O samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis para o carnaval 2026 já mostrou, logo no primeiro ensaio técnico, que tem potencial para impulsionar a escola na busca pelo título. Com o enredo “Bembé”, que homenageia o Bembé do Mercado, maior candomblé de rua do mundo, realizado desde 1889 em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, a azul e branca levou para a Sapucaí um espetáculo de ancestralidade, fé e resistência negra. A resposta da arquibancada foi imediata: canto forte, emoção à flor da pele e a sensação de que Nilópolis “acordou”.
Para os componentes, o samba já ultrapassou a fase de teste. Ele cresceu, ganhou corpo e hoje é visto como um dos grandes trunfos da escola na avenida.
Maria Clara Rodrigues, de 19 anos, estudante e componente desde 2023, acredita que a força do samba está diretamente ligada à comunidade. Para ela, o canto coletivo será a grande prova na avenida:

“O samba está perfeito, acho que a comunidade abraçou bastante. Está sabendo gritar o samba na avenida. Hoje a gente vai ter a prova disso, Nilópolis realmente acordou, a soberana acordou. Ouvimos tantas coisas negativas sobre o nosso título, a gente pode muito bem berrar e mostrar para o pessoal que não tem esse negócio de rolo, porque a Beija-Flor tem uma comunidade que não importa o samba, a gente vai fazer levantar a Sapucaí.”
Vivendo a experiência do desfile pela primeira vez, Layne Machado, 24 anos, assistente administrativa, vê na construção do samba um diferencial competitivo:

“É um samba muito bom. A junção dos dois sambas que foram escolhidos fez um único samba e eu acredito sim que dá para ganhar.”
Com 22 anos de avenida, o empresário Fabrício Braga, de 36 anos, acompanhou de perto a evolução do samba dentro da escola e destaca o crescimento ao longo do tempo:

“Com certeza, a comunidade abraçou o samba, mas no início estranharam por conta da junção. Depois o pessoal levantou, cresceu e hoje vemos o quanto está disparado nas playlists. Tenho certeza que vai funcionar muito mais na Sapucaí.”
Para Hércules Claudino, ator de 25 anos e componente há oito carnavais, o enredo dialoga diretamente com a identidade da Beija-Flor, mas o resultado final depende do desempenho coletivo:

“É possível ser campeão através do enredo. Acredito que tem tudo a ver com a escola, com a identidade da Beija-Flor. Está muito perto, porém depende mais da gente do que qualquer coisa.”
Com um samba que cresce na boca do povo, um enredo de forte valor simbólico e uma comunidade confiante, a Beija-Flor transforma o ensaio técnico em prenúncio de um desfile que promete ser marcado por emoção, fé e canto poderoso na avenida.










