O Morro da Casa Verde apostou em um desfile de impacto e resposta quente das arquibancadas para contar a história de devoção que atravessa o enredo “Santo Antônio de Batalha, faz de mim batalhador!”. A escola apresentou um conjunto coeso, com harmonia como um de seus principais pontos de sustentação ao longo da passagem pelo Anhembi no último sábado, quando foi a sétima a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2. Ao longo dos 49:39 de desfile, a leitura do sincretismo entre Exu, Ogum e Santo Antônio se manteve clara para o público e para as cabines de julgamento. Ainda que tenha apresentado problemas pontuais nas alegorias, como o desacoplamento do abre-alas, não houve abertura de buracos perceptíveis na pista.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, de Ana Carolina Vilela, apresentou a abertura dos caminhos a partir da figura de Exu, estabelecendo o tom ritual do desfile e introduzindo o sincretismo com Santo Antônio que orienta todo o enredo.

A encenação se deu inteiramente no chão, com proposta teatral que valorizou a força do enredo. As fantasias, com predominância de vermelho, dourado e preto, reforçaram a leitura visual ligada a Exu, além da presença de elementos como búzios.

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Foram apresentadas duas coreografias distintas, uma em cada passada do samba, ambas executadas em frente às cabines de julgamento, com interação direta com os jurados. A proposta se manteve regular ao longo do percurso, com boa repetição da estrutura coreográfica e leitura clara do conceito apresentado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal João Lucas e Juliana Souza apresentou o pavilhão dentro da leitura simbólica do setor de apresentação, com coreografias que dialogaram com a “magia de Exu” e com a abertura dos caminhos que estrutura o início do desfile. A condução da dança privilegiou giros amplos, apresentações frontais ao pavilhão e movimentos com referência a danças de matriz africana, mantendo comunicação direta com o público.

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Nas cabines, o casal recebeu boa resposta do primeiro módulo de julgamento, com sorrisos dos jurados durante as apresentações. Não houve registros de falhas técnicas aparentes.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos altos da Verde e Rosa. Desde antes da entrada oficial na pista, a escola já encontrava resposta forte do público, que se manteve pulsante ao longo de todo o percurso. As alas apresentaram canto coletivo intenso, sem oscilações perceptíveis entre setores, o que contribuiu para a construção de um clima de empolgação constante na Avenida, já observado nos ensaios.

A condução do intérprete Wantuir teve papel central na sustentação do rendimento do canto ao longo de toda a pista.

ENREDO

O desenvolvimento do enredo se estruturou a partir da abertura dos caminhos por Exu, avançando pelo sincretismo com Santo Antônio e Ogum, pela trajetória do santo entre fé e tradição popular, até a celebração da devoção no Brasil. A narrativa se manteve compreensível na Avenida, com setores visualmente conectados e leitura coerente, principalmente com o uso de cores que valorizaram a compreensão do enredo e facilitaram a identificação dos diferentes setores.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A leitura da relação de Santo Antônio com as tradições populares, bem como as simpatias ligadas ao amor e ao casamento, além de referências às festas juninas, apareceu ao longo do desfile. A transição entre os universos de Exu e do santo casamenteiro aconteceu de maneira orgânica, permitindo acompanhar com fluidez a passagem do sincretismo religioso.

EVOLUÇÃO

O desfile apresentou boa fluidez ao longo do percurso, sem registro de buracos perceptíveis na pista. Mesmo com ocorrências pontuais envolvendo desacoplamento de alegorias, a escola conseguiu manter o avanço regular dos setores, sem necessidade de recomposições improvisadas de alas para preenchimento dos espaços.

A progressão dos setores também ocorreu de forma contínua, contribuindo para a sensação de desfile “cheio” do início ao fim.

SAMBA

O samba-enredo confirmou no desfile oficial a força que já vinha sendo observada nos ensaios. Sustentou o andamento do desfile ao longo de todo o percurso. A resposta coletiva se manteve consistente, com destaque para os trechos de maior apelo popular, como os dois refrões, e as bossas bem executadas. O samba é funcional e favorece a interação entre escola e público.

A relação entre melodia, andamento da bateria do mestre Léo Bonfim e condução do intérprete contribuiu para manter o ritmo do desfile.

FANTASIAS

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As fantasias acompanharam a narrativa do enredo. O setor de apresentação exibiu leitura visual forte, com predominância de vermelho, dourado e preto, além da presença marcante de símbolos como búzios, velas, marafo e fogueira. No geral, as escolhas de cores ajudaram a marcar a transição entre os três setores do desfile, permitindo identificar com clareza onde cada setor se encerrava e o seguinte se iniciava.

As baianas, representando Pomba-Gira, integraram-se bem ao conjunto visual do setor inicial, enquanto a ala “Na Batina do Padre tem dendê” trouxe leitura divertida do sincretismo proposto. No último setor, a ala de festa junina apresentou boa identificação com a popularidade da devoção a Santo Antônio.

É válido mencionar também a ala PCD e o segundo casal, representados como noivos, que dialogaram com a narrativa do santo casamenteiro. A fantasia da bateria, apesar da boa concepção ao unir a batina ao imaginário de Santo Antônio, apresentou acabamento irregular na parte da cabeça.

ALEGORIAS

As alegorias concentraram as principais fragilidades do desfile. O abre-alas “Tronqueira de Exu” cumpriu a função de apresentar a abertura dos caminhos, com símbolos reconhecíveis ligados a Exu, mas apresentou problemas de acoplamento ao longo do percurso. O desacoplamento entre as duas partes da estrutura chamou atenção visualmente, ainda que não tenha provocado abertura de buraco, nem comprometido a evolução.

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No último carro, houve mais um problema com a estrutura acoplada e, por muito pouco, não ocorreu um choque entre as partes na altura do recuo. Além disso, neste último carro, a plástica deixou a desejar. Apresentou acabamento simples, com colagens aparentes na parte do teto da igreja, o que afetou a qualidade visual da alegoria.

OUTROS DESTAQUES

Dona Guga foi o principal destaque da escola, no último carro, cantando e dançando com intensidade e sendo aclamada em diferentes setores da Avenida. Figura histórica e símbolo do carnaval paulistano, sua presença sempre carrega forte valor representativo, especialmente por sua trajetória.

A bateria do mestre Léo Bonfim apresentou bom rendimento ao longo do percurso e dialogou diretamente com a arquibancada Monumental nas bossas, com viradas para o setor e interação que levantou o público. A rainha de bateria, Bruna Costa, teve participação presente à frente da bateria, cantando o samba ao longo do desfile.