Por Letícia Sansão, Ana Carla Dias e Will Ferreira

A bruxa realmente está solta, e quem estava no Sambódromo do Anhembi sentiu o feitiço lançado pela Colorado do Brás no segundo ensaio técnico. Em comparação com a primeira passagem, a escola apresentou crescimento evidente, especialmente no canto da comunidade e no entrosamento entre os quesitos, e encerrou seu último ensaio técnico dentro do tempo, em 1h03

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Com o enredo “A Bruxa Está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, a escola mostrou mais segurança na condução do desfile e reforçou a proposta de um carnaval carregado de simbologia, teatralidade e força ancestral. A Colorado será a segunda escola a desfilar na sexta-feira, pelo Grupo Especial, no Carnaval de 2026.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Paula Gasparini, a comissão de frente manteve a proposta teatral já apresentada no primeiro ensaio, mas com leitura ainda mais clara. O tripé da escola vem com um caldeirão, de onde sai fumaça e cria um visual diferente na avenida. Ao redor dele, os componentes desenvolvem coreografias que remetem à feitiçaria.

Em alguns momentos, o caldeirão aparece desacoplado e é levado mais à frente. Em outros, ele retorna acoplado ao tripé, ampliando o impacto visual das coreografias no chão.

No ponto alto da apresentação, o ator Taiguara é suspenso no alto do elemento alegórico, criando a imagem de uma entidade, e “voa”.

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Taiguara representa Hécate, deusa ancestral ligada à magia e às encruzilhadas. Ao longo da coreografia, o ator desce do tripé, interage com o caldeirão e com o público, como quem lança a poção em direção às arquibancadas. A leitura simbólica se fortalece quando se considera o sincretismo religioso, no qual Hécate se aproxima de figuras como Exu e Pombagira, entidades que também regem as encruzilhadas e as transformações.

O conjunto apresentou boa fluidez e forte impacto visual, o que coloca a comissão de frente como um dos pontos altos do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Brunno Mathias e Jéssika Barbosa farão sua estreia como casal e já mostraram um trabalho leve e muito bem entrosado. A dança do casal dialoga diretamente com o enredo, com movimentos que remetem à ideia de encantamento, como se um enfeitiçasse o outro ao longo da apresentação.

Os passos têm leitura clara, o conjunto se mantém fluido e a conexão entre os dois aparece de forma constante, sem que um se sobreponha ao outro. O casal apresentou uma atuação segura.

HARMONIA

A harmonia apresentou evolução significativa em relação ao primeiro ensaio. Se antes algumas alas do meio para o fim da escola ainda precisavam ajustar o canto, neste segundo dia o desempenho foi mais regular. Todas as alas cantaram com intensidade. Isso também foi notório para o intérprete Léo do Cavaco:

“Cara, a escola cresceu do último ensaio para cá e hoje cantou mais, já tinha cantado muito no primeiro. A gente fez alguns ajustes nos ensaios também, então a escola vem crescendo, e é bom que cresça aos poucos e chegue e cante no desfile. Porque, às vezes, a gente faz um grande ensaio aqui, mas chega no desfile e não consegue repetir. Então eu prefiro que seja essa crescente, porque as coisas têm que acontecer no desfile. Ensaio técnico é legal, mas é só um ensaio; o que vale mesmo é o desfile”, disse o cantor.

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Além disso, a interpretação corporal dos componentes reforçou a proposta do enredo. Em diversos momentos, os integrantes dançavam com gestos e expressões que remetem diretamente à bruxaria.

Outro ponto que chama atenção é a presença de coreografias em elementos alegóricos, com componentes encenando rituais e, em determinados momentos, soltando gritos que chegam a surpreender quem está mais próximo da pista. Esses recursos ajudam a construir a atmosfera de feitiço que a Colorado pretende levar para a avenida.

EVOLUÇÃO

Na evolução, o principal ponto de atenção ficou por conta do primeiro carro, que vinha logo após o casal de mestre-sala e porta-bandeira e apresentou um deslocamento levemente torto em alguns momentos.

No geral, porém, a escola desfilou de forma organizada. Não houve erros graves ou situações que comprometam de maneira direta o quesito. O conjunto mostrou melhor controle de andamento em relação ao primeiro ensaio, fechando o tempo de forma segura.

SAMBA-ENREDO

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O samba-enredo funcionou melhor neste segundo ensaio em relação à primeira passagem. A escola mostrou mais segurança na execução da obra, com canto mais firme e resposta coletiva mais homogênea ao longo da pista.

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Ele apresentou bom rendimento; em nenhum momento houve queda. A comunidade sustentou todos os trechos, com destaque para o refrão do meio, que cresce bastante nas arquibancadas.

O intérprete Léo do Cavaco conduziu o samba com clareza, mantendo a escola ligada ao canto e à narrativa apresentada na avenida.

OUTROS DESTAQUES

A bateria, comandada pelo mestre Acerola de Angola, mostrou mais entrega neste segundo ensaio. Os ritmistas apareceram mais animados, com recursos cênicos que dialogam com o enredo, como os gritos coletivos que antecedem retomadas do samba.

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Outro ponto interessante acontece no trecho “Vem ver, vai ferver o caldeirão”. A bateria realiza uma parada estratégica alguns compassos antes e explode exatamente na entrada do refrão. A retomada acontece com a bateria inteira voltando junta, sem alteração rítmica.

“A bateria evoluiu cada vez mais com o samba, e a nossa ideia sempre foi essa. Desde o começo, montamos o samba junto com a bateria para que ela crescesse junto, e ele está crescendo. Para o dia, a gente tem mais surpresas ainda, inclusive outros estilos de bateria”, diz o mestre.

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