A apuração do Grupo Especial do Rio confirmou o favoritismo construído na Avenida e consagrou a Unidos do Viradouro como campeã do Carnaval 2026. Na sequência da leitura das notas, a Beija-Flor de Nilópolis assegurou o vice-campeonato, resultado celebrado como sinal de consolidação após anos de oscilação.

O clima na quadra e entre os integrantes da azul e branca nilopolitana era de emoção contida. A frustração natural de quem esteve perto do título dividia espaço com o reconhecimento ao trabalho apresentado na Marquês de Sapucaí. A diferença apertada reforçou a percepção interna de que a escola voltou ao trilho das grandes disputas.

Ana Cláudia Virtuoso, 32 anos, integrante da bateria, avaliou o julgamento como “coerente”, apesar do desejo pelo campeonato. “Não queria ter perdido, lógico. Queria ser campeã. Mas a Beija-Flor está caminhando bem nesses anos. A gente não estava indo muito bem em harmonia uns tempos atrás e estamos caminhando bem. Ano que vem eu espero que a gente ganhe o Carnaval”, afirmou, destacando a evolução no quesito que já foi ponto sensível para a escola.

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Entre os componentes, o discurso predominante foi de orgulho pelo desfile apresentado. Um integrante da comunidade ressaltou que o vice confirma a retomada de protagonismo: “A escola fez um desfilaço na pista e comprova que a Beija-Flor voltou. Campeã em 2025, vice-campeã em 2026. Voltou a ser o rolo compressor dos anos 2000”, disse João Carlos Martins. A fala faz referência ao período de hegemonia da agremiação, quando empilhava títulos e se impunha como força dominante na Sapucaí.

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Para Laísa, diretora de bateria da Beija-Flor, o sentimento é ambíguo, mas sereno. “É o coração que fala. É trabalho de um ano inteiro”, disse, ao admitir que a vontade era pelo bicampeonato. Ainda assim, fez questão de reconhecer o mérito da campeã. “Quem ganhou, ganhou merecido. Fez um belíssimo desfile. Não é derrota, é vice-campeonato”, afirmou, num discurso que ecoou entre outros componentes.

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Michel, também diretor de bateria da escola, reforçou o tom equilibrado. “Foram grandes desfiles e isso se refletiu na apuração. A gente não tem o que reclamar. Foi um grande resultado.” Ele destacou ainda a nota máxima conquistada pela bateria e garantiu que o trabalho já mira 2027. “Ano que vem pode esperar que a gente vai estar firme para brigar por nota máxima junto com a escola toda”.

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A passista Eloane, 42 anos, resumiu o sentimento de superação: “Talvez tenha sido um detalhezinho ou outro. Não vai ser um décimo que vai tirar o nosso brilho. Ano que vem a gente vem para a cabeça”.

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O vice-campeonato consolida uma sequência competitiva da Beija-Flor e reposiciona a escola no topo da disputa. Se a Viradouro levantou o troféu com um desfile considerado irretocável pelos jurados e emocionante pelo público, a agremiação de Nilópolis saiu da apuração com algo igualmente estratégico: a convicção interna de que voltou a brigar, de décimo a décimo, como protagonista do carnaval carioca.