A primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo mostrou que o Carnaval de 2026 continua equilibrado e provavelmente será decidido novamente nos detalhes. Dragões e Tatuapé largam na frente, com os desfiles mais técnicos desta madrugada inicial.
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MUM e Colorado surpreendem pela beleza e originalidade plástica. Enquanto Barroca, Vai-Vai e Rosas apostaram na empolgação de suas comunidades e em belos sambas para tentarem entrar nessa briga também. Confira o ponto de vista do último setor do Anhembi.
Mocidade Unida da Mooca
Das sete escolas que passaram pelo Anhembi na sexta-feira, a Mocidade Unida da Mooca foi a única estreante no Grupo Especial. E logo na entrada foi possível ver que a comunidade da MUM soube lidar bem com tamanha expectativa. O forte samba-enredo, conduzido pelo competente time de canto (Emerson Dias, Gui Cruz e Ste Oliveira) e sustentado pela bateria Chapa Quente, proporcionou toda a empolgação que a escola precisava para fazer uma grande abertura de Carnaval.

Mais um ponto alto do desfile foram as alegorias e fantasias de extremo bom gosto e capricho. O carnavalesco Renan Ribeiro desenvolveu o enredo “Gèlèdés Agbará Obinrin” exaltando a mulher negra a partir da cultura iorubá, com alas de fácil leitura, o que contribuiu para a aceitação popular. O casal Jeferson Gomes e Karina Zamparolli apresentou um bailado muito sincronizado e seguro, indo além das belas fantasias.

A MUM veio com um canto uniforme, no entanto, demorou 39 minutos para chegar com a sua comissão de frente ao setor E, o último do sambódromo. Isso fez com que a escola acelerasse mais o passo a partir de seu segundo setor, buscando não comprometer o tempo máximo do desfile. O cronômetro foi encerrado com 1h05 minutos, faltando apenas 20 segundos para estourar o limite.
Colorado do Brás
Já não era mais sexta-feira, 13, quando a Colorado do Brás pisou na avenida do samba com o enredo: A Bruxa Está Solta, Senhoras do Saber Renascem na Colorado. E a “cabeça” da escola foi de arrepiar a arquibancada. Especialmente pela comissão de frente, com bastante dramaticidade e expressão facial, e que soube muito bem conquistar o público com o seu caldeirão efervescente.

Em tons escuros, com uma iluminação lilás, o carro abre-alas gerou grande impacto pela beleza e criatividade. As fantasias da Colorado pareciam ter uma leveza incomum e também eram de fácil leitura. O enredo retratou um pouco da perseguição de mulheres sábias que foram demonizadas como bruxas de forma pejorativa. Em uma das alegorias a escola trouxe esculturas de personagens “bruxas” de diferentes universos ficcionais.

O casal Brunno Mathias e Jessika Barbosa veio com belíssimas fantasias, e se mostraram alegres e atentos. A Colorado de forma geral evoluiu tranquilamente e de maneira uniforme ao longo da passarela, porém o canto da comunidade, no último setor, poderia ter sido mais intenso. A escola encerrou sua passagem pela avenida com tranquilidade quando o relógio marcou 1h02 minutos.
Dragões da Real
Na busca do seu primeiro título no Grupo Especial, a Dragões apostou no luxo e no requinte para fazer o desfile mais correto da noite, do ponto de vista do setor E. Trazendo um enredo sobre as “Guerreiras Icamiabas”, a escola mostrou logo a que veio nas primeiras passadas do samba.

Uma marcante comissão de frente abriu o desfile da tricolor, que apresentou uma coreografia de fácil leitura e muito bem ensaiada. Outro grande destaque do desfile fica por conta do imenso dragão, símbolo da escola, que vinha no carro abre-alas. Aliás, um conjunto alegórico de extremo bom gosto. Assim como as fantasias, que possuíam uma bela variação na paleta de cores.

O samba foi bem interpretado pelo Renê Sobral, que juntamente com a bateria Ritmo Que Incendeia, ajudou a trazer o público para cantar junto com a escola. Um canto potente deu o tom do desfile que se candidata ao título do carnaval. A escola fechou a sua apresentação com 1h03 minutos, sem problemas.

Acadêmicos do Tatuapé
Falando sobre a reforma agrária, a azul e branca da Zona Leste trouxe o enredo “Plantar pra Colher e Alimentar, Tem Muita Terra Sem Gente? Tem Muita Gente sem Terra”. E a bela comissão de frente do Tatuapé veio coesa e bem ensaiada, porém com um grande elemento alegórico que acabava tampando a visão do abre-alas.

