Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias, Lucas Sampaio e Will Ferreira

A Barroca Zona Sul realizou no último sábado o segundo ensaio técnico rumo ao Carnaval 2026. O treino foi marcado por uma considerável evolução em relação ao primeiro ensaio, realizado há duas semanas, principalmente pelo vigor no canto e por uma evolução mais solta e alegre. Outro destaque vai para a comissão de frente, liderada pelo coreógrafo Chris Brasil. Trata-se de uma leitura possível de ser decifrada, mas que ainda guarda muitos pontos a serem desvendados e que serão revelados apenas no dia do desfile oficial. É uma escola madura, que ainda precisa de ajustes para não errar no Anhembi no grande dia, além de outras questões envolvendo o barracão. A Barroca Zona Sul terminou o ensaio técnico em um tempo satisfatório, com 59 minutos.

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A escola será a última a desfilar na sexta-feira de Carnaval, com o enredo “Oro Mi Maió Oxum”, assinado pelo carnavalesco Pedro Magoo.

COMISSÃO DE FRENTE

A ala, coreografada por Chris Brasil, apresentou uma coreografia complexa, mas com pontos que já permitem uma boa leitura. A maioria dos bailarinos estava vestida de dourado. Oxum reluz muito ouro e, também no tripé utilizado na coreografia, quatro ou cinco componentes vestiam as cores azul, interpretadas como os rios, cachoeiras e águas de Oxum, bem conhecida por ser a entidade desse elemento.

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Um pouco abaixo do topo do tripé estava a figura da própria yabá, que realizava movimentos típicos da entidade e, em determinado momento, descia e puxava uma espécie de pano que ficava dentro de uma gaveta. Ainda não é possível saber exatamente o significado da ação, mas é certo que tudo será compreendido no desfile oficial. Fato é que, por ser o tema da escola, Oxum é muito exaltada na comissão de frente e aparece em diversos momentos da apresentação.

Entretanto, aqui vale um ponto de atenção: o topo do tripé é alto, e a cabine localizada no Setor H é praticamente térrea, o que inviabiliza a visão. Resta ver como isso será julgado no dia do desfile.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Cley Ferreira e Lenita Magrini foi o único a ensaiar com a pista molhada, já que houve uma leve chuva no começo do treino. Ainda assim, não sentiram esse percalço e ensaiaram normalmente. Destaque para a porta-bandeira, que não se intimidou com as condições do chão e executou os giros horário e anti-horário com a intensidade que lhe é característica.

Na análise em frente ao Setor D, foi possível observar que a dupla cumpriu todos os balizamentos exigidos pelo manual do julgador, apostando na técnica e sem dar tanta ênfase à coreografia dentro do samba. Com isso, Cley e Lenita realizaram um ensaio seguro, mesmo estando juntos pela primeira vez. O mestre-sala atuava como segundo e foi promovido para dançar com a primeira porta-bandeira, que está há muitos anos na verde e rosa do Jabaquara.

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“A chuva veio e trouxe um presentinho para nós, mas, graças a Deus, conseguimos concluir o primeiro ensaio e nele atingimos 95%. Neste, saímos com 98%, e ainda há algumas coisinhas simples para ajustar. O importante é que conseguimos concluir os dois técnicos com mais da metade do projeto já realizada. Saímos bem tranquilos com isso. Quando falamos em mais da metade do projeto concluído, é porque nunca achamos que está bom o suficiente. Temos que praticar todos os dias para melhorar. O trabalho foi entregue, mas ainda temos muito a evoluir no quesito técnico e profissional”, comentou Lenita.

“A escola veio mais forte, cantando mais, e daqui para frente é melhorar sempre. Não podemos deixar isso se tornar algo comum. O Carnaval é um jogo, e ninguém entra querendo perder. Tenho certeza de que nossa comunidade está vindo com força total para entregar o melhor e buscar uma estrela para o nosso pavilhão”, afirmou o mestre-sala.

HARMONIA

O canto da comunidade da Barroca Zona Sul melhorou consideravelmente em relação ao primeiro ensaio, a ponto de apresentar um desempenho em nível semelhante ao do Carnaval 2025. É verdade que a melodia dos dois sambas é diferente, mas a régua da verde e rosa subiu, e a expectativa é alta para as apresentações na quadra e no Anhembi.
Os componentes cantaram forte durante todo o percurso e não deixaram o ritmo cair, algo muito importante para a avaliação na cabine final. Não há versos ou estrofes que destoem dos demais, fato que deve ser comemorado pela escola. Destaca-se também a facilidade dos desfilantes em cantar as palavras de origem afro, que aparecem com maior frequência em relação à obra de 2025.

EVOLUÇÃO

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Os componentes evoluíram de um lado para o outro de maneira leve e descontraída. Não houve registro de buracos ou divisão de alas e, portanto, nenhuma ocorrência que precisasse ser solucionada durante o ensaio. Vale ressaltar a saída da bateria do recuo, feita de maneira limpa, rápida e sem erros.

Trata-se de um grande ponto positivo para o time de harmonia e para o mestre Fernando Negão. Não houve necessidade de parar a escola por muito tempo para realizar a manobra, que foi executada de forma objetiva. Isso merece destaque, pois uma das cabines de evolução fica em frente a um dos jurados, localizada na parte térrea do Setor C.

SAMBA-ENREDO

A dupla Dodô Ananias e Rafael Tinguinha mostrou bom entrosamento durante o ensaio. Foi interessante ver Dodô fazendo cacos e brincando com o mestre Fernando Negão a cada bossa executada. O entrosamento fica evidente pelo fato de não atropelarem um ao outro, respeitando o tempo de cada um.
Para uma dupla formada recentemente e que pisa no Anhembi pela segunda vez, esse aspecto merece destaque. O carro de som e seus apoios ajudam bastante, assim como o entrosamento com a bateria Tudo Nosso.

“O que posso dizer é que estamos em uma crescente. Viemos do último ensaio ajustando algumas coisas, chegamos aqui com um sentimento positivo e agora foi ainda melhor. Saímos com a sensação de dever cumprido. Claro que sempre há algo para ajustar, mas agora são detalhes mínimos. Vamos com tudo para fazer o melhor desfile da Barroca Zona Sul dos últimos anos”, disse Tinguinha.

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“No último ensaio tivemos alguns problemas de oscilação de andamento, e acredito que neste corrigimos isso. O som da avenida favorece, pois conseguimos ter a massa sonora e a escola cantando no mesmo andamento. Sanamos bem nossas dificuldades e chegamos bem preparados. Gostei bastante do resultado desse ensaio”, declarou Dodô.

OUTROS DESTAQUES

A bateria Tudo Nosso, comandada pelo mestre Fernando Negão, executou as bossas buscando precisão nos compassos, com destaque para a do refrão principal, em que os leques dos chocalhos aparecem novamente.

“A gente avançou um pouco em relação ao que ensaiamos no sábado passado e na quarta-feira. Faltam alguns detalhes e ajustes, mas já estamos cerca de 90% encaminhados. O samba é muito bom e a galera gostou bastante, assim como aconteceu no último ano. Estamos vivendo uma boa safra de sambas, seguindo uma linha afro, e esse é o caminho. Isso exige dedicação, ensaio e empenho meu e da minha rapaziada, que é a minha diretoria”, avaliou o mestre Negão.