Por Guibsom Romão, Mariana Santos, João Gabriel Rothier e Luiz Gustavo
Sendo a terceira escola da noite a cruzar a Sapucaí no último dia de ensaios técnicos da Série Ouro, no último domingo, o Império Serrano pisou em peso na avenida, com quesitos fortes e canto alto. A Verde e Branco da Serrinha derrapou em evolução e estourou o tempo de desfile em 13 minutos.
* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp
Com o enredo “Ponciá Evaristo, Flor do Mulungu”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Esteve, em homenagem à escritora Conceição Evaristo, que esteve presente no ensaio desfilando em um carro, a escola, que é nove vezes campeã do Grupo Especial e tem uma comunidade apaixonada, mostrou que tem disposição para a disputa do título da Série Ouro, mas ainda precisa ajustar alguns pontos se quiser entrar na briga de fato.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Marlon Cruz, a comissão era composta por 15 mulheres, sendo uma pivô. Quatorze delas estavam vestidas de donas de casa, que trocaram o balde d’água na cabeça por livros e levavam os baldes nas mãos. Durante a apresentação, retiravam um tecido verde e branco molhado que, ao ser sacudido, produzia um efeito impactante dos pingos d’água no ar. A pivô representava a homenageada Conceição Evaristo.
Durante a coreografia, as mulheres vestidas de donas de casa aparentavam proteger e incentivar a pivô que representava Conceição Evaristo, que, na última parte da apresentação, pega um lápis e um caderno, como se fosse escrever algo. Sendo assim, é possível intuir que as mulheres do trabalho braçal e as lavadeiras de roupa foram importantes na trajetória da grande escritora que Dona Conceição Evaristo se tornou.

Em suma, foi uma apresentação engajante, com uma dança ágil, bem sincronizada, que ocupava todo o espaço e promete ser emocionante no desfile oficial.
“É muito gratificante representar e ser representado ao mesmo tempo. Falar da Conceição Evaristo é falar do meu povo, da minha mãe, da minha irmã e do meu pai, até porque ela também fala deles. É representar sendo representado. Estou muito feliz com essa oportunidade de homenagear uma pessoa em vida e sei que sou apenas uma célula dessa escrevivência da Conceição Evaristo. A gente aprimora até o último dia; é um elenco forte, feminino, e até o último instante teremos muitas novidades”, comentou o coreógrafo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Matheus Machado e a estreante Maura Luiza apresentou uma dança bem solta, rápida e ágil. A coreografia é ótima, dialoga com o enredo e com o samba, porém carece de um refinamento nos movimentos dos dois. Ambos se apresentaram com um nível de rapidez levemente desnecessário, além de certa falta de delicadeza nos movimentos dos braços. Para uma apresentação impecável, é preciso deixar os braços um pouco mais soltos e controlados. No entanto, o casal aparenta ter sintonia e, como nada nasce pronto, basta um aprimoramento mais requintado nesses movimentos para que as apresentações tendam a render belas notas.
“Estou muito emocionada. Eu e o Matheus nos preparamos muito para esse momento, e não tem sido fácil: ensaios, ajustes aqui e ali, tudo para tentar levar um espetáculo bonito, à altura do que o Império merece. Ainda estou em êxtase, muito feliz mesmo. Espero que as pessoas tenham gostado do nosso trabalho, porque ele foi feito com muito amor e carinho. Sobre a fantasia, posso dizer que está muito bonita, linda mesmo”, afirmou a porta-bandeira.

“Foi um excelente dia de ensaio para a gente. Tudo o que planejamos durante os ensaios foi executado hoje. Eu estava muito tranquilo em relação ao que iria fazer e procurei passar essa confiança para a Maura, assim como ela passou para mim. Quando chegou a nossa vez, no setor 1, era eu, ela e o jurado, e graças a Deus tudo o que ensaiamos foi executado com perfeição. Saio daqui tranquilo, com a consciência muito limpa pelo trabalho que entregamos. A expectativa para o desfile oficial é nota 40 e o Império campeão, porque o trabalho está entregue. Sobre a fantasia, posso garantir que está linda. O Alex, que está confeccionando, chegou a mostrar um pouco em uma chamada de vídeo, e tenho certeza de que será belíssima, valorizando ainda mais o que vamos apresentar na avenida neste ano do Império Serrano”, completou o mestre-sala.
EVOLUÇÃO
No início, poderíamos dizer que o Império Serrano desfilava sem pressa, deixando o público contemplar o seu cortejo e seus componentes na Sapucaí. Porém, a escola andou devagar e, mesmo com a bateria não entrando no segundo recuo, encerrou o ensaio com 68 minutos de duração, 13 minutos a mais do que os 55 minutos, o máximo permitido. É fato que a escola da Serrinha havia apresentado o maior número de componentes até aquele momento da noite, porém fica o alerta de atenção para o tempo de desfile. A escola não correu e não aparentou ter se preocupado com o tempo durante o ensaio.
No fim, a “Sinfônica do Samba” teve que continuar tocando na dispersão para que as últimas alas terminassem de desfilar.

“Apesar da chuva forte que caiu hoje na cidade do Rio de Janeiro, graças a Deus a comunidade, sempre muito imperiana, atendeu ao nosso pedido e compareceu ao ensaio. Conseguimos realizar um trabalho com algumas demarcações importantes, e o balanço é positivo. Mesmo com adversidades e com algumas coisas ainda em processo de montagem na pista, o saldo final foi bom. A expectativa para o desfile oficial é grande, porque estamos contando a história da Conceição Evaristo, uma escritora popular que tem um carinho enorme pelo Império, assim como o Império tem por ela. A expectativa é de 100%, estamos ansiosos pela chegada do dia do desfile para fazer uma ótima apresentação. Em relação ao andamento do barracão, estamos em um ritmo legal, entre 80% e 90% prontos. Sabemos que a subvenção saiu há poucos dias e estamos correndo contra o tempo, mas tudo vai sair conforme o planejamento do carnavalesco, e vamos fazer um belíssimo desfile. Quanto ao atraso na saída, faz parte do ensaio técnico: estamos testando demarcações e combinações para que, no dia do desfile oficial, tudo flua perfeitamente”, afirmou Jefferson Carlos, diretor de carnaval.
HARMONIA E SAMBA
A escola apresentou um canto excelente que, ao lado de um samba ótimo, resultou em uma ótima performance. O intérprete Vitor Cunha e seu carro de som defenderam a obra com maestria e competência; os cacos estavam na medida, e tudo fluiu muito bem.
O trecho “A gente combinamos de não morrer! / Combinamos de não morrer!” funcionou como um grito de guerra pelas alas, apresentando potência e vigor ao canto da escola.

“Mesmo com chuva, a comunidade mostrou sua força na avenida, cantando muito o samba. A Sapucaí se entregou. Estamos prontos para o carnaval; o Império Serrano vai ser uma escola que todo mundo vai esperar passar. Como quarta escola de sábado, vamos levar esse samba maravilhoso que fala da Conceição Evaristo, e espero que quem estiver lendo esteja junto com a gente. O que precisamos melhorar é apenas o som da Sapucaí, que ainda falha bastante. Falta refinar esses detalhes de referência, porque em alguns momentos, como no final, não sabíamos se o som ainda estava ou não”, explicou o intérprete Vitor Cunha.
OUTROS DESTAQUES
A ala das crianças foi um trunfo neste ensaio, pois, além de numerosa, as crianças sabiam o samba inteiro e evoluíram muito bem durante a apresentação.