O primeiro casal, Diego e Jussara, se mostraram muito seguros e bem conectados em seus movimentos. O canto da comunidade foi intenso ao longo do desfile, enquanto a evolução da agremiação se manteve constante pelo Anhembi. O samba funcionou, assim como a bateria que, sob os comandos de mestre Cassiano foi sem dúvidas uma das melhores da noite.

As fantasias do Tatuapé foram outro destaque do desfile. Alas extremamente diversas nas cores, criativas nos materiais e de fácil leitura no enredo. O carro abre-alas foi outro ponto alto da escola, porém as demais alegorias pareciam não acompanhar o mesmo gigantismo ou a mesma originalidade. A escola fechou o portão com 1h02 minutos.
Rosas de Ouro
Atual campeã do último carnaval, a Rosas de Ouro apostou na astrologia para tentar o bicampeonato em 2026. Porém, devido a um atraso no envio da pasta com informações do desfile à Liga, a escola começará a apuração com menos 0,5 décimos, o que já dificultaria bastante essa missão inicial da roseira. Um dos destaques do belo desfile é o desempenho da bateria de mestre Rafa, juntamente com a interpretação de Carlos Jr.

Plasticamente foi o melhor conjunto da noite, tanto em fantasias, quanto em alegorias. Nitidamente se viu uma escola luxosa e opulenta, relembrando os grandes carnavais da Rosas de Ouro. Mas a saída de um componente da comissão de frente, ainda na concentração, pode comprometer ainda mais as previsões iniciais da azul e rosa da Brasilândia. Ele formaria, junto com o restante dos integrantes, os 12 signos, que acabaram ficando incompletos sem o signo de Leão.

A evolução manteve um bom ritmo durante toda a passagem da Rosas de Ouro, que demorou quase uma hora para entrar no sambódromo devido à resíduos de óleo que acabaram ficando pela pista após a passagem da escola anterior. O casal Uilian e Isabel esbanjou sincronia e elegância na dança executada no setor final. A roseira encerrou sua passagem com 1h03 minutos.
Vai-Vai
Já pela manhã de sábado, com um céu avermelhado, o Vai-Vai entrou na passarela com a força do chão de sua comunidade, acompanhada pelas arquibancadas. O público do Anhembi passou a tremular as bandeiras alvinegras enquanto a escola cantava sobre os estúdios de cinema “Vera Cruz” e a cidade de São Bernardo. O samba-enredo, conduzido por Luiz Felipe, cumpriu sua função de embalar o desfile, ao lado da bateria Pegada de Macaco.

Logo no início, uma comissão de frente muito bem coreografada e dramatizada apresentava grandes personagens do estúdio Vera Cruz, como Amacio Mazzaropi, com toda a irreverência que lhe era característico. Vedetes também abrilhantaram a bela apresentação do quesito. O casal estreante, Pedro e Mirelly, realizou uma passagem segura e bem conectada nos movimentos. A parte plástica da escola começou impactante, mas com algumas falhas de acabamento em um dos rolos de fita do carro abre-alas.

As fantasias e os dois últimos carros eram um pouco mais simples do que o que havia passado no Anhembi até então. Além disso, a escola iniciou o desfile no ritmo acelerado que lhe é característico, o que fez com que a parte final da escola parasse por alguns instantes antes de adentrar a dispersão. O Vai-Vai fechou o portão com tranquilidade quando o relógio marcou 1h04.
Barroca Zona Sul
Encerrando a sexta-feira de Carnaval, a Barroca Zona Sul só não desfilou com sol porque o dia estava nublado. Com o enredo “Oro Mi Maió Oxum”, a verde e rosa selecionou para a avenida diversas histórias com o protagonismo da orixá do ouro. O que gerou um dos melhores sambas de enredo da safra de 2026, brilhantemente puxado no desfile por Dodô Ananias e Tinguinha.

Logo no carro abre-alas, uma imensa escultura de Oxum em dourado resplandecia sob o céu acinzentado de São Paulo. As outras alegorias também acompanharam a beleza e a criatividade do primeiro carro, porém algumas falhas de acabamento foram observadas na lateral esquerda do último carro. As fantasias mantiveram o grande nível plástico da Barroca, dando um belo efeito visual no conjunto da escola.

O canto da comunidade da Zona Sul foi outro grande destaque do desfile. No entanto, a evolução da escola deixou um pouco a desejar logo após a bateria Tudo Nosso adentrar ao recuo. Já o casal Cley e Lenita fez uma apresentação segura e bem sintonizada no Setor E. A escola encerrou sua passagem dentro do tempo limite sem mais problemas.










