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	<title>Mauro Cordeiro &#8211; Carnavalesco</title>
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	<description>Carnaval do Rio de Janeiro, escolas de samba, sambas-enredo, fantasias e vídeos</description>
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	<title>Mauro Cordeiro &#8211; Carnavalesco</title>
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		<title>Mauro Cordeiro: &#8216;Paulo, nosso professor&#8217;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Dec 2021 17:57:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Se a historiografia oficial não confere o devido valor e reconhecimento a lideranças populares, cabe a nós disputarmos o rumo da produção da memória e louvar os nossos heróis. Enquanto os livros escolares seguem prestando reverência a colonos, bandeirantes, militares e escravocratas, silenciam sobre o papel de personagens comuns na construção do país. O samba [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Se a historiografia oficial não confere o devido valor e reconhecimento a lideranças populares, cabe a nós disputarmos o rumo da produção da memória e louvar os nossos heróis. Enquanto os livros escolares seguem prestando reverência a colonos, bandeirantes, militares e escravocratas, silenciam sobre o papel de personagens comuns na construção do país. O samba brasileiro, neste sentido, é um universo repleto de grandes figuras, de feitos vultuosos que permanecem na memória coletiva embora não constem nos livros. Esta coluna é sobre a genialidade de um dos maiores intelectuais deste país: Paulo Benjamin de Oliveira, o nosso professor.</p>
<figure id="attachment_74918" aria-describedby="caption-attachment-74918" style="width: 463px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-74918" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/12/paulo_portela.jpg" alt="paulo portela" width="463" height="284" title="Mauro Cordeiro: &#039;Paulo, nosso professor&#039; 1"><figcaption id="caption-attachment-74918" class="wp-caption-text">Foto: Reprodução</figcaption></figure>
<p>Quando nasceu, naquele 18 de junho de 1901, os frutos da abolição tardia e incompleta, então recém conquistada, constituíam barreiras (quase) intransponíveis. Não houve qualquer política de acesso à terra, de educação, formação ou qualquer garantia das mínimas condições de subsistência para a negritude brasileira. Também vivenciamos um período em que efetivamente havia uma política pública de embranquecimento do país: quer seja pelo incentivo a vinda de imigrantes, quer seja pelo abandono e exclusão da massa de libertos e seus descendentes.</p>
<p>Se depois da abolição veio a liberdade, junto a esta vieram categorizações, classificações e construções sociais sobre a negritude que se transformaram em obstáculos materiais para o desenvolvimento dos libertos, para sua integração na sociedade de classes como mão de obra assalariada e até da manutenção das suas vidas. Este era o Brasil daquela virada de século.</p>
<p>Paulo nasceu em uma família negra e pobre de uma cidade que queria se transformar. Aos moldes de Paris, o Rio de Janeiro almejava uma remodelação urbanística que a inserisse na lógica da “modernidade”. Na prática, este processo empurrou as camadas populares, de ampla maioria negra, para os subúrbios e favelas através das reformas de Pereira Passos. Assim ocorreu com a família Oliveira, que migrou da região central da cidade para o subúrbio de Oswaldo Cruz.</p>
<p>Filho de pai não reconhecido, tinha dois irmãos. Sua mãe, Dona Joana, teve que enfrentar todas as dificuldades e desafios de ser uma mulher negra, separada, com filhos para criar e sustentar no Brasil de 1900. Paulo começou a trabalhar cedo para ajudar no orçamento familiar, de trampo em trampo, até se estabilizar na profissão de lustrador. Assim como seus irmãos, estudou pouco, tendo feito apenas o primário. Antes de migrar com a família para região de Oswaldo Cruz, nasceu e cresceu no bairro da Saúde, circulando na região da Pequena África onde teve contato com todos aqueles bambas da primeira geração do samba carioca: Donga, Ciata, Pixinguinha&#8230;</p>
