Vestidas de ‘Axé’, as baianas do Paraíso do Tuiuti encantaram a avenida ao ajudar a contar a historia do Ifá cubano, representando a energia e forca vital. A escola de São Cristóvão abriu a terça de desfiles do Grupo Especial.

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O simbolismo da ala ‘Ashé’ representa o papel das baianas para uma escola de samba. As matriarcas representam aquelas que, no passado, foram fundamentais para a criação das agremiações. Nos dias de hoje, são responsáveis pela tradição das Feijoadas e Cozidos nas escolas de samba, sempre receptivas e acolhedoras.

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Baiana do Império Serrano há 26 anos, Ana Valéria Oliveira remonta o início histórico das ancestrais, e afirma: Ser baiana e carregar o legado de Tia Ciata.

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“Nossa história vem desde lá, e a gente continua. O samba começou no quintal dela. Ela fazia as comidas, ela escondia instrumentos. Porque ela tinha o tabuleiro de quitute, escondia às vezes as coisas embaixo das saias. E as baianas são isso. Tem as feijoadas nas escolas que a gente participa, e geralmente são as baianas que servem”, contou.

Presente também em outras escolas da Série Ouro, Intendente e Carnaval de Niterói, Fabrícia Antunes também destaca o acolhimento que as baianas oferecem as escolas de samba.

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“O papel da baiana é fundamental porque temos papel de acolher, de abraçar. Antes, no período da perseguição, e que havia muitos problemas, não só com os ritmistas, mas com os componentes, as baianas tinham esse papel de ajudar, de acolher, de proteger. É um papel de suma importância, é vital para uma escola, porque sem as baianas falta alguma coisa”, adicionou Fabrícia.

Seguir esse legado é honrar sua ancestralidade, a que também faz ao sair no cortejo em homenagem a Tia Ciata e as baianas, em todo 20 de novembro. Ana ValériA faz parte do grupo ‘Baianas do Samba’, a quem ela atribui a luta pela permanência de um legado com acolhimento, ajuda e incentivo uma as outras.

“Hoje em dia, a baiana está em extinção, por causa do peso [da fantasia]. A maioria delas são hipertensas, diabéticas. Eu sou hipertensa, então fica difícil. É um grupo que a gente se ajuda, principalmente no Carnaval da Intendente Magalhães. A gente faz os grupos, e avisamos “ó, a escola tal tá precisando de tantas baianas, quem é que pode ajudar?” A gente forma aquele grupo para lá e desfilar naquela escola”, afirmou.

O acolhimento não é oferecido apenas ao grupo. Ele se estende a todos que precisam na escola de samba.

“Baiana é um acolhimento. Tudo na escola, tem samba, eles vão no cantinho das baianas. É ritmista, é a passista, “Tia, tem alguma coisa pra comer?” Porque sabem que a mesa da baiana sempre tem, a gente sempre faz alguma coisa. A gente vem representando as mãezonas das escolas de samba”, declarou.

O acolhimento é tão essencial, que Ana conta que sua trajetória como baiana de samba iniciou porque um dia foi acolhida.

“Nunca pensei em ser baiana. Eu tive um relacionamento com um compositor do Império Serrano, falei que queria desfilar, ele me levou a uma ala. Ele foi nascido e criado com a presidente da ala, a tia Eli. E como eu disse, baiana é acolhimento – elas me abraçaram, me acolheram, e eu gostei. Comecei a rodar e nunca mais parei”, compartilhou.

As matriarcas têm papel importante no dia a dia das escolas. Além do ‘coração aberto’, os principais eventos que ocorrem ao longo do ano, vem pelas mãos que amparam a história do samba, e zelam pelo axé das agremiações.

“A gente tenta participar o máximo possível das atividades, fora até do calendário mesmo normal, de ensaios de rua, ensaios técnicos, que também tem outros calendários que acontecem nesse decorrer. Em maio tem o próximo evento, em que se lê o enredo, lê a sinopse do próximo carnaval, e tem o feijão em homenagem aos Pretos Velhos. Tem algumas saídas com a escola, tem convites para um festa de baianas em outras agremiações com irmãs, algumas apresentações extras também, shows que às vezes aparecem também”, disse.