Por Maria Estela Costa, Juliane Barbosa, Luiz Gustavo e Júnior Azevedo
Após 12 anos desfilando na Intendente Magalhães, a Unidos do Jacarezinho se prepara para seu retorno à Marquês de Sapucaí. Na última sexta-feira, a Unidos do Jacarezinho fez seu ensaio técnico e teve como destaque a comissão de frente, que veio representando Oxóssi, orixá do homenageado Xande de Pilares. No Carnaval 2026, a agremiação levará à Sapucaí o enredo “O ar que se respira agora inspira novos tempos”, criado pelo carnavalesco Bruno Oliveira, em celebração à vida do cantor Xande de Pilares, apresentando suas raízes no Morro do Turano e a importância do Jacarezinho em sua carreira. Assim como no ensaio técnico, a escola será a primeira agremiação da Série Ouro a desfilar, no dia 13 de fevereiro.
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COMISSÃO DE FRENTE
Dando início ao ensaio, a comissão de frente, coreografada por Akia de Almeida, chegou com representações do orixá Oxóssi, justamente por ser o orixá de cabeça do cantor Xande de Pilares. Oxóssi é responsável por proteger as matas, conhecido também como “Rei das Matas”, e tem a flecha como um de seus símbolos. O coreógrafo Akia conseguiu implementar todos esses detalhes sobre Oxóssi na coreografia da comissão de frente. Os passos pareciam estar protegendo algo, fazendo a flecha com a mão, dançando em círculos, dando pulos e, em seguida, movimentavam as mãos como se estivessem nadando. A coreografia finaliza com uma criança surgindo com a camisa do Flamengo, representando o homenageado enquanto criança, e Oxóssi abraçando-o com a bandeira da agremiação.

Os dançarinos vestiam uma fantasia que, no short, havia rebarbas de tecidos na cor verde e uma estampa de onça-pintada na cor cinza, remetendo à ideia de floresta; nos braços, alguns braceletes dourados e uma camisa cor nude. Já o dançarino que representava Oxóssi estava com uma roupa longa, com camadas e estampa verde, assim como é visto nos terreiros de Candomblé. Por fim, a criança vestia uma roupa comum entre os cariocas: bermuda jeans, camisa do Flamengo e tênis branco.

“De alguma forma, vamos usar o sagrado presente na vida do Xande de Pilares, vamos por esse caminho. Oxóssi foi apenas para abençoar o nosso ensaio técnico. A nossa ideia original é totalmente diferente; hoje quisemos utilizar esse lado mais sagrado para o público poder identificar de maneira fácil. As cabines todas funcionaram bem, o nosso elenco está ensaiando muito. O efeito que a gente fez hoje será outro: vai ter efeito, vai ter coreografia, vai ter força. Acredito em um grande desfile da Jacarezinho”, disse o coreógrafo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Maycon Ferreira e Lorenna Brito demonstrou sintonia, resultado de uma melhora no diálogo entre eles. Essa evolução ficou muito clara para quem acompanha o trabalho deles. Eles mostraram que estão prontos para defender o pavilhão, pois se arriscam fazendo passos ousados. Mesmo com a pista molhada pela chuva, eles giravam em sintonia, Lorenna com o pavilhão erguido e Maycon com os braços abertos e sem tirar os olhos dela. Maycon sambava e girava com uma perna no chão como apoio e a outra erguida, apoiada no joelho, seguida por um deslize no chão para retornar à posição inicial, tudo isso enquanto Lorenna rodopiava à sua frente.

A porta-bandeira estava com um vestido branco que, na parte superior, era todo trabalhado em pedrarias da mesma cor, enquanto o mestre-sala vestia uma roupa social branco-acetinada e, nos pés, um sapato social na cor dourada.
HARMONIA

