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Compositores finalistas da Portela apontam virtudes dos três sambas que disputam a grande decisão

A Portela define nesta sexta-feira o hino oficial para o seu desfile de 2020. Três gigantes duelam na grande decisão. Em uma ponta da disputa está o time liderado por Samir Trindade, tricampeão entre 2016 e 2018. Os atuais campeões na Portela, encabeçados por Valtinho Botafogo sonham com o bi e o consagrado Noca da Portela, um dos maiores vencedores da história da escola e vencedor em 2015, lidera o terceiro time de finalistas.

O compositor Wanderley Monteiro conversou com a reportagem do CARNAVALESCO sobre a final. Ele afirma que o diferencial do enredo da escola foi tocar o seu coração e aponta as qualidades do samba de sua parceria.

“Eu acredito que o nosso samba é aquele mais tradicional, mais com o jeito e a cara da Portela. Entretanto a nossa escola levou outras duas grandes obras para a final e cada composição tem a sua característica própria. Eu gosto do trecho do nosso samba que começa eu ‘De Guajupiá’ e vai até ‘faz Madureira de novo sonhar’. Minha percepção sobre o enredo da Portela é justamente ele começar com uma lenda e passar para a realidade da nossa cidade. O diferencial, pra mim, está no meu coração”, diz.

Rogério Lobo é do time de Valtinho Botafogo. A maioria dos poetas desta parceria fazia parte do time vitorioso na final do ano passado. Ele também aponta as virtudes e motivos pelos quais acredita que o samba composto por ele e seus amigos pode sonhar com o bicampeonato.

“Respeitando os demais amigos da disputa, entendemos que nosso samba atende aos requisitos atribuídos pela escola. Descrição do tema na íntegra, criatividade, poesia aliada a uma melodia forte e emocional. É muito difícil advogar em causa própria, até porque “filho feio não tem pai”, mas acreditamos muito em nosso trabalho e na seriedade do concurso, que vença o melhor sempre. Como escolher apenas uma parte de uma obra que criamos? Acredito que o refrão de meio, a parte ‘Índio pede paz mas é de guerra’ que apesar do antagonismo tem um significado na proposta incrível. É aquela velha história; olha eu sou da paz, mas não mexe comigo, não pise no meu calo, se mexer com filho meu, viro bixo, e por ai vai. Ainda tem o refrão principal, que diz ‘índio é dono desse e filho da Portela’.
E difícil escolher uma, apesar das citações, acreditamos em cada frase construída nessa obra que foi feita com alma e pensamento de índio. Nosso samba é índio o tempo todo, pensamos e criamos como índios. Essa é a proposta. Um enredo sobre índios, poderia soar como corriqueiro, mas graças à criatividade, percepção e ousadia de nossos carnavalescos, será contado de uma forma nunca vista na avenida. A Portela tem histórico em enredos que contam lendas, só que agora, nosso casal de carnavalescos trouxe além do tema histórico, uma reflexão para atualidade, permitindo aos compositores a possibilidade de criar de forma poética e livre. A tradição tupinambá, a partir de Monã e Irim Magé transcende o contexto histórico e chega aos dias atuais com uma mensagem de alerta, preservação e conscientização que é abordada de forma clara e objetiva na sinopse”, opina.

Samir Trindade volta à uma final da Portela após ficar de fora da última e de seu tricampeonato (2016 a 2018). O poeta detalha à nossa reportagem as qualidades da obra, que segundo ele é uma das melhores que já fez para sua escola de coração.

“É o samba que expressa melhor o sentido do enredo e com o DNA da Portela, e que você consegue imaginar a velha-guarda cantando numa roda de samba, com cadência, clássico, que podemos fechar os olhos e identificar a Portela. Precisamos de um samba que una a escola numa só tribo, e o nosso tem essa capacidade. De todas as obras que nossa parceria fez pra concorrer na Portela essa é uma das melhores sem dúvidas. ‘Guerreiro chora, mas é brado na aldeia, ninguém tomba essa madeira, seu espírito de luz’ e ‘Okara eee, Taba jara eee’, esses são meus trechos preferidos. Primeiro porque temos a oportunidade de fazer um alerta sobre a derrubada de árvores na Amazônia onde é localizado o maior território indígena brasileiro, o samba tem esse papel de dialogar com os problemas da sociedade e ser voz na luta do povo. Segundo porque ao mesmo tempo que inserimos o contexto do enredo, fazemos uma homenagem à Tabajara do Samba num dos refrãos que tem tudo pra ser um dos mais cantados do carnaval, dizendo que no nosso Okara (Grande Quintal) quem manda é a ‘TABAJARA’ que além de ser o nome da bateria significa (senhor da aldeia) em Tupi. Esse enredo é um dos melhores que já vi na Portela, traz tudo isso e ainda uma reflexão sobre o que fizemos do nosso paraíso, eu posso dizer que o encontrei na Portela, uma tribo onde as pessoas se respeitam, aceitam suas diferenças sejam elas de raça, opção sexual, credo ou ideologia, e convivem em harmonia, na feijoada , no samba, o ano todo. Somos essa família unida em prol de um bem maior que é o amor por essa instituição. A Portela tem tudo pra arrebentar em 2020”, conclui.

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