Nesta sexta-feira de Carnaval, a Rosas de Ouro realizou seu desfile oficial no Sambódromo do Anhembi. A apresentação foi marcada pela força do canto da comunidade e por um espírito evidente de superação. Havia a expectativa sobre como a escola reagiria ao desconto prévio de 0,5 ponto, devido a falhas na entrega da pasta oficial aos jurados. O que se viu, porém, foi uma comunidade aguerrida e determinada.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Outro desafio enfrentado foi o derramamento de óleo na pista, que provocou atraso significativo. Ainda assim, a escola não esfriou. No entanto, um problema mais grave ocorreu durante o desfile: um integrante da comissão de frente passou mal e não conseguiu desfilar. Resta saber qual será o impacto dessa ausência na apuração. A Rosas de Ouro apresentou o enredo “Escrito nas Estrelas” e foi a quinta a desfilar, fechando o desfile com 01h03min.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Arthur Rozas, a comissão representou o “Sublime Carrossel Celestial”, traduzindo com clareza a proposta do enredo ao unir astrologia e astronomia. Embora distintas, as duas vertentes foram integradas de maneira harmônica. Sol e Lua, personagens centrais, simbolizavam o movimento e o equilíbrio do universo, com fantasias dourada e prateada.

O elemento alegórico fazia alusão direta à mandala astrológica, representação circular do céu dividida em doze casas. Entretanto, devido ao incidente na concentração, a escola desfilou com 13 componentes, quando o previsto eram 14. Essa ausência pode gerar impacto não apenas no quesito Comissão de Frente, mas também em outras avaliações técnicas.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Uilian Cesário e Isabel Casagrande desfilou com a indumentária “A Energia de um Bailado Ancestral”. A apresentação foi segura e tecnicamente correta, com cumprimento dos movimentos obrigatórios previstos no manual do julgador. Isabel executou os giros horários e anti-horários com precisão, sempre sorridente, enquanto Uilian acompanhou com firmeza nas finalizações. Foi uma apresentação correta e satisfatória.

HARMONIA
O canto da comunidade segue sendo um dos grandes trunfos da escola. O samba, de melodia fácil e envolvente, foi rapidamente assimilado e abraçado pelos componentes. Os refrões foram os pontos altos do cortejo, especialmente o refrão principal, que impulsionou o desfile.

A “Bateria com Identidade” manteve seu ritmo acelerado e contagiante, estimulando a participação constante dos desfilantes. O intérprete Carlos Júnior também teve papel fundamental ao incentivar a escola durante todo o percurso.
ENREDO
A proposta foi apresentar a importância da astronomia ao longo da história, trazendo referências a figuras como Galileu Galilei, Nicolau Copérnico e Cláudio Ptolomeu. O abre-alas retratou a expansão do universo, enquanto o figurino do casal de mestre-sala e porta-bandeira dialogou diretamente com a ciência.
A astrologia também teve papel central, especialmente com a presença do zodíaco como eixo narrativo. A comissão de frente reforçou essa ideia ao representar o carrossel celestial inspirado na mandala astrológica. Apesar da complexidade e dos múltiplos pilares do tema, a escola conseguiu organizar bem as informações, apresentando um desfile coeso e de fácil compreensão.
EVOLUÇÃO
A evolução foi correta, sobretudo no alinhamento entre as alas. Repetindo o desempenho do segundo ensaio técnico, os componentes cantaram e dançaram com leveza, aparentemente deixando de lado a punição sofrida. Houve alguns pequenos espaços entre alegorias e alas, mas nada que indique grandes riscos de penalização.
SAMBA
A escola repetiu a estratégia adotada em 2025, apostando em um samba de letra mais curta e melodia dinâmica. Essa escolha facilitou a assimilação e intensificou o canto coletivo. A performance vista nos ensaios técnicos se confirmou na avenida.
Carlos Júnior, pelo terceiro ano consecutivo como intérprete da escola, mostrou entrosamento com a comunidade. Mesmo não vivendo seu auge vocal, manteve a característica marcante que o consolidou como um dos grandes intérpretes do carnaval paulistano, utilizando cacos estratégicos para levantar a escola.
FANTASIAS
Sob assinatura do carnavalesco Fábio Ricardo, as fantasias priorizaram estética e leveza. Não houve excesso de luxo, mas os elementos utilizados garantiram requinte e coerência visual. As vestimentas também favoreceram o desempenho dos componentes, permitindo canto e dança com conforto.

ALEGORIAS
O abre-alas, “O Universo em Expansão”, apresentou predominância do preto, simbolizando o espaço. De fácil leitura, dialogou diretamente com os versos iniciais do samba.

A segunda alegoria, “Atlântida, Civilização Mãe e o Tempo da Criação”, destacou-se pelo tom verde-água com detalhes dourados, sendo visualmente uma das mais impactantes do desfile.

O terceiro carro, “Um Planetário de Saberes”, trouxe um grande globo prateado representando o planeta Terra e homenageando estudiosos que marcaram a história da ciência.
Encerrando o cortejo, a quarta alegoria, “A Era de Aquário, A Nossa Luz Irá Brilhar”, apresentou predominância do rosa, com escultura central nas cores rosa e dourado.

No conjunto, o desfile foi compreensível ao público, especialmente na abertura. Apesar da beleza plástica do carro de Atlântida, sua leitura pode ter sido um pouco mais complexa para parte dos espectadores, pois não havia esculturas de fácil entendimento. Era um carro com uma concepção completamente diferente.
OUTROS DESTAQUES
A “Bateria com Identidade”, comandada por mestre Rafa, desfilou com a fantasia “Os Egípcios e o Brilho de Osíris”, apresentando bossas direcionadas aos módulos de julgamento. O maestro demonstrou ousadia no recuo, mesmo diante de julgadores conhecidos por rigor técnico.

A ala das baianas também se destacou com a fantasia “Mesopotâmia, o Relicário Zigurate”, valorizando as cores da escola.
De modo geral, a Rosas de Ouro apresentou um desfile consistente, superando adversidades e sustentado, principalmente, pela força de sua comunidade.