<p>Na década de 1920 se estabelece para Oswaldo Cruz e é justamente neste local que vai construir-se como um baluarte da cultura popular brasileira. Paulo passa a frequentar as rodas de samba e o candomblé de Esther Maria Rodrigues, a Dona Esther, liderança de uma estrutura comunitária que tecia as relações do bairro. Este era um espaço de efervescência cultural que reunia políticos e sambistas de outras localidades, sendo um espaço privilegiado de contato, central na vida daquele bairro até então rural onde moravam operários que, através do trem, iam trabalhar no centro da cidade. Junto a sambistas como Caetano e Rufino, Paulo funda o bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz, que depois se transforma no Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz, precursor da gloriosa Portela.</p>
<p>Paulo foi o líder de uma construção específica: das escolas de samba como forma de disputa por melhores condições de vida aos negros da cidade. Através da arte buscou dialogar, se relacionar com outras camadas sociais pelas brechas e frestas de um projeto nacional em curso. Para Paulo, escolas de samba eram formas de as comunidades negras mostrarem que podiam fazer parte da modernidade que aquela sociedade pretendia construir. Independente da sua educação formal, se constituiu em uma grande liderança do seu tempo pela sua inteligência, articulação e criatividade.</p>
<p>Esta liderança era exercida interna e externamente: ao mesmo tempo que liderava a Portela, ajudando a construir um modelo de escola de samba e de desfile, Paulo frequentava redações de jornais e os círculos da intelectualidade carioca construindo pontes e combatendo a velha ideia do carnaval popular como espaço de brigas e violência que servia para ampliar a marginalização dos sambistas. Isto é o papel de um intelectual orgânico.</p>
<p>Escola de samba, para Paulo, é uma expressão política, e, inegavelmente, a tese de Paulo foi vitoriosa: o carnaval das escolas de samba contribuiu para alterar as visões da negritude no Brasil. Se o racismo permanece, também é verdade que a cultura produzida por negros e negras deixou de ser caso de polícia e passou a ser entendida como símbolo nacional, em um processo ambíguo, mediado e negociado. Com todas as contradições que este processo de mediações e negociações implica, é importante compreender que, dentro daquele contexto, foi uma grande vitória possível apenas pela capacidade intelectual e a habilidade política de figuras como Paulo Benjamin de Oliveira.</p>
<p>Na minha perspectiva, o samba se configurou historicamente como uma forma de sociabilidade e expressão negra, mas também como uma forma de estabelecer diálogo; ou seja, foi também através do samba que esta população negra historicamente marginalizada e perseguida buscou a sua integração na sociedade.</p>
<p>Dizer isto, de forma alguma, pressupõe que os desafios da negritude brasileira estão solucionados; longe disso. O Brasil é um país absolutamente desigual e essa desigualdade é profundamente marcada por uma brutal associação entre classe e raça. Ainda assim, é preciso pensar que só o fato desses corpos negros e negras ainda existirem é um ato de resistência daqueles que insistiram não apenas em sobreviver, mas também em preservar os seus valores, a sua memória, cultuar sua ancestralidade e expressar suas visões de mundo. As expressões da negritude brasileira persistem como forma de valorização histórica de manutenção de hábitos, crenças, pensamentos e práticas que se perpetuaram através da oralidade e da força dos coletivos. Isto só foi possível graças a genialidade e a ação de sambistas, intelectuais negros que souberam construir para preservar, negociar para existir. Gênios como Paulo da Portela, nosso professor.</p>
<ul>
<li>Mauro Cordeiro: Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 e TT: @maurocordeirojr</li>
</ul>
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		<title>Mauro Cordeiro: &#8216;O samba e as escolas de samba&#8217;</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/mauro-cordeiro-o-samba-e-as-escolas-de-samba/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Nov 2021 15:04:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O samba é um gênero musical, mas também constitui um mundo social, um sistema cultural. Esta afirmação implica a compreensