Antes de deixar a explosão dos tambores e do canto tomar conta da Sapucaí com um samba-enredo que caiu na boca do povo, a Beija-Flor abriu o desfile com silêncio. Mas não estamos falando do silêncio sonoro, e sim, do da espiritualidade. O monumental abre-alas, intitulado “No silêncio que antecede o tambor”, representou os 16 dias de recolhimento que antecedem o Bembé, marcando o tempo sagrado destinado a preparação espiritual para a celebração acontecer.

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Detalhes do abre-alas da BeijaFlor
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O carro era predominado pela cor branca, associada a equilíbrio, paz e tranquilidade, significando esse período. A Sapucaí foi transformada em uma extensão do terreiro, se reafirmando como um espaço de manifestação da fé e resistência.

Hercules Cruz de 25 anos
Hércules Cruz, de 25 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

O ator Hércules Cruz, de 25 anos, veio como destaque no carro e comentou que, apesar da proposta de introspecção, o sentimento provocado nele ao ver a alegoria é mais de celebração.

“É um enorme sentimento de celebração, de pureza, uma alegria que vem de dentro para fora. Para mim, a cor branca representa a suavidade, as águas limpas, o céu claro, o novo dia que está para raiar, a nova chance de batalhar para o novo dia e tudo de mais incrível desse mundo”, comentou.

Ao falar sobre a importância de transformar a Sapucaí em espaço de rito do Bembé, que ocupa a rua há mais de 136 anos, Hércules ressaltou: “Eu acho muito importante, porque é uma história que tem que ser muito conhecida mesmo. O Bembé é uma força ancestral, e por isso, assim como a Beija-Flor. Só ela poderia contar essa história”.

Isis Cristine de 40 anos
Isis Cristine, de 40 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A assistente de design Isis Cristine, de 40 anos, candomblecista há 26 anos, vê o desfile como uma grande afirmação do sagrado e da ancestralidade.

“É valorizar quem veio antes de nós. Sem a ancestralidade, sem os nossos antepassados, nossos avós, bisavós, pais, nós não estaríamos aqui. Exaltá-los é uma forma de agradecer a luta deles, porque foi mais difícil para eles. Nós chegamos em uma fase mais tranquila da manifetsção da nossa religiosidade, entre aspas. Ainda falta muito para conquistarmos a totalidade e a reparação histórica de uma forma geral. Mas eles passaram muito mais preconceito, muito mais discriminação, muito mais rejeição do que nós. Estar aqui nessa celebração significa resistência”, pontuou.

Juan de Castro de 31 anos
Juan de Castro, de 31 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Já o professor Juan de Castro, de 31 anos, professor, morador de Nilópolis e torcedor da escola, afirmou que o carro lhe despertou sentimentos múltiplos:“Me remete tanto à celebração quanto à tranquilidade, leveza, calma, tranquilidade, ao início de tudo. Como abre-alas, estamos abrindo da melhor forma possível. Mesmo representando tranquilidade, vamos levantar a poeira e dar o nosso nome aí na avenida”.

Tchelsea Barbosa de 18 anos
Tchelsea Barbosa, de 18 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A estudante e empresária Tchelsea Barbosa, de 18 anos, estudante e empresária, moradora de Jacarepaguá, desfilou pela primeira vez na Azul e Branca, e resumiu o impacto que o abre-alas lhe causou.

“Eu vejo a celebração junto com a paz. Nem tudo que é animado precisa ser caos. O Carnaval é felicidade, é emoção e tranquilodade também, afinal, nada melhor do que curtir de forma leve”.

Gabriel Souza de 25 anos
Gabriel Souza, de 25 anos
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Já o empresário Gabriel Souza, de 25 anos, resumiu o sentimento fazendo um apelo: “Temos que estar sempre celebrando, para que não haja intolerância. É magnífico estar desfilando em um carro tão importante quanto esse”.