Durante o evento “Noite dos Enredos”, em agosto do ano ano passado, na Cidade do Samba, a comunidade mangueirense se reuniu para conhecer oficialmente a proposta para o Carnaval de 2026: um enredo que mergulha na história do mestre Sacaca e no universo cultural do Amapá. Entre os presentes, torcedores, compositores e integrantes da escola falaram sobre a importância da homenagem e sobre os sonhos que já começam a se formar para o centenário da agremiação, que será celebrado em 2028.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Campeão em 2019 com o samba que exaltou Marielle Franco, o compositor Danilo Firmino, 34 anos, está na Mangueira desde 2018 e carrega com orgulho o título conquistado naquele ano.

“E fomos campeões. Essa comunidade é um orgulho danado para todo mundo que é carioca. Esse desfile foi memorável. Para mim, particularmente, é um marco na minha vida. Todo mundo que escreve samba escreve para ganhar. E ganhar na Mangueira, ser campeão do carnaval com esse samba, para mim, foi uma das maiores alegrias da minha vida”.
O compositor espera que 2026 mantenha a tradição de enredos com profundidade e identidade. “Primeiro, espero que seja um grande desfile, inclusive com um samba meu de novo. A Mangueira vem com um enredo muito importante, que traz uma parte do Brasil a partir da figura do Mestre Sacaca, em um dos últimos estados a serem reconhecidos, lá no Amapá, mantendo as tradições da Mangueira de fazer o bom debate da tolerância religiosa, do reconhecimento às nossas raízes. O Mestre Sacaca era um curandeiro, um fazedor de garrafadas. O enredo da Estação Primeira de Mangueira tem nossas raízes também em Cartola, Carlos Cachaça, Tia Zica. Eu espero que esse carnaval tenha muita cara dessa comunidade, que busca na ancestralidade os ensinamentos e conhecimentos para continuar sendo essa grande, quase centenária árvore da cultura popular brasileira”.
Sobre o carnavalesco Sidnei França, autor do enredo, Danilo vê a continuidade como um ganho para a escola. “Acho que é uma importância muito grande, que abre o diálogo e o aprendizado para todos nós do Rio de Janeiro. Ter um carnavalesco que veio de São Paulo e demonstrou sensibilidade com a Mangueira e com o carnaval carioca é algo muito interessante. É como se fosse um fruto do nosso carnaval irradiado para outros lugares, que agora retorna. É uma alegria ter o Sidnei aqui com sua equipe, que eu considero e respeito muito”.
Para o centenário, o compositor é categórico: “Eu espero que a Mangueira exalte todos os seus frutos e suas raízes, contando a história da escola junto com a do carnaval e da cidade do Rio de Janeiro”.
Rodrigo Reduzino, 49 anos, pesquisador, funcionário público, diretor do Departamento Cultural da Mangueira e roteirista da série documental Enredos da Liberdade (disponível no Globoplay), vê 2026 como um momento de afirmação cultural.

“Espero que seja, como sempre, um grande enunciado de poesia de vida, trazendo uma parcela da população tão importante na construção do nosso país como os afroindígenas e a cultura afroindígena, de um território que muitas vezes desconhecemos e invisibilizamos. Acho que vai ser um grito nacional da importância da população ribeirinha afro-amazônica no cenário nacional”.
Ele também destaca o peso da gestão atual. “O Sidnei soma isso com a marca de uma gestão de uma mulher negra, a primeira presidente mulher eleita na Mangueira, a Guanayra Firmino. É um casamento que só pode dar certo. Que já está dando certo”.
Sobre 2028, Rodrigo resume: “Eu espero algo tão grandioso que não caiba nem no coração”.
Raphael Vinicius, 35 anos, analista de sistemas de Santa Teresa, quer emoção no próximo carnaval. “Um enredo com muita emoção, muita história, uma história inovadora”, diz. Ele aprova a permanência do carnavalesco: “Acho que é um bom investimento da Mangueira”. Para o centenário, é direto: “Um desfile perfeito para ganhar o título”.

Odilon Neves, 31 anos, de Campina Grande (Paraíba), manguerense desde os três anos de idade, enxerga a escola como universal. “A Mangueira ultrapassa os limites da região Sudeste e do mundo. É divina”.
Para 2026, suas expectativas são altas. “Ela tinha feito um enredo sobre o Norte. A sinopse parece tese de doutorado, muito contextualizada. Minha expectativa é muito boa para os sambas e para o desfile”.

Sobre o centenário, não hesita: “Eu gostaria de ver a Mangueira exaltar Leci Brandão. Ela traz a perspectiva feminina de resistência, é um divisor de águas. Uma mulher preta, de representatividade popular, que merece muito esse enredo”.
Caio de Brito Siqueira Leão, 29 anos, morador da própria Mangueira, espera novidades. “Espero que seja diferente e ainda melhor que o deste ano”.

A respeito de Sidnei França, diz: “Eu não conhecia o trabalho dele antes. Gostei do carro do hip hop que ele fez. Espero que agora, no segundo ano, consiga mostrar mais o trabalho dele”. Ele também valoriza a escolha do homenageado: “Nunca ninguém contou a história do Mestre Sacaca. Trazer isso para o Rio é muito gratificante”. E sobre 2028, se emociona: “Eu vou chorar muito, só isso”.
Tayane Nogueira, 24 anos, analista administrativa de Niterói, fala com entusiasmo. “Eu espero muita entrega, muito tudo. O enredo e o tema são maravilhosos”.
Para ela, o carnaval é também conhecimento: “A importância é para o conhecimento da população, para todos ficarem cientes da história do mestre Sacaca. Carnaval é contar história”.

E para o centenário? “Espero que a Mangueira se renove, surpreenda e faça algo inacreditável para marcar”.
Romário Souza, 46 anos, presidente da torcida da Mangueira, também confia na escolha do enredo. “Acho que é uma iniciativa muito boa, falando do Amapá. Estamos para brigar pelo título”.
Para ele, Sidnei França é importante: “Veio para acrescentar muito à escola.” E sobre 2028, opina: “Acho que a Mangueira tem que se autohomenagear, pegar vários enredos e transformar isso em algo incrível”.

Com expectativas que vão da emoção pessoal a reivindicações históricas, a comunidade mangueirense demonstra que, enquanto prepara o desfile de 2026, já pulsa no ritmo de um centenário que promete entrar para a história do carnaval carioca.









