A chegada de Cláudia Mota e Edifranc Alves à Portela marca o início de uma nova fase para o quesito Comissão de Frente da azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira. Em entrevista ao CARNAVALESCO, os coreógrafos falaram sobre maturidade, a parceria com o carnavalesco André Rodrigues, a força do enredo portense e as mudanças no julgamento do quesito para o Carnaval 2026.

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Foto: Marcos Marinho / CARNAVALESCO

No balanço sobre o trabalho no Paraíso do Tuiuti, a dupla ressaltou a emoção de contar a história de Xica Manicongo, considerada a primeira travesti não indígena do Brasil. “Foi um momento maravilhoso que vai ficar marcado no nosso coração sempre”, afirmou Cláudia Mota.

Já Edifranc Alves destacou que o principal objetivo da comissão foi promover o acolhimento à comunidade LGBTQIAPN+: “A escola trouxe acolhimento e o processo artístico foi baseado na vida delas”. Parte do elenco, inclusive, foi formado exclusivamente por pessoas trans, reforçando o caráter de representatividade da apresentação.

Convite da Portela e momento de maturidade da dupla

A oportunidade de assumir a comissão da Portela surgiu logo após o Carnaval 2025. Edifranc considera que o convite chegou em um momento de transição para o casal: “Abraçamos com muita responsabilidade o convite dessa magnífica escola”. Para Cláudia, trata-se de um salto na carreira: “A Portela é uma escola histórica e grandiosa, é uma honra estar aqui. É também um salto nosso, que chegamos aqui em um momento de maturidade”.

Parceria com André Rodrigues e enredo sobre Príncipe Custódio

Na preparação para o desfile, a sintonia com o carnavalesco André Rodrigues se tornou um diferencial. “Temos uma linguagem parecida, muito objetiva e direta. Trouxemos uma proposta para ele e para o presidente, que está dando todo o suporte. Estamos com uma equipe de ouro. Nós vamos fazer a comissão das nossas vidas”, destacou Cláudia.

O enredo de 2026, que homenageará Príncipe Custódio e o Batuque riograndense, já inspira o processo criativo da dupla. Edifranc ressaltou a força da narrativa que valoriza a cultura negra do Sul e citou três personagens que certamente estarão presentes na Comissão: Bará, o Príncipe Custódio e o Negrinho do Pastoreiro.

Cabine Espelhada: ‘Situação Difícil’

Sobre a estreia da cabine espelhada no julgamento do quesito, o coreógrafo reconheceu a complexidade do desafio: “Situação difícil”, resumiu. Cláudia acrescentou que o impacto será sentido por todas as escolas e que apenas os ensaios poderão dimensionar melhor a novidade.

“Pode ser que a gente esteja criando um bicho de sete cabeças, mas a gente só vai saber daqui a duas semanas, quando começam os nossos ensaios. Será um desafio para todas as comissões”, finalizou.