Por Guibsom Romão, Marcos Marinho, Matheus Morais e Marielli Patrocínio
Sendo a segunda escola da noite a ensaiar no sábado, o Salgueiro levará para a Sapucaí uma das homenagens mais honradas e necessárias de todos os tempos, um tributo à carnavalesca Rosa Magalhães. Com o enredo intitulado “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira, o Salgueiro fechará o carnaval de 2026, sendo a última escola da terça-feira, 17 de fevereiro.
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COMISSÃO DE FRENTE
No seu segundo ano à frente do quesito pelo Salgueiro, Paulo Pinna e seus 15 componentes apresentaram uma coreografia saudosista, relembrando a icônica comissão de frente da Imperatriz Leopoldinense, criada pelo coreógrafo Fábio Mello em 2004, no enredo “Breazail”. Vestidos de bruxa, com um figurino que remete diretamente ao utilizado em 2004, que era verde, as personagens que antes faziam feitiçaria para transformar o pau-brasil em vermelho passaram a usar a tinta para avermelhar o próprio figurino, em um jogo simbólico de inversão cromática.
Assim como a comissão original de 2004, a do Salgueiro se apresentou sem elementos cênicos, apostando exclusivamente na força da coreografia. A apresentação foi impecável naquilo a que se propôs, com uma dança solta, expansiva e que ocupou toda a pista, revelando semelhanças claras nos gestos e desenhos coreográficos da obra original.

Trata-se de uma coreografia que exige alto grau de alinhamento e sincronia entre os componentes, tarefa sempre complexa nesse tipo de proposta, mas que o Salgueiro executou com maestria e segurança. O entrosamento do grupo e a leitura clara dos movimentos reforçaram a narrativa proposta, sem ruídos ou descompassos.
A caracterização facial de bruxa ficou primorosa, contribuindo decisivamente para a construção estética da cena e para a ambientação mística pretendida pela comissão.
Em suma, com uma proposta baseada na memória afetiva do carnaval e na valorização da dança como elemento central, a comissão de frente do Salgueiro apresentou uma coreografia limpa, bem executada e carregada de significado.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O sempre excelente casal do Torrão Amado, Sidclei Santos e Marcella Alves, que já tem gabaritado o quesito por três anos seguidos, fez uma apresentação esplêndida.
Com um figurino branco, com algumas rosas vermelhas, o casal arrancou gritos e aplausos de quem assistiu, tamanho foi o afinco e a destreza contidos na apresentação.
O casal é imbatível junto, mas, se colocassem uma parede dividindo os dois ou se vendassem os olhos deles, nada mudaria, pois a sintonia e a sincronia são perceptíveis de longe nessa dupla.
Sidclei desempenhou o papel de um galanteador em torno de Marcella, conduzindo de maneira segura, técnica e charmosa o seu bailado.

Já Marcella, com o seu longo mastro, que nem lhe permite segurar um pedaço da bandeira, dançou com enorme segurança, mantendo-a o tempo todo desfraldada. Além de conduzir o pavilhão com um controle impecável, ela executa todo o bailado com enorme elegância e delicadeza.
Para coroar a apresentação, o casal reafirmou por que é referência absoluta no quesito. Com técnica apurada, leitura precisa da coreografia e uma conexão que dispensa artifícios, Sidclei Santos e Marcella Alves entregaram um bailado de altíssimo nível. Uma atuação madura, impactante e digna de quem, ano após ano, transforma excelência em marca registrada na Sapucaí.
HARMONIA E SAMBA
Com uma comunidade comprometida como a salgueirense, abraçando o samba como sempre, foi fácil a obra de Rafa Hecht, Marcelo Motta e suas respectivas parcerias cair na boca do povo. Parece que a Sapucaí entendeu a importância de homenagear Rosa Magalhães nesta oportunidade e canta o samba com a alma. Da avenida às arquibancadas, é notável que todos estão brincando de carnaval com esse samba.

O desempenho do intérprete Igor Sorriso é elogiável, assim como o trabalho magistral do diretor musical Alemão do Cavaco.
Como síntese desse momento, o Salgueiro mostrou que a comunhão entre comunidade, obra e execução ainda permanece, e o resultado transcende a técnica. O samba ganhou vida própria na avenida, impulsionado por um canto coletivo forte e emocional.
EVOLUÇÃO
O andamento da escola na pista oscilou e de maneira acentuada. Ora a escola andava morosamente, ora estava em um ritmo mais rápido, o que, após a bateria entrar no segundo recuo, fez a escola acelerar o passo. Em alguns momentos, algumas alas ficaram bem espaçadas para evitar clarões na pista.

Fica o ponto de atenção para o ensaio técnico do sábado seguinte. São correções possíveis e esperadas em ensaios técnicos que, uma vez sanadas, tendem a garantir uma evolução mais fluida e segura na avenida. Destaque positivo para a vibração dos componentes e a espontaneidade durante todo o ensaio técnico.
OUTROS DESTAQUES
A rainha Viviane Araujo em estado de graça, foi mais uma noite em que ela deu um show à parte. Vestida de cisne, toda de branco, homenageando a comissão de frente feita por Rosa Magalhães na Imperatriz Leopoldinense em 2005, no enredo ‘Uma Delirante Confusão Fabulística’, Vivi saudou todo o público e esbanjou simpatia pela avenida.
O paradão da bateria, com o violino sendo tocado, emocionou o público. Em um dos momentos, os componentes soltaram bexigas vermelhas, brancas e rosas que voaram pelo ar, enquanto uma luz rosa iluminava a avenida, causando um efeito emocionante, como se estivessem enviando aqueles balões pra celebrar alguém que está no céu.







