Por Ana Júlia Agra e Maria Estela Costa

Em preparação para o Carnaval 2026, a agremiação Unidos de Padre Miguel realizou seu segundo ensaio de rua na última sexta-feira. Entre tantos aspectos que chamaram atenção, a troca do local dos ensaios de rua foi um dos principais. Antes, os ensaios eram realizados na Rua Barão do Triunfo, na Vila Vintém, mas agora passam a acontecer na Praça Guilherme da Silveira, em frente à estação de trem de Guilherme da Silveira. O enredo “Kunhã-Eté – O sopro sagrado da Jurema”, criado pelo carnavalesco Lucas Milato, falará sobre Clara Camarão, símbolo da força da mulher indígena potiguara. O ensaio foi marcado pela harmonia entre o público e o samba-enredo.

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“É um samba guerreiro. Acho que deu para perceber. É um samba que fala de uma guerreira e que já está na boca da comunidade. O diferencial da Unidos é isso aí, a comunidade cantante. Até o dia do desfile ainda temos algumas coisas para acertar, acho que ainda temos uns quatro ensaios aqui na rua até o carnaval. Com certeza agora durante a semana vamos conversar bastante, pontuar o que houve de erros e acertar até o dia do desfile. Que o mundo do samba espere uma Unidos valente, uma Unidos feliz e querendo buscar o seu retorno ao Especial”, disse Cícero Costa, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada por Paulo Pinna, chegou demonstrando uma coreografia bem estruturada e conectada ao enredo, com diversas referências às danças típicas de tribos indígenas. Enquanto o grupo seguia em direção à simulação da primeira cabine, havia muitos movimentos em círculos, momentos em que levantavam as mãos como forma de resistência e até a simulação de flechas com os braços, como se estivessem unidos em defesa de algo.

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Na cabine, os passos mantiveram essa mesma proposta, sempre em sincronia com o samba-enredo. Além das referências já citadas, os dançarinos cantavam e gritavam para incentivar o público e, principalmente, os próprios colegas. O maior diferencial da coreografia foi o momento em que o grupo se organiza em círculo e uma das integrantes surge sendo erguida, em clara referência à homenageada.

Não houve utilização de tripé, o que não fez muita falta no ensaio, apenas aumentou a curiosidade para o dia do desfile. Também não havia fantasia, mas os integrantes vestiam a mesma camisa que os identificava como comissão de frente, além de short branco.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cris Caldas, demonstrou grande respeito pelo pavilhão. Os passos estavam bem sincronizados e valorizavam a bandeira da escola. O mestre-sala, mesmo girando ao redor da porta-bandeira, manteve o foco nela e no pavilhão, reflexo de uma comunicação clara e objetiva entre o casal.

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Eles se apresentaram com figurino funcional para o ensaio: Marcinho usava calça amarelo-manteiga e camisa de botão com as cores da agremiação, enquanto Cris vestia um traje com decote discreto na altura do peito, fenda na perna e o destaque para as duas cores da escola, uma de cada lado.

“O balanço é super positivo. A gente está numa pegada de ensaio bem legal, intensa. Estamos trabalhando junto com o Bruno Germano, que é o nosso preparador físico, e a Ana Formighieri, que é a nossa coreógrafa. Ensaiando praticamente todos os dias. A expectativa é melhor, tenho certeza que a gente vai fazer um desfile lindo”, disse a porta-bandeira.

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“Estamos já nos pequenos detalhes. Já fechamos a coreografia, na verdade, desde antes de virar o ano. E aí agora é só massacrar. Assim, fazer entrar no corpo e a gente poder mostrar para o público com toda a graça, o que a galera gosta de ver”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

O samba-enredo foi a grande estrela da noite, com todas as alas, componentes e o público cantando a letra na ponta da língua. Não é novidade que a Unidos de Padre Miguel mantém uma relação forte com sua comunidade, e o ensaio reforçou ainda mais essa conexão.

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Em diversos momentos, o intérprete Bruno Ribas e a equipe da ala musical, junto à bateria, realizaram as tradicionais paradinhas, e a rua vibrava com a potência do canto popular. A junção da bateria com o carro de som e o público fez com que o samba se expandisse com muita energia. Além disso, não houve problemas de equilíbrio entre bateria e carro de som, que estavam no mesmo nível, facilitando a escuta e o acompanhamento do samba.

O único problema de canto ocorreu já no final, na ala 18, quando o samba atrasou e os responsáveis pela harmonia precisaram interromper o andamento para retomar todos do mesmo ponto.

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O refrão é de fácil assimilação, e as demais partes da canção se tornam mais simples de aprender acompanhando as batidas e paradinhas da bateria. A comunidade cantou o samba do início ao fim e, ao término do ensaio, público e componentes se reuniram para aproveitar mais um pouco da obra, evidenciando a sintonia, a conexão e o respeito pela agremiação e pelo enredo apresentado.

EVOLUÇÃO

As alas vieram animadas e, com o auxílio dos diretores, seguiram de forma organizada. Havia preocupação com as filas, mas sem excesso de rigidez, permitindo que os desfilantes ficassem mais à vontade para viver o momento. Algumas alas apresentaram adereços: a primeira ala desfilou com cocares, fazendo referência à cultura indígena. As alas 3 e 4 se apresentaram segurando duas bolas com as cores da agremiação.

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A ala 12, além de adereços como cabos de vassoura, lanças feitas de EVA emborrachado e arminhas de brinquedo, trouxe coreografia mais elaborada. Os adereços faziam parte da dança, que exigia esforço e atenção dos desfilantes, o que acabou reduzindo um pouco a potência do canto. Em contrapartida, a ala 17 também apresentou coreografia, porém com passos mais leves e em sincronia com a batida da bateria, sem prejudicar o canto.

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OUTROS DESTAQUES

O ensaio contou com a presença da rainha de bateria, Andressa Marinho, e das musas Mari Mola, Jaquelline e Lorena Maria, que mostraram muito samba no pé e deixaram claro o carinho e o respeito pela agremiação e sua comunidade.

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