Escolas de samba ligadas ao mundo do futebol são novidade na Sapucaí. O Botafogo Samba Clube é o primeiro dessa linha a desfilar no Grupo Ouro e encara o segundo ano na disputa por uma vaga no Grupo Especial. Para o Carnaval 2026, a ideia é quebrar o estigma e se afastar dos enredos futebolísticos ao celebrar as obras do paisagista Roberto Burle Marx.

Barracoes Botafogo Samba Clube Alexandre e Raphael

O enredo “O Brasil que Floresce em Arte” foi idealizado pelos carnavalescos Alexandre Rangel e Raphael Torres, que contaram ao CARNAVALESCO que a proposta alegre e colorida já existia antes mesmo da chegada à agremiação.

“A gente tem esse enredo há algum tempo, mas ainda não tinha tido a oportunidade de colocá-lo em uma escola. Fomos chamados para o Botafogo Samba Clube e, quando entramos, criamos uma proposta bem colorida, bem alegre, bem diferente do que foi apresentado no último carnaval, porque queríamos desvincular a escola de samba do futebol. A primeira proposta que apresentamos para a escola foi justamente o enredo sobre Burle Marx. Eles aceitaram, gostaram da ideia, e a intenção foi essa: trazer um enredo bem colorido, bem diferente do último carnaval”, afirmou Alexandre.

“Na verdade, o diferencial do enredo é justamente a valorização da flora, a relação do Burle Marx com o legado que ele deixou, que é o Sítio Roberto Burle Marx. E é justamente esse colorido que faz todo o diferencial para esse desfile”, completou Raphael.

Os carnavalescos garantem que a preto e branco do Engenho de Dentro virá imponente, com esculturas bem articuladas — apontadas como o grande destaque do desfile:

“O grande trunfo é uma escola imponente, com bastante movimento nas alegorias. É o colorido. Então, todos esses pontos que estamos conversando, esse conjunto, é o diferencial que vai impactar na avenida”, disse o carnavalesco.

Plástica e fantasias

O carnaval do Botafogo Samba Clube nasce aos pés da Praça da Apoteose. No galpão, folhagens, flores e brilho ganham vida para representar as paisagens históricas de Burle Marx.

As alegorias já se mostram imponentes, mesmo ainda em montagem, já que o pé-direito baixo do galpão não permite os toques finais nas esculturas que serão adicionadas. Ainda assim, dão um gostinho do que será apresentado no segundo dia de desfiles do Grupo Ouro, em 14 de fevereiro. Segundo a dupla de carnavalescos, o desfile será leve e de fácil leitura para o público.

Detalhes Alegoria Botafogo Samba Clube 2

“O carnaval do Botafogo Samba Clube terá leitura direta. Você vai entender nitidamente quando a escola entrar na avenida. Vai saber o que é a ala do pintor, a ala das bromélias e assim sucessivamente”, explicou Raphael.

“As fantasias e alegorias casam com o samba para dar compreensão ao enredo. Haverá uma leitura bem fácil para todas as pessoas que estiverem assistindo”, disse Alexandre.

“O desfile é um teatro de arena. Você precisa entender a narrativa do enredo. Pega aquele glossário, começa a entender e reconhece uma ala dos Pampas, ala dos Pintores… Você vai abrindo a mente. É uma aula de história”, acrescentou Raphael.

Samba-enredo

O samba que será entoado na avenida foi encomendado de forma estratégica para contar essa história. A obra é assinada por Diego Nicolau, Samir Trindade, Marcelo Adnet, Fabrício Senna, Binho Simões, Maurício da Pizzaria, Gabriel Machado, Gilsinho da Vila, Rodrigo Escócia, Cláudio Emiliano, Edu Botafogo, Liane Harmonia, Denis Moraes, Tange Botafogo, Juca, Laura Romero, Piter Fogoró, Pinóquio do Cavaco e Jefferson Oliveira.

Detalhes Alegoria Botafogo Samba Clube

Para os carnavalescos, a escolha foi perfeita para dialogar com a plástica apresentada:

“O samba está bem amarrado para contar a história do Roberto Burle Marx, e justamente a plástica junto com o samba faz a gente ter um entendimento de tudo que será apresentado”, afirmou Alexandre.

Entenda o desfile

Burle Marx foi um artista multilinguagem: paisagista, artista plástico, pintor e designer. Foi responsável por introduzir o paisagismo modernista no Brasil, além de produzir jardins com plantas nativas, valorizando a flora nacional e a diversidade da vegetação tropical.

Autor de mais de 3 mil jardins pelo mundo, tem entre suas obras mais conhecidas o Calçadão de Copacabana, os jardins do MAM (RJ), o Parque Ibirapuera (SP) e o Sítio Roberto Burle Marx, no Rio de Janeiro — Patrimônio Mundial da UNESCO e tombado pelo IPHAN como patrimônio nacional.

Seu legado será retratado por meio de 3 alegorias, 20 alas e 2.500 componentes.

Setor 1

“No primeiro setor, vamos abordar o abstrato de Burle Marx, já entrando no modernismo. O abre-alas é um jardim do imaginário dele — uma alusão ao abstrato e ao modernismo, movimento por meio do qual ele começou a desenvolver esses jardins.

A comissão de frente não terá nada a ver com o que foi apresentado no ensaio técnico — é uma surpresa. Também haverá um elemento cenográfico que vai impactar bastante.”

Detalhes Abre Alas Botafogo Samba Clube

Setor 2

“O segundo setor marca a entrada no modernismo. A segunda alegoria representa as expedições que ele fez pelos biomas. Nesse setor também haverá uma ala dedicada ao Calçadão de Copacabana, uma de suas obras mais famosas.”

Setor 3

“O último setor destaca o legado de Roberto Burle Marx, que é o Sítio Roberto Burle Marx, Patrimônio Mundial da Humanidade. A terceira alegoria representa o sítio, com esse destaque na parte frontal do carro.”