Por Luiz Gustavo, Júnior Azevedo, Juliane Barbosa e Maria Estela Costa
A Unidos da Ponte foi a terceira escola a ensaiar na noite da última sexta-feira, no primeiro dia de ensaios técnicos da Série Ouro. A escola passou no embalo de seu enredo e apresentou uma evolução dançante e uma comunidade animada, mesmo com algumas inconsistências no canto dos componentes. O samba teve um rendimento satisfatório, e o casal formado por Thiaguinho e Jéssica se destacou com uma ótima apresentação. No conjunto geral, um ensaio que mostra boas credenciais da agremiação de São João de Meriti, com outros pontos a serem melhorados para o desfile oficial, que será realizado no dia 14 de fevereiro. A Ponte encerrará o sábado de carnaval apresentando o enredo “Tamborzão – O Rio é baile! O poder é black!”, desenvolvido pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves.
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“A minha análise é mostrar que a Unidos da Ponte, de fato, é uma escola bem constituída, bem estruturada. A gente conseguiu mostrar que a Unidos da Ponte vai fazer carnaval, vai se estruturar a cada ano mais para poder apresentar um desfile de alto nível. Esse ensaio serviu para mostrar isso. Apesar de todas as questões que tivemos, do primeiro ensaio com esse som, que é uma novidade para todos, tivemos alguns pequenos acidentes em relação à técnica do som. A Ponte mostrou que está firme, que está forte e que vai, sim, fazer carnaval. Ainda estamos organizando essa questão da contagem da cronometragem da cabine. Hoje foi para entender esse tempo e, no dia do desfile, executar o que a gente percebeu”, garantiu Camarão Netto, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE
A comissão coreografada por Juliana Frathane trouxe 14 componentes representando um baile funk, com os típicos passos do gênero, enxertados com elementos de balé. Uma comissão totalmente pautada na dança, bastante dinâmica e bem sincronizada, com alguns passos de nível mais alto de dificuldade, como acrobacias e o chamado passinho, de movimentos bem ligeiros. Uma apresentação agradável e de bom nível em todas as cabines.

“Estou satisfeita, a escola está vindo com muita potência para honrar, e é o que a Ponte merece. Perfeito. Em prol da melhoria dessa comissão de frente, apenas o ensaio, pois é preciso ver as passadas de um jurado para o outro, porque agora a comissão está sempre trabalhando com a harmonia para tentar ajustar o que for melhor para a escola, apenas esses pequenos detalhes. Para o Carnaval 2026, todos podem esperar da comissão de frente da Ponte muita força! Nada do que está sendo apresentado nos ensaios eu vou mostrar no dia oficial. Sempre tem aquela surpresa, e vai ser uma surpresa mesmo, que não tem nada a ver com esta apresentação. O Nicolas, carnavalesco, me deu essa missão, e eu estou abraçando, e eu vou honrar”, afirmou a coreógrafa Juliana Frathane.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Thiaguinho Mendonça e Jéssica Ferreira tiveram um excelente desempenho neste ensaio, com o dinamismo e a agilidade nos movimentos que o enredo pede. O casal, que volta a dançar junto após mais de uma década, mostrou uma sintonia fina em toda a série. Destaque para o refrão central, em que Jéssica encaixou uma série de giros muito precisos, enquanto Thiaguinho caprichou em um bailado com ótimo trabalho de pernas. Na segunda parte, movimentos de cortejo e condução de Thiaguinho foram bem executados. Thiaguinho e Jéssica também foram felizes na adição de elementos do funk, sem exageros ou descaracterização da dança mais clássica, uma junção bem realizada que deu força à apresentação. Um momento de destaque do ensaio da Ponte.

“Estamos voltando com nossa parceria como casal após mais de dez anos, e está maravilhoso. Todo o trabalho que a gente está fazendo tem dado supercerto. A coreografia, do nosso coreógrafo junto conosco. montamos a coreografia juntos. está ótima. É ótimo tê-los comigo, e o Thiaguinho me trouxe muita coisa neste ano. É uma troca, e está muito gostoso”, disse a porta-bandeira.

