Por Júnior Azevedo, Marielli Patrocínio, Matheus Morais, Luiz Gustavo e Guibsom Romão
A Mocidade Independente de Padre Miguel viveu, nesta sexta-feira, mais um capítulo importante de sua preparação para o Carnaval 2026. Sob pista molhada e clima de expectativa, a Estrela Guia mostrou que aposta alto em um desfile ousado, irreverente e carregado de personalidade com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido por Renato Lage. E, se houve um ponto que concentrou atenções, aplausos e unanimidade, ele esteve no centro da pista: Diogo Jesus e Bruna Santos, que protagonizaram o grande momento do ensaio técnico.
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Vivendo o sexto carnaval pela verde e branco de Padre Miguel, o casal atravessa um de seus melhores momentos na escola e deixou isso claro do início ao fim da apresentação. Energia, vitalidade, sintonia e excelência técnica se combinaram em uma performance que dialoga diretamente com a liberdade estética e comportamental celebrada pelo enredo.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente apostou em uma leitura direta e simbólica do universo de Rita Lee. Vestidos como Anjos da Noite, majoritariamente em preto, com capas, coturnos e alguns componentes exibindo dentes de vampiro, o grupo fez referência explícita a “Doce Vampiro”, um dos maiores sucessos da homenageada.
A coreografia foi simples, bem marcada e executada com boa sincronia, cumprindo com eficiência sua proposta no contexto do ensaio técnico. O desenho coreográfico funcionou, teve leveza e boa resposta do público presente, ainda que sem grandes efeitos ou elementos cenográficos que ampliassem o impacto visual.
A ausência de alegorias cênicas e a paleta escura das fantasias tornaram a apresentação mais contida, reforçando a sensação de que se trata de uma comissão de passagem, pensada para crescer no desfile oficial. Ainda assim, a organização espacial e a execução foram corretas, mostrando um trabalho consistente.
Um ponto de atenção ficou por conta de um incidente isolado: durante a apresentação no primeiro módulo de jurados, uma componente escorregou ao executar um chute no ar, caindo no solo. O episódio foi consequência direta da pista molhada, já que a Mocidade iniciou seu ensaio logo após a passagem da Acadêmicos de Niterói, sob chuva. O ocorrido não comprometeu o conjunto da apresentação, mas serve de alerta para ajustes de segurança e adaptação às condições do piso.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Se o ensaio técnico tivesse um protagonista absoluto, ele seria o casal Diogo Jesus e Bruna Santos. A dupla entregou uma apresentação de altíssimo nível, arrancando aplausos espontâneos do público e reafirmando seu status entre os grandes casais da atualidade.
Bruna mostrou extrema agilidade, intensidade e domínio técnico. Seus giros foram executados com velocidade, precisão e beleza, sempre com postura impecável e leitura clara da bandeira. A energia foi constante em todas as cabines, sem qualquer queda de rendimento.
Diogo, por sua vez, conduziu a apresentação com segurança e personalidade. Seu trançado de pernas foi um dos pontos altos, aliado a uma movimentação fluida e a uma leitura perfeita do tempo musical. A sintonia entre os dois foi evidente, com conduções firmes, trocas bem resolvidas e um bailado coeso, elegante e vibrante.

O casal conseguiu manter intensidade máxima sem abrir mão da técnica, equilibrando vigor físico e refinamento estético. Uma apresentação excepcional, que dialoga diretamente com o espírito libertário do enredo e se coloca como um dos grandes destaques do carnaval que se aproxima.
“Foi maravilhoso o nosso ensaio de hoje. Tecnicamente, melhoramos muitas coisas em relação à outra semana. O chão estava um pouco escorregadio, pois eles passaram uma tinta nova essa semana, mas nada que, no momento, eu e o Diogo não conseguíssemos driblar. Tecnicamente, estamos prontos e agora é só chegar no desfile”, disse a porta-bandeira.

