lucinha, que estará presente no desfile.
“O processo de sinopse foi uma pesquisa intensa. Quando a gente recebeu o tema, fizemos um recorte específico. A gente estava sempre pensando em uma biografia musical, pensando em trazer a música dele pela questão da memória afetiva com o Brasil afora. Então, foi um processo que começou com pesquisa, muita conversa, o carinho, a bênção da Lucinha. Conversamos também com todos os artistas que a gente pôde conversar para trazer um pouco de um Cazuza que não ficasse só nos livros, mas o Cazuza que a gente via na televisão e que a gente ouve falar. A ideia foi fazer uma sinopse que fosse emotiva, bonita e tentasse pegar um pouco da essência, da poesia do Cazuza e desse amor que a gente quer levar para o Anhembi”.
Uma das agremiações mais antigas do carnaval de São Paulo, o Camisa Verde e Branco teve algumas mudanças no desenvolvimento do projeto, dois carnavalescos acabaram saindo, casos do Cahê Rodrigues e do Leonardo Catapretta.
Fundação: 1953
Melhor resultado: 9 vezes campeã do Grupo Especial (1974, 1975, 1976, 1977, 1979, 1989, 1990, 1991 e 1993)
Último ano: 12ª lugar do Grupo Especial