Por Gustavo Lima e Will Ferreira
O Vai-Vai realizou na noite da última sexta-feira seu primeiro ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, visando à preparação para o desfile de 2026. O treino teve como destaque positivo a estreia da dupla de coreógrafos Diogo e Priscila, que apresentou uma comissão de frente de fácil leitura, satisfatória e que cumpriu todos os requisitos previstos no manual do julgador.
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O casal de mestre-sala e porta-bandeira Pedro Trindade e Mirelly Nunes também merece atenção, em especial a porta-bandeira, que suportou uma forte ventania durante todo o ensaio, conseguindo conduzir o pavilhão com garra. O intérprete Luiz Felipe conduziu bem o samba-enredo, interagiu com o público e buscou levantar a comunidade durante todo o tempo.

Entretanto, um ponto negativo foi a evolução problemática apresentada pela escola. Com muito tempo parada em um mesmo local, o cronômetro da pista indicou um quase estouro de tempo, com risco de divisão de alas ou formação de buracos. Trata-se de um grande ponto de atenção para o departamento de harmonia e evolução da agremiação do Bixiga para o próximo ensaio técnico, que acontece na próxima semana, no dia 30/01.
De acordo com o cronômetro da pista, instalado para os desfiles e ainda em fase de testes, a escola fechou com 1h56m, indicando estouro de tempo. No entanto, o CARNAVALESCO apurou junto ao departamento de harmonia que, na contagem interna da escola, o tempo foi de 59 minutos. Fica, portanto, registrada essa divergência.

O Vai-Vai tem como enredo para o próximo carnaval “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, um filme contado sob a ótica do cinema Veracruz sobre a cidade de São Bernardo do Campo. O tema é assinado por uma comissão de carnaval.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografados pela dupla estreante Diogo e Priscila, os bailarinos do Vai-Vai desfilaram representando operários, com figurinos de aspecto desgastado, transmitindo a sensação do trabalho árduo do povo de São Bernardo. A comissão contou ainda com quatro tripés que simbolizavam câmeras, carregados pelos próprios componentes durante a coreografia, reforçando a ideia de um filme em preto e branco do cinema Veracruz sobre a cidade.
De forma correta, os componentes estenderam os braços para saudar o público e a escola, cumprindo os requisitos básicos do manual do julgador.

Havia também um tripé no qual os bailarinos entravam e saíam, mas não foi possível identificar exatamente sua função, pois ainda estava em fase de finalização e foi levado à pista coberto por saco plástico. Vale ressaltar que se trata de uma comissão de frente de fácil entendimento, que traduz de maneira simples o tema proposto, eliminando as dificuldades de compreensão da narrativa.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Pedro Trindade e Mirelly Nunes enfrentou o forte vento presente na pista do Anhembi e realizou um ensaio seguro. O destaque fica para a porta-bandeira, que conduziu o pavilhão de forma brilhante, sem deixá-lo enrolar no mastro.
Aparentemente, houve uma estratégia em que o mestre-sala demorava mais para estender o pavilhão, com o objetivo de ganhar alguns segundos e permitir que a bandeira fosse conduzida com maior delicadeza, minimizando os efeitos da ventania, incomum para o mês de janeiro na cidade de São Paulo.

Não foi observada uma coreografia mais contundente dentro do samba, mas os giros no sentido horário e anti-horário do casal, especialmente da porta-bandeira, merecem destaque. Mirelly exala elegância e executa os movimentos com intensidade. Independentemente do resultado no carnaval, trata-se de um grande acerto do Vai-Vai, com potencial para ser uma das revelações do desfile.
“A gente vem ensaiando desde abril. É um trabalho muito intenso, forte e focado. Hoje descemos pela primeira vez na pista como casal oficial, com a responsabilidade de parar e apresentar para a cabine, com essa noção do quesito mestre-sala e porta-bandeira. Foi uma sensação muito forte, uma entrega muito boa. Conseguimos mostrar um pouco do que vem sendo ensaiado desde abril. Ainda há muita coisa para ajustar, mas, por enquanto, só tenho a agradecer. Foi muito boa essa entrega do primeiro ensaio”, disse a porta-bandeira.
“Como ela falou, a entrega foi feita. Demos o nosso melhor hoje nessa pista. As dificuldades no percurso existem: pegamos muito vento, teve a pausa da bateria e, logo depois, mais dois jurados. Não foi difícil, mas foi um outro tipo de treinamento. Foi a primeira vez que viemos e, nesta semana, teremos um ensaio específico aqui dentro. Já começamos a ajustar alguns pontos com a nossa técnica. Para uma primeira vez, entregamos o nosso melhor. Ficamos felizes com o que foi apresentado. Foi tranquilo, tudo por esse manto maravilhoso”, declarou o mestre-sala.
HARMONIA
Pode ser até injusto afirmar, mas a comunidade do Vai-Vai talvez seja a mais apaixonada do carnaval paulistano. A história comprova isso, e esse sentimento se reflete nos sambas que a escola canta. Para 2026, a “Escola do Povo” apresenta uma trilha sonora cuja safra inicial não ajudou, mas que, com o passar do tempo, foi completamente abraçada.