As alas sabiam a letra, mas não entregaram tanta potência e entusiasmo no canto. No entanto, a voz dos intérpretes e a junção com a bateria foram cruciais para a harmonia, pois auxiliaram a escola a manter o canto mais forte e sem embolar. É crucial a escola demonstrar energia, pois é o que provavelmente o jurado vai compreender, uma vez que as caixas de som são altas e só dá para escutar a comunidade cantar se a bateria e o carro de som fizerem a paradinha, o que não aconteceu com a Unidos do Jacarezinho neste ensaio técnico. Cada quesito conta para o resultado final da escola, e neste não é diferente: é preciso uma exigência maior dos diretores de harmonia para com os desfilantes, para que a escola possa se manter no Grupo de Acesso e, futuramente, ingressar no Grupo Especial.
“Cantar com este garoto aqui, meu sobrinho, é um prazer, uma satisfação. Temos feito muito no dia a dia, tentando ajustar da melhor forma possível as nossas vozes, para que a gente passe muito bem no desfile oficial. Hoje, eu dou uma nota 8. Pela primeira vez, o Jacarezinho passa em um ensaio técnico, e, para mim, é um orgulho participar disso ao lado do Thiago”, afirmou o intprete Ailton Santos
“O Jacarezinho é uma escola muito forte, é muito chão, uma comunidade apaixonada por esse pavilhão. Pisar hoje aqui com essa escola, sabendo o significado que o ensaio técnico tem para a gente, foi fantástico. Estar ao lado do Ailton está sendo um prazer imenso, ele me recebeu com muita humildade e receptividade. Estamos tendo uma sintonia maravilhosa, divisão de cacos, está sendo prazeroso. A gente não desfila preocupado em não errar, a gente desfila curtindo, porque estamos amando o que estamos fazendo”, revelou Thiago Acácio.
EVOLUÇÃO
As alas estavam desfilando bem à vontade, o que trouxe uma leveza maior para o ensaio. Havia uma preocupação com a questão da fila, mas nada que atrapalhasse o momento especial dos desfilantes. Porém, próximo à terceira cabine de jurados, na altura do setor 11, a ala dos passistas teve uma falha na evolução e ficou dividida, uma parte muito à frente e a outra atrás, o que gerou um buraco, mas que logo foi resolvido pelos diretores de ala. Apesar disso, a escola conseguiu ter um bom controle do tempo de evolução e finalizou o ensaio no minuto cinquenta e cinco.

SAMBA
O samba tem dois refrãos que são fáceis de aprender; em poucas vezes escutando, já é possível ir acompanhando a letra. Não é à toa que era o momento em que a comunidade mais cantava. Como dito anteriormente, o trabalho do carro de som e da bateria foi crucial para o rendimento do samba neste ensaio técnico: conseguiram manter a mesma potência durante toda a apresentação, o que auxiliou os desfilantes a seguirem na mesma linha.
“Cara, todo mundo falava do Jacarezinho antes do desfile. Que ‘o Jacarezinho é isso’, ‘Jacarezinho é aquilo’, e acho que quem veio prestigiar aqui viu um bom samba, um bom andamento, um grande desfile em relação à bateria. A escola é bem compacta. A comunidade comprou o samba, pelo menos os dois refrões muito bem cantados. E o que me impressionou na puxada da escola é que, à medida que a gente ia passando pelos setores que tinham componente, tinha a arquibancada prestigiando, respondendo o samba. Então a Sapucaí vai tremer, e isso é bem maneiro. Acho que a resposta maior não é nota, imprensa, é a própria escola chegar aqui na avenida e a avenida abraçar o projeto, positivo ou negativo. E acho que o Jacarezinho tem que sair daqui com a certeza de que foi um projeto bem positivo hoje. Foi uma grande entrega, pelo menos”, diz Jonathan Maciel, um dos diretores da agremiação.
OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Karen Lopes, esteve presente no ensaio com um look feito com pedrarias rosas; nos braços, uma franja longa na cor rosa e, nos pés, uma sandália dourada. Ao seu lado, o rei de bateria, Jorge Amarelloh, também marcou presença com uma fantasia similar à de um soldado, com referência na música “Eu sou de Jorge”, uma das mais famosas de Xande de Pilares. Os dois demonstraram muito respeito pela agremiação, interagindo com a comunidade e o público presente.
“Eu acho que as pessoas que andaram falando muito na internet sobre o Jacarezinho tinham que ter tempo para fazer outras coisas. Porque é uma comunidade que busca, é uma comunidade que subiu, e, se ela subiu, foi por mérito dela. Então, deixa o Jacarezinho trabalhar, deixa a escola finalizar… e as críticas devem existir, sim, como qualquer coisa na nossa vida, mas depois que acontecer. Antes não existe nada. […] Então deixa o Jacarezinho passar, estamos trabalhando quietinho, o barracão está caminhando direitinho, a fantasia está rolando, deixa a escola finalizar. Quando acabar o Carnaval, falar ‘pô, o Jacarezinho não aconteceu’, ok. Se tiver crítica, a escola aceita, mas deixa passar; antes não tem como fazer isso”, afirma Jonathan Maciel.






