A Imperatriz Leopoldinense vive um momento de confiança e afirmação às vésperas do Carnaval 2026. Segunda escola a desfilar no domingo, a verde e branca de Ramos apresentou um ensaio marcado por canto forte, leveza e vibração coletiva, mesmo sob um forte temporal. Na concentração, componentes exaltaram a gestão da presidente Cátia Drumond, o trabalho social desenvolvido na comunidade, a identificação do intérprete Pitty de Menezes com a escola e o crescimento visível da agremiação nos ensaios de rua realizados na Euclides Faria.

Para o Carnaval 2026, a Imperatriz levará à Marquês de Sapucaí o enredo “Camaleônico”, uma homenagem à trajetória revolucionária de Ney Matogrosso. Desenvolvido pelo carnavalesco Leandro Vieira, o desfile vai celebrar mais de 50 anos de carreira do artista, destacando sua constante reinvenção, a liberdade artística, a performance transgressora e a quebra de fronteiras entre o masculino e o feminino.

Guilherme Marques, de 28 anos, analista de sistemas, desfila na Imperatriz há 13 carnavais e acompanhou diferentes fases da escola. Para ele, a atual gestão representa uma virada histórica.

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“Nesses 13 anos passei por várias gestões, desde a queda até a subida novamente. Desde que a presidente Cátia assumiu, a Imperatriz é outra escola. Acho que desde os anos 2000 a gente não via a Imperatriz tão competitiva. É uma escola que se dedica à comunidade. Teve época em que era normal ver metade de uma ala vendida; hoje, 100% é comunidade. Essa mudança é muito positiva”, comentou.

Sobre o intérprete Pitty, Guilherme ressaltou a identificação do cantor com a verde e branca.

“Eu adoro o Pitty. Ele encaixou perfeitamente na Imperatriz. Foi a voz que a escola precisava. Há anos a gente não tinha uma voz assim. É a primeira desde o Dominguinhos que mexe de verdade com a escola”, declarou.

Ao falar dos ensaios, o componente destacou o clima leve e festivo.

“O ensaio é um dos melhores momentos pra gente se divertir. Não tem a pressão do desfile. A gente brinca, evolui, canta e é feliz”, relatou.

Andressa Gesteira, de 40 anos, secretária, retorna à Imperatriz após dez anos afastada por conta da gravidez. Antes da pausa, desfilou ao menos cinco carnavais e agora vive seu primeiro ano de volta à verde e branca.

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“A gestão da presidente Cátia é muito boa. Inclusive, meu filho também participa de muitas atividades da escola. A gente gosta bastante. Ela e o João Drumond estão trazendo muitas coisas boas para a comunidade”, observou.

Sobre o intérprete, Andressa foi direta:

“Ele é a voz da Imperatriz e não pode sair da escola. É o cara!”, afirmou.

Ela também destacou a evolução do samba e do canto coletivo nos ensaios de rua.

“A escola cresceu muito a cada ensaio. O samba amadureceu, a ala inteira canta, as pessoas em volta da rua também cantam. O samba está na boca da escola, está muito bom mesmo”, disse.

Aposentada, de 55 anos, Elis Regis desfila há 20 anos na Imperatriz e integra um dos projetos sociais desenvolvidos pela escola, o Balé da Rainha.

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“Faço parte desse trabalho social e, este ano, foi a realização de um sonho de menina. Esse projeto da Cátia, pra mim, foi a realização de um sonho. É maravilhoso”, contou.

Sobre Pitty, Elis não poupou elogios.

“Hoje, para mim, ele é o melhor intérprete de samba. Respeito todos, mas ele é o melhor. Temos muita sorte de ter o Pitty. Ele tem a cara da escola, trouxe uma nova roupagem, uma energia que a gente precisava. E com essa presidenta, veio o feminino, porque a Imperatriz é feminina. Melhor do que ela, acho que ninguém”, acrescentou.

Para Elis, os ensaios de rua dialogam diretamente com o espírito da escola e com o enredo.

“Desde que a Imperatriz passou a fazer ensaio aos domingos, trouxe essa alegria para a comunidade. É contagiante. Não tem como não vibrar. A escola é irreverência, é liberdade, é isso que a gente está fazendo”, concluiu.

Químico, de 29 anos, Bernardo Jordão desfila pela primeira vez na Imperatriz Leopoldinense, mas acompanha a escola de perto desde 2019, ainda antes do atual momento de ascensão.

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“Desde que a Cátia assumiu, a escola deu um salto enorme na parte administrativo-organizacional. Antes havia atraso de fantasia, hoje é tudo organizado. A presença na comunidade aumentou muito. A Imperatriz tem aparecido nas cabeças nos últimos anos, e isso passa muito por ela, pelo João, pelo André Bonatti, pelo Leandro Vieira e pelo Pitty. Ela montou uma equipe muito competente”, analisou.

Sobre o intérprete, Bernardo destacou a entrega de Pitty nos ensaios de rua.

“Eu amo o Pitty. Ele canta com a gente no ensaio de rua, interage muito com a ala. A voz dele é incrível. Para mim, é o melhor intérprete. Mas, para não criar polêmica, coloco facilmente no top 3, e ninguém consegue argumentar contra isso. Quando ele começa a cantar, a energia da Euclides, da quadra, tudo muda. Ele é especial”, ressaltou.

Ao final da entrevista, Soraia, mãe de Bernardo e também componente da escola, completou:

“Pitty é a frequência cardíaca da escola. Sem ele, a Imperatriz não funciona”.

Encerrando, o estreante reforçou o clima de confiança vivido pela verde e branca neste Carnaval.

“Hoje, como desfilante, sinto que esse samba é especial. Me lembra muito a energia do desfile do Lampião, quando a escola foi campeã. Dá essa crença de que dá para buscar mais um campeonato”, finalizou.