A Dom Bosco de Itaquera foi, no último domingo, a sétima escola a desfilar pelo Grupo de Acesso I do Carnaval de São Paulo em 2026. Com o enredo “Mariama: Mãe de todas as raças, de todas as cores. Mãe de todos os cantos da Terra”, assinado por Fábio Gouveia, a Escola do Padre se destacou no Anhembi pela excelente comissão de frente e pelo andamento seguro do samba. Os portões da Passarela do Samba foram fechados após 59 minutos de cortejo.
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Em uma noite de desfiles bastante disputada, a Dom Bosco demonstrou valentia e apresentou um conjunto de alto nível. Foi, certamente, a melhor plástica apresentada pela comunidade itaquerense desde sua chegada ao Grupo de Acesso I, aliada à força de quesitos tradicionalmente decisivos na apuração. Alguns problemas pontuais podem dificultar as pretensões da escola, mas é possível afirmar que a agremiação segue viva na busca por uma vaga na elite da folia paulistana.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Luana Poletti, a comissão de frente da Dom Bosco apresentou “Mariama, o Auto da Fé”. O quesito retratou o milagre atribuído à santa, no qual o escravizado Zacarias, ao sentir a presença de Mariama e clamar “Olhei pro céu e vi o teu rosto”, tem suas correntes quebradas.

O grupo contou com um elemento alegórico simbolizando um altar, no topo do qual surgia a personagem caracterizada como a santa. A coreografia foi comovente, e o ator que interpretou Zacarias demonstrou grande intensidade ao representar a dor e o momento de sua libertação. A escola conseguiu emocionar o Anhembi com uma das comissões de frente mais impactantes do ano.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O primeiro casal da Dom Bosco, formado por Leonardo Henrique e Mariana Barbosa, apresentou-se com fantasias representando a “Profecia da Libertação”. Em todos os módulos observados, a dupla cumpriu as obrigatoriedades com correção e elegância, dentro de uma coreografia bem ajustada ao andamento do samba.

ENREDO
Mariama: Mãe de todas as raças, de todas as cores. Mãe de todos os cantos da Terra é um desfile que abordou a figura de Nossa Senhora Aparecida sob a ótica dos pretos católicos, a partir do relato do milagre de Zacarias. Na Avenida, a leitura da sinopse foi bem traduzida pela letra do samba e pelo conjunto visual apresentado, conferindo forte impacto cultural à proposta da escola.

ALEGORIAS
A Dom Bosco apresentou um conjunto formado por três carros alegóricos e dois quadripés. São eles: o primeiro quadripé, “Revoada da anunciação”, que funcionou como portal de abertura do desfile; o Abre-alas, “Prece do Milagre de Zacarias”; o Carro 2, “Missa dos Quilombos, um novo Palmares se levanta”; o segundo quadripé, “Folias da fé”; e, por fim, o Carro 3, “Altar do Samba – Festas, fé e devoção”, que materializou um grande altar popular.

O conjunto contribuiu positivamente para a narrativa do enredo. No entanto, alguns efeitos não funcionaram corretamente, como a água que deveria jorrar de um jarro erguido por um anjo no Abre-alas, que foi interrompida durante o desfile. Problemas pontuais de acabamento também podem resultar em descontos nas notas do quesito.
FANTASIAS
As fantasias da Dom Bosco traduziram corretamente os três setores da narrativa proposta. As vestimentas eram volumosas e, no geral, permitiram que os componentes brincassem o Carnaval com conforto. Contudo, problemas nos adereços de cabeça da Ala 7 e na parte frontal da Ala 8, por ação justificada, podem ter sido registrados pelos jurados.

HARMONIA
A comunidade de Itaquera foi feliz na missão de defender seu pavilhão no Anhembi. A qualidade do samba favoreceu o canto dos componentes ao longo de toda a Avenida, mantendo o andamento firme do início ao fim do cortejo.

EVOLUÇÃO
Apesar de um início mais lento, a Dom Bosco conseguiu manter o andamento controlado durante boa parte do desfile. O recuo da bateria foi bem executado, com o apoio eficiente da corte, evitando a formação de grandes espaços vazios. Na parte final, a escola precisou acelerar o ritmo, mas não foram observadas falhas graves no conjunto do quesito.
SAMBA-ENREDO
O samba da Dom Bosco foi assinado por Gui Cruz, Darlan Alves, Portuga, Imperial, Douglas Chocolate, Marcos Mala, Luciano Rosa, Gabriel, Reinaldo Marques e Willian Tadeu, e defendido na Avenida pelo intérprete Rodrigo Xará. Considerado por parte da comunidade carnavalesca como uma das melhores obras do Grupo de Acesso I em 2026, teve desempenho elevado no desfile.

Os versos foram facilmente percebidos no conjunto visual, e o carro de som manteve um bom andamento durante todo o cortejo, enriquecendo o espetáculo apresentado pela Escola do Padre no Sambódromo do Anhembi.
OUTROS DESTAQUES

A bateria “Gloriosa”, comandada por mestre Bola, foi um dos pontos altos do desfile. Soube explorar bem as bossas sugeridas pelo samba e ainda arriscou apagões pontuais. A corte de bateria — formada pela Rainha Mayra Barbosa, a Madrinha Mariana Mello e o Passista de Ouro Tomaz Claudino — teve atuação importante no processo de recuo, demonstrando entrosamento e comprometimento com a comunidade da Dom Bosco de Itaquera.










