O samba do Paraíso do Tuiuti para 2026 tem provocado uma reação comum entre quem atravessa a pista: o corpo se mexe antes mesmo do pensamento. A presença de ritmos cubanos na obra, conduzida pela bateria “SuperSom”, de mestre Marcão, tem sido sentida pela comunidade como um convite à dança, ao balanço e a um desfile mais solto, segundo relatos dos próprios componentes que conversaram com o CARNAVALESCO durante o minidesfile da agremiação.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação Rio Carnaval

Para muitos, a sensação aparece de forma espontânea, mesmo quando não há coreografia marcada. O jornalista Carlos Júnior explica que o ritmo cria respostas automáticas no corpo. “A própria cadência faz a gente brincar com os ritmos. Tem uma parte mais afro que dá um gingado. Mesmo sem coreografia, a gente consegue criar um passo diferente, mais marcado”, contou.

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Jornalista Carlos Júnior

Essa resposta natural ao samba também facilita a relação do componente com o movimento coletivo da escola. “Mesmo quando é um desfile livre, a gente sente vontade de fazer um passinho mais marcado por causa do ritmo”, completou Carlos.

Entre os mais jovens, a percepção é parecida. O estudante de engenharia Breno Nestor diz que os toques da bateria ajudam o componente a se soltar. “A bateria do mestre Marcão é nota 10. A cada ensaio, ouvir esses toques ajuda bastante. A gente cresce junto com o samba, com os ritmos, e isso facilita para dançar mais e fazer um desfile bonito”, afirmou o componente, que desfila na escola há dois anos.

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Estudante de engenharia Breno Nestor

A sensação de leveza também aparece nas falas de quem já tem mais tempo de avenida. A aposentada Daisy Coelho, que desfila no Tuiuti desde 2019, percebe o samba como algo diferente do habitual. “Facilita, sim. Dá um toque diferenciado. Isso ajuda o componente a vir com mais disposição”, disse.

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Daisy Coelho, desfila no Tuiuti desde 2019

Para a professora Sueli da Conceição, há dois anos na escola, o impacto do ritmo é físico e emocional. “É um molejo. Dá um batidão no coração da gente. Só estando ali dentro para sentir a emoção que é”, relatou.

Já a coreógrafa Luciana Yegros observa que o que aparece nas falas da comunidade nasce diretamente do samba. “É um ritmo muito marcante, muito contagiante. A bateria cria bossas muito dançantes, e isso leva todo mundo junto”, afirmou. Segundo ela, o movimento surge da relação entre letra, ritmo e referências do enredo. “Quando você pensa em coreografia, você pensa em ritmo. O movimento vem como consequência”.

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Coreógrafa Luciana Yegros

Nos ensaios, essa combinação tem se traduzido em uma experiência compartilhada: o componente canta, se movimenta e dança quase sem perceber. Para a comunidade do Tuiuti, o ritmo cubano do samba de 2026 não é apenas uma escolha estética, mas algo que se sente no corpo e na emoção de estar na pista.