Por Allan Duffes, Juliana Henrik, Júnior Azevedo e Luiz Gustavo

A Unidos de Bangu fez seu ensaio técnico na Sapucaí e comprovou a qualidade e a força do seu samba. A boa evolução da escola não foi acompanhada pela harmonia, que se mostrou irregular, com muitos componentes cantando apenas o refrão ou não cantando. A comissão de frente fez boa apresentação, mas o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira precisa de mais conexão na dança. Bangu será a quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, com o enredo “As coisas que mamãe me ensinou”, uma homenagem a Leci Brandão, desenvolvido pelos carnavalescos Lino Sales, Alexandre Costa e Marcus du Val.

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COMISSÃO DE FRENTE

Apostando no samba no pé, a comissão de frente da Bangu levou 19 componentes para o ensaio técnico, revelando uma possível troca de elenco no desfile, uma vez que 15 é o número máximo de pessoas aparentes na apresentação do quesito.

A coreografia, assinada por Fábio Costa, não teve um ápice ou confetes explodindo, como está na moda, mas mostrou muito sincronismo entre os componentes. Até na troca do elenco masculino, tudo funcionou muito bem.

Um grupo de sete homens samba com sete mulheres, com roupas vermelhas, enquanto outros cinco homens ficam parados, de costas, no fundo da cena, com terno branco. Na metade do samba, o elenco masculino é trocado. Boa apresentação.

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“A gente traz um pedacinho da coreografia oficial para testar a movimentação. Muita coisa não dá para fazer porque a gente depende de elementos alegóricos e de toda essa estrutura, mas foi uma passagem muito boa, com um andamento bom da galera, cantando o samba, se divertindo e trazendo essa alma do sambista, que é o que queremos apresentar para homenagear a Leci. Foi um desfile muito bom, e estou muito satisfeito com o resultado. Mesmo com a pista molhada por conta da chuva, a gente até pede para eles pegarem um pouquinho mais leve, mas foram com garra e aproveitaram a chuva para refrescar. Foi uma bela apresentação”, afirmou o coreógrafo.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Os movimentos de Leonardo Moreira e Bárbara Moura foram bem executados, a coreografia foi interessante e não enfrentaram nenhum problema nos módulos. O ponto de maior destaque foi no final da apresentação, quando fazem a saudação para Ogum, na virada para o refrão principal.

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Individualmente, Leonardo e Bárbara cumpriram a missão. Porém, ainda pode interagir mais e ficarem mais próximos. O mestre-sala corteja a porta-bandeira de forma distante, apesar do sorriso constante e simpático de Leonardo.

A indumentária de Bárbara, com a tentativa de saia rodada, não ajudou o desempenho da artista. No primeiro módulo, o efeito do rodado até funcionou, apesar de algumas vezes enroscar nas pernas. No segundo módulo, quando havia mais vento, a saia grudou em suas pernas e pouco fez o efeito rodado, exceto quando a própria Bárbara levantou a saia. Porém, não atrapalhou a evolução.

“Foi um ensaio técnico proveitoso. Viemos com a proposta de testar o que já vínhamos treinando, e acho que o teste foi válido. A escola se comportou bem, a gente também se sentiu bem na avenida, e agora é só ajustar os detalhes para o grande dia. O ajuste é constante. A gente busca a excelência e, para isso, precisa estar atento a tudo: ao tempo da música, ao espaço da avenida e à nossa conexão. O que falta é esse polimento final que só o treino exaustivo proporciona. Para o desfile, espero que a Bangu venha com a garra que sempre teve, que a gente consiga transmitir toda a alegria e o trabalho que estamos realizando no barracão e na quadra. Espero um desfile impecável, em que cada componente dê o seu melhor para a gente alcançar o nosso objetivo”, disse o mestre-sala.

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“Eu achei um ensaio muito produtivo. Conseguimos colocar em prática o que planejamos para hoje, sentimos a vibração da escola e a recepção do público. Saímos daqui com a sensação de dever cumprido por essa etapa, mas cientes de que o trabalho continua. A gente sempre busca algo a mais. Acho que o ajuste agora é no detalhe, no olhar, na sintonia fina que o ensaio técnico permite perceber. Vamos assistir aos vídeos, analisar a nossa postura e o entrosamento com a escola para chegar ao dia do desfile sem nenhuma dúvida. Espero um desfile emocionante. A comunidade está vindo com muita vontade e dedicação. Meu desejo é que a gente consiga fazer uma apresentação linda, que encante os jurados e o público, e que a escola brilhe muito na avenida”, completou a porta-bandeira.

