A bateria “Furiosa” do Salgueiro homenageou o enredo “Nem todo pirata tem perna de pau, olho de vidro e a cara de mau”, idealizado por Rosa Magalhães para a Imperatriz Leopoldinense. Os integrantes vieram fantasiados de piratas e na apresentação havia a presença de um tripé representado um barco-pirata, que se movia à frente, levando a rainha Viviane Araujo. Conectados com o nome da bateria, furiosa, e o imaginário dos piratas, os ritmistas estiveram com muito fervor e ansiedade em adentrar à avenida. 

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Bateria Furiosa do Salgueiro. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Vitor Hugo Baluardo, auxiliar de RH de 22 anos, afirma que sua fantasia se casa perfeitamente com a ideia que o nome “Bateria Furiosa” representa.

“Eu acho que essa fantasia pode dar um pouco de medo na galera, uma forma da gente se impor para quem está assistindo. Vai ser o casamento perfeito a fantasia de pirata com o nome da bateria”, afirmou Vitor. 

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Vitor Hugo Baluardo. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“É um momento que a gente para para fazer o arranjo, a paradinha da bateria, e é o momento que o navio, que é o tripé que vai passar por dentro da bateria, com a Viviane Araújo em cima, na bossa que fala no refrão do meio sobre ‘navegar'”, diz Vitor sobre a presença do tripé na apresentação. 

A advogada Natália Duarta, de 42 anos, esta em seu segundo ano pela agremiação e acredita que a fantasia de pirata dará mais animo para a furiosa ser potente, sobretudo, devido ao calor de sua fantasia. 

“A fantasia tá tão quente que a gente já vai chegar aqui na agressividade real, porque ou a gente vai na agressividade ou a gente vai morrer”, declarou Natália. 

Para ela, a presença de um tripé “Barco-Pirata” na evolução da bateria dará empolgação aos espectadores. 

“Fica mais empolgado porque o público vai gritar, a gente vai sentir a energia da Sapucaí e aí a gente vai tocar com mais vontade”, afirmou a advogada. 

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Marcos Vinicius. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O coordenador de recepção, Marcos Vinicius,  de 25 anos, desfila no Salgueiro há 6 anos e afirma que o tripé não muda a animação da bateria, mas sim a recepção do público. Marcos desabafou sobre as condições desagradáveis de sua fantasia: 

“Eu acho que os carnavalescos precisam ter um olhar mais cuidadoso pros ritmistas, porque essa fantasia além de estar quente, está pesada. A gente pintou a cara e ainda vai ter que botar uma máscara. A gente tem que olhar os mestres, tem que olhar os diretores, tem que estar atento a tudo. Porém, com essa fantasia pesada, quente, não dá. Muitas pessoas estão reclamando de calor e muitas pessoas não vão conseguir desfilar na avenida por conta dessa fantasia quente”. 

Ana
Ana Clara. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Ana Clara Ramos, técnica em administração de 22 anos, está em seu segundo ano desfilando no Salgueiro e apesar de estar sonhando com o título e com a nota 40 para o quesito que defende, acredita que sua fantasia dificultará o desempenho da bateria, sobretudo, devido ao peso e aos tecidos quentes, que estava machucando. 

“A fantasia está linda, só que ela está muito quente e isso está acabando com a gente. Gostei, mas está muito quente e isso daí possa ser um problema. Eu queria também sinalizar aos profissionais carnavalescos para respeitarem e terem mais atenção a gente. A gente é da bateria, é mais esforço que a gente faz com os instrumentos e aí a gente precisa ter roupas leves para poder ter um desfile mais confortável, se sentir mais à vontade com a roupa. Por exemplo, essa calça aqui na minha perna está cortando bastante”, declarou Ana Clara. 

Wallace
Wallace. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Wallace Santos, barbeiro profissional de 24 anos, desfila na agremiação desde sua infância, na escola Mirim. Para ele, a agressividade positiva que a bateria tem ao tocar não é uma exclusividade da fantasia de pirata, por ser algo que já estar no sangue dos integrantes da bateria. 

“Independente da fantasia já é raiz. Pode ser uma fantasia em qualquer sentido, mas a Furiosa está na raiz e na veia. A gente sempre bota tudo que a gente trabalhou, mas em questão de ser pirata, eu acho que não vem muito ao caso não, porque é o amor, é paixão, é tudo que a gente deixa ali, tudo que a gente já trabalhou, que a gente deixa de corpo e alma na avenida e é por isso que a gente é mais conhecido aí como Furiosa”, afirmou Wallace. 

Nesta noite, a bateria mostrou que, independente de fantasia e representações, sua potência resiste e deve ser respeitada, aclamada e reverenciada por todos os que veem.