A comunidade cantou forte um samba fácil de assimilar. É difícil apontar uma estrofe em que o canto se sobressaia mais, mas o refrão principal merece destaque pela explosão causada pelos versos que o antecedem na segunda parte da obra. O tradicional “vai, vai, vai, vai” empolga os componentes. Rimas simples e frases com melodia prolongada facilitam o canto, ponto importante a ser ressaltado.
Vale destacar ainda que os desfilantes não perderam a empolgação e cantaram forte durante todo o ensaio, algo relevante especialmente pelo fato de a última cabine de julgamento estar localizada próxima ao portão de fechamento.

“A comunidade, quando abraça o samba, é porque é o samba que a comunidade queria. Abraçou, e vamos trabalhar juntos. O samba evoluiu demais, até diferente do que na quadra, porque aqui é de verdade. É muito bom trabalhar com essa comunidade. É muito fácil. O objetivo é melhorar ainda mais para o próximo ensaio”, comentou o cantor Luiz Felipe.
EVOLUÇÃO
O andamento das alas seguiu o padrão do Vai-Vai, com os componentes evoluindo no ritmo do samba e da bateria. Não há um estilo excessivamente coreografado, tampouco uma evolução rígida ou militarizada. Os componentes evoluem de forma solta, refletindo a leveza da pegada da bateria, como foi visto neste ensaio.

Já a parte coletiva apresentou problemas. Quando a bateria se preparava para entrar no recuo, o movimento durou cerca de quatro minutos. A comissão de frente, por exemplo, ficou parada executando sua coreografia em frente ao Setor E. Os integrantes da harmonia aguardavam o andamento da escola com o bastão vermelho erguido, indicando a paralisação.
Isso fez com que o relógio da pista apontasse um tempo de 1h06. No entanto, o CARNAVALESCO apurou junto ao departamento de harmonia que, na contagem interna, o ensaio foi fechado em 59 minutos. Houve correria, com integrantes dos departamentos de alas e harmonia reclamando do espaçamento nos corredores. Não foram observados buracos ou divisão de escola, mas situações assim podem gerar esse tipo de problema e precisam ser corrigidas com urgência.

Outra informação apurada é que a grande parada ocorreu por conta de um teste de efeito previsto para o próximo ensaio. Segundo a harmonia, no verso “Vai parar geral”, a escola inteira irá parar. Ainda não se sabe como isso será executado, mas, neste ensaio, o quesito ficou comprometido. É um ponto que exige atenção, pois não é a primeira vez que o Vai-Vai enfrenta dificuldades no quesito Evolução.
SAMBA-ENREDO
O samba é de fácil entendimento, com rimas e estrofes simples, transmitindo a sensação de rápida assimilação por parte do componente. E foi exatamente isso que ocorreu, especialmente no refrão principal. Trata-se do famoso samba “chiclete”.

O intérprete Luiz Felipe, mais uma vez, realizou um ensaio em nível de carro de som do Vai-Vai. Extremamente identificado com a escola, buscou interagir com o público presente a todo momento, chamando a comunidade para cima. Vale destacar o arranjo da introdução com flauta na melodia “se liga na cena, coisa de cinema”, emendando diretamente no término do refrão principal com o início da primeira parte do samba.
“Primeiro ensaio, muito bom. Energia da escola lá em cima, componentes cantando, escola vibrando, evoluindo. Assim que a gente sai, assim que eu peço, e eles, graças a Deus, me escutam e atendem. Hoje foi muito bom”, afirmou Luiz Felipe.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Pegada de Macaco” sustentou o ritmo do samba naquele seu estilo de sempre e executou as bossas de forma correta, com destaque para o baião na parte dos “nobres imigrantes”.

O mestre Beto explicou: “Nós estamos fazendo um xote, que é um entre vários ritmos nordestinos. O repinique faz a base como se fosse o samba de roda, que existe no Nordeste. E o surdo de primeira, segunda e terceira fazem como se fosse a zabumba. A caixa e o tamborim fazem como se fosse a vareta que bate embaixo da zabumba. A ideia saiu dentro da garagem de casa. Os arranjos do Vai-Vai sempre saem de lá, e eu divido com a minha galera”.

O músico, que faz dupla com o histórico mestre Tadeu, avaliou o geral do ensaio. “O ensaio de hoje foi bom. Eu tive mínimos problemas, fiquei emocionado, gostei, e, quando você vier falar comigo na sexta que vem, vai ter sido melhor ainda. O surdo de segunda eu vou falar com eles para melhorar, o quesito evolução da escola, pelo que eu pude ver, e meus tocadores de segunda. O resto foi bom, mas nós vamos atingir o ótimo e entregar o excelente para vocês no dia do desfile”, completou.
A rainha de bateria Madu Fraga mostrou samba no pé e simpatia o tempo todo. Ela mostra na avenida o amor pelo Vai-Vai no olhar. Grande destaque para a coroada desde 2024.









