Profissional do carnaval carioca e referência no trabalho com casais de mestre-sala e porta-bandeira, Ana Paula Lessa construiu uma trajetória sólida no Grupo Especial, marcada pelo respeito à tradição do bailado, rigor técnico e resultados expressivos na Avenida.
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Entre 2013 e 2022, Ana Paula atuou como coreógrafa do primeiro casal da Estação Primeira de Mangueira. Posteriormente atuou como coreógrafa da Imperatriz e Mocidade. Nesse período, os casais dirigidos por ela só não alcançaram a nota máxima em três carnavais, 2014, 2020 e 2022. Considerando os doze carnavais, a coreógrafa apresenta um aproveitamento aproximado de 99.7%, índice expressivo em um dos quesitos mais técnicos e rigorosos do julgamento.
Após sua passagem pela Mangueira, Ana Paula seguiu no Grupo Especial, integrando a equipe da Imperatriz Leopoldinense em 2023 e 2024. Em 2025, atuou como coreógrafa do casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel, mantendo sua presença contínua entre as principais escolas do carnaval carioca.
Para o Carnaval de 2026, Ana Paula Lessa retorna à Estação Primeira de Mangueira, escola onde construiu parte significativa de sua trajetória, reafirmando o vínculo com a agremiação e a confiança em seu trabalho artístico e técnico.
Atualmente, Ana Paula utiliza um método autoral e inovador com o casal de mestre-sala e porta-bandeira Matheus Olivério e Cintya Santos, primeiros representantes do pavilhão mangueirense. O método se apoia na biomecânica do movimento, no alto rendimento físico, na co-regulação, no refinamento artístico e no aprofundamento da leitura do enredo sempre respeitando a identidade individual de cada artista e a tradição da dança. O casal se destaca pela disciplina, entrega e comprometimento com o treinamento, fatores fundamentais para a construção de uma apresentação segura, elegante e conectada com a comunidade e com a história da escola.
Ana Paula define sua atuação não como criação de dança, mas como direção de movimento. Seu trabalho é voltado para potencializar o repertório individual de cada casal, respeitando integralmente a tradição do bailado e a identidade artística dos intérpretes. “Meu papel é dirigir, organizar e refinar. A dança do mestre-sala e da porta-bandeira pertence a eles”, destaca.
Com formação em Fisioterapia e Ballet Clássico, desenvolve um planejamento que integra avaliação física e psíquica, aulas de dança, alongamento, fortalecimento muscular e expressão artística, sempre priorizando segurança, conforto e liberdade de movimento. A pesquisa dos personagens defendidos na Avenida também é parte essencial do processo, contribuindo para a construção de apresentações coerentes com o enredo e com a leitura visual do desfile.
Defensora da tradição da dança de mestre-sala e porta-bandeira, Ana Paula utiliza poucos fundamentos do ballet clássico — como ocupação do espaço cênico, direções corporais e limpeza dos movimentos — sem interferir nos passos característicos do bailado. “A tradição deve ser mantida, respeitada e assegurada. Meu trabalho não modifica a essência, apenas acrescenta”, afirma.