“O ensaio técnico é um teste mesmo, é para a gente ver se a coreografia vai encaixar no ritmo oficial do desfile, se a voz do intérprete vai dar um caco que às vezes favorece a nossa dança. É realmente o dia de entendermos o que está acontecendo, e foi bem positivo. Gostei da energia do povo. Eu sou sempre muito positivo, mas não esperava a reação tão eufórica da galera quando a gente se apresentou. Estou indo embora com o coração a mil”, completou o mestre-sala.
EVOLUÇÃO

A escola aproveitou bem o espaço da Marquês de Sapucaí para realizar uma evolução mais volumosa, com componentes soltando os braços e evoluindo para os lados. Algumas alas passaram de forma bem dançante, um destaque do quesito. Em relação ao ritmo do avanço pela pista, a Ponte teve alguns momentos em que esteve lenta na avenida, contrastando com o andamento mais firme impresso no início. As alas mantiveram boa organização durante todo o ensaio, sem maiores espaços entre elas, mesmo com os componentes mais soltos. A agremiação finalizou seu ensaio com 54 minutos na pista.
HARMONIA E SAMBA
O canto da Unidos da Ponte apresentou algumas irregularidades ao longo de sua passagem pela avenida, com diversos componentes entoando apenas o refrão principal e cantando pouco o restante do samba. As alas que vieram próximas do final do ensaio exibiram um canto mais quente, sobretudo, na reta final da apresentação, quando o quesito teve uma subida de desempenho.
“Felicidade muito grande com o ensaio de hoje. Meu irmão Thiago, que já trabalha junto comigo há um tempo pelas quadras da vida, me dá uma felicidade muito grande de estar fazendo esse grande trabalho com a Ponte. Ele está trazendo esse samba alegre, reverente e animado para a Marquês de Sapucaí. O ensaio é sempre para poder ajustar os possíveis erros. Um exemplo é que a gente, do carro de som, foca muito na nossa parte, mas acredito que a escola fez um grande ensaio e a comunidade veio cantando o samba muito feliz. E temos muita felicidade, nós, compositores, de termos feito esse samba”, comentou o intérprete Matheus Gaúcho.

O samba, que é de fácil assimilação, mostrou uma funcionalidade correta no ensaio. Sem maior explosão, segurou de maneira satisfatória a passagem da escola. Matheus Gaúcho e Thiago Brito mostraram boa sintonia e sustentaram a obra na maior parte do ensaio. O refrão central obteve bom rendimento e foi um ponto de destaque da apresentação. A primeira parte teve um desempenho mais inconstante, com algumas quedas.
“A gente vem trabalhando já há bastante tempo na disputa do samba. Eu participei de toda a discussão e das adaptações para o samba e para as nossas vozes, já pensando na nossa forma de cantar. Eu acho que hoje é um teste. O som ainda está passando por alguns ajustes, mas foi bastante proveitoso. Agradeço ao máximo à minha dupla. A gente não tem vaidade, e o que importa é a nossa escola, a nossa bandeira, que é a Unidos da Ponte. Eu me considero um pé-quente, porque já participei de alguns títulos e de alguns vice-campeonatos. Que seja, então, a melhor colocação da história da Unidos da Ponte. Eu acredito, como estou falando agora, que será o maior desfile da história, porque o nosso presidente e a nossa diretoria não estão medindo esforços em todos os setores. Eu sou bastante chato, e o Matheus está aqui de prova, mas tenho recebido tudo o que exijo para o melhor, porque é a nossa vida. A gente ama o que faz, obviamente trabalha e vive disso, é o nosso financeiro, mas, se não tiver amor e se não tiver paixão, você pode ganhar milhões que nada vai superar”, citou o cantor Thiago Brito.
OUTROS DESTAQUES

MC Serginho veio liderando uma das alas da escola, que pecou pela falta de canto. A bateria, comandada pelos mestres Alex Vieira e Juninho, potencializou o samba com um ritmo firme e boas bossas. A ala de passistas da Ponte mostrou que a mistura do samba com o funk dá um bom caldo e deu show de ginga na avenida.

“Foi bom, foi bom. Pode melhorar, a gente é muito perfeccionista, então acredita que sempre pode melhorar. Teve uns impercalços em relação ao som, atrapalhou um pouquinho a gente, mas, fora isso, a bateria foi com êxito. Perfeita, perfeita não, perfeita só Deus, mas foi maravilhosa. Fiquei muito feliz e muito contente com o ensaio. Podem esperar um trabalho firme, com dedicação. Foi muita dedicação para ter um trabalho legal, dentro do enredo. Podem esperar bastante coisa: vai ter dancinha, vai ter funk, vai ter charme, vai ter tudo pra gente”, revelou mestre Juninho.