“O que estamos exibindo aqui é a coreografia completa que vai para o desfile. A única coisa que muda é a tensão, a energia, que no dia do desfile aumenta ainda mais. Hoje fizemos o que iremos fazer no dia oficial, entregamos muito e isso foi notório. A Bruna é carregada de técnica, beleza e graciosidade; todas as falas positivas para ela não são em vão. Esse enredo traz mais força para a mulher, e a Bruna está conseguindo incorporar essa força. Da minha parte, estou conseguindo defender bem esse enredo”, completou o mestre-sala.
HARMONIA E SAMBA
O samba-enredo apresentou bom rendimento ao longo do ensaio. A condução de Igor Vianna, ao lado de seus companheiros de carro de som, foi segura e eficiente, garantindo estabilidade e fluidez ao canto da escola.
A harmonia se mostrou leve e espontânea. Os componentes passaram cantando, brincando e se divertindo na avenida, com forte adesão ao samba. Era visível o envolvimento da comunidade, que cantava batendo no peito e demonstrando identificação com a obra.
Apesar de algumas oscilações, sobretudo nos minutos finais, o conjunto funcionou bem e sustentou a escola durante a maior parte da apresentação, reforçando o caráter comunicativo e acessível do samba.
EVOLUÇÃO
A evolução foi um dos quesitos mais bem resolvidos da noite. A Mocidade apresentou excelente preenchimento de pista, sem buracos entre as alas, explorando com inteligência a lateralidade e todo o espaço disponível na avenida.
Os componentes se movimentaram com leveza, trocando posições, brincando e ocupando o espaço de forma orgânica. Em alguns momentos, especialmente na parte final do ensaio, a evolução se mostrou um pouco mais travada, o que é compreensível dentro do ritmo de treino.
A escola encerrou sua apresentação com 78 minutos, dentro do tempo regulamentar, realizando uma evolução correta, consciente e bem distribuída, demonstrando entendimento claro das exigências do quesito.

“Mesmo na chuva, ‘ritaleezamos’ mais uma vez. Mocidade de parabéns: conseguimos mostrar de novo o nosso treino bem executado, as bossas, as paradas, comissão, casal e bateria. Hoje, a gente veio trabalhar a técnica; criamos algumas situações de treino para que, porventura, caso aconteçam no desfile, a gente saiba como se posicionar. Um resultado muito satisfatório. Amanhã, a gente assiste ao desfile. Tem uma equipe nossa que está fazendo o monitoramento, leva amanhã para o nosso escritório e a gente vai assistir ao vídeo. Claro, sempre há algum ajuste a ser melhorado. Afinal, hoje foi mais um treino. A gente não pode errar daqui em diante. O que aconteceu até hoje, a gente leva para casa e ajusta. Mas eu estou muito satisfeito”, afirmou Wallace Capoeira, diretor de carnaval.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Não Existe Mais Quente”, comandada por Mestre Dudu, foi mais uma vez um espetáculo à parte. Com inúmeras bossas e uma cadência muito bem estabelecida, o segmento sustentou o samba com personalidade e impacto sonoro, mantendo o pulso da escola do início ao fim.
“Na semana passada aconteceram alguns pequenos delays, mas é normal: um som novo. Eu confiava que hoje o som estaria bem melhor. Parabenizo o pessoal da Liga, que está nos proporcionando essa novidade no carnaval. O nosso trabalho está sendo feito desde maio, quando anunciaram o enredo da Rita Lee; eu fiquei feliz, Rita Lee é musicalidade. Nossas bossas estão sendo todas feitas em cima da melodia do samba. O sarrafo está muito alto, não dá para fazer mais bossas para dificultar. Trabalhamos em cima das justificativas dos jurados, então tomamos um cuidado enorme com a retomada e a precisão das bossas, que é o que o jurado costuma descontar”, explicou mestre Dudu.
À frente da bateria, a rainha Fabíola Andrade mostrou desenvoltura, carisma e sintonia com os ritmistas, contribuindo para a boa impressão geral do conjunto.