SAMBA

O ponto alto da escola. Bangu tem um bom samba, e a obra rendeu bem no ensaio técnico deste sábado. Fredy Vianna e Pipa Brasey conduziram bem a obra e foram fundamentais para o desempenho da evolução da escola, que se mostrou alegre e empolgante.

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O samba, de autoria de Dudu Nobre, Junior Fionda, Marcelinho Santos, Binho Teixeira, Laura Roméro, Junior Falcão, André Baiacu, Geraldo M. Felicio, Valtinho Botafogo, Gilsinho da Vila, Fábio Bueno, JV Albuquerque, Jonas Marques e Juca, tem letra forte e boa melodia. Os trechos mais cantados foram os refrões, entoados com força por toda a comunidade.

HARMONIA

Quesito que exige atenção da Bangu. Apenas uma ala cantava o samba inteiro e vinha atrás da indicação do primeiro setor. Todas as outras alas apresentaram problemas no canto. A ala posicionada atrás dos dois banners indicativos do segundo e do terceiro setores ensaiou sem cantar. Um quesito irregular que pode fazer a escola perder alguns décimos pela avenida.

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“Acho que a gente casou muito, porque a Pipa tem um timbre puxado para o grave, é um timbre pesado, bonito, de mulher empoderada, e eu tenho esse timbre mais fechado, com o médio também mais fechado. Então, papai do céu casou bonito as nossas vozes, e vamos dar frutos. A Pipa, além de uma cantora espetacular, é uma pessoa fora do comum. Falei para ela na primeira vez que nos encontramos que a energia já tinha casado ali; quando há essa energia, tudo dá certo”, garantiu Fredy Vianna.

“Nossa passagem foi perfeita porque o som está bom, a gente conseguiu se escutar legal e estávamos com uma energia muito grande, positiva, para fazer um grande ensaio, e a escola teve um desempenho maravilhoso. A gente estava no recuo e viu uma parte da escola passar cantando bastante. Vamos abalar, nosso carro de som está todo harmonioso, todo gostoso. A gente tem uma energia maravilhosa um com o outro, e estou muito feliz com esse momento”, comentou Pipa.

EVOLUÇÃO

Ótima evolução da Bangu. As alas realizaram o ensaio se movimentando, mostrando empolgação, e nenhum problema comprometeu a apresentação da escola, apesar de o segundo tripé ter apresentado dificuldades no deslocamento. Dentro do tempo de desfile, Bangu passou tranquila e mostrou estar organizada.

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“É lógico que o nosso objetivo é alcançar o acesso ao Grupo Especial. E uma escola que busca o acesso tem que se corrigir a cada momento e a cada instante. É dentro do barracão, é dentro do ateliê, é dentro do ensaio técnico. Fizemos um ensaio espetacular. Isso a gente viu no reflexo da reação popular, da reação das outras torcidas e da reação do público que gosta de carnaval. A Sapucaí cantou o samba, e esse foi o primeiro contato desse samba com a Sapucaí. Acho que, no segundo contato, que é o desfile oficial, vai ser avassalador, com a gente trabalhando certinho e buscando não errar. Acredito que temos tudo para alcançar o nosso objetivo, que é chegar ao tão sonhado acesso ao Grupo Especial”, revelou o diretor de carnaval, Marcelo do Rap.

OUTROS DESTAQUES

A bela fantasia da rainha de bateria Camila Prins merece destaque. Homenageando Oyá e com borboletas remetendo a Iansã, a fantasia em vermelho e dourado exibiu beleza e entregou conceito.

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Fotos: S1 Comunicação/Divulgação Liga-RJ

A bateria do mestre Dinho, em seu primeiro ano no comando da “Caldeirão da Zona Oeste”, deu ainda mais beleza ao samba banguense. Uma apresentação para levantar o público.

“O ensaio técnico é para isso, é o termômetro. A bateria se comportou muito bem, a escola, em si, veio com uma harmonia muito forte, e acho que o teste foi fundamental para a gente ver o que precisa ser ajustado e o que já está no caminho certo. Saio daqui muito satisfeito com o rendimento dos meus ritmistas hoje. Sempre tem o que ajustar, né? A gente busca a perfeição, e ela é difícil, mas o trabalho é para isso. Vamos ajustar a questão do andamento em alguns pontos, a entrada e a saída do recuo, para que, no dia oficial, não tenhamos susto nenhum e consigamos os 40 pontos que a escola merece. Espero uma Bangu guerreira, como sempre foi: uma bateria pesada, cadenciada e que vai ajudar a escola a subir de degrau. A gente está trabalhando muito para fazer um desfile histórico e levar a Unidos de Bangu para o lugar que ela merece estar”, analisou mestre Dinho.

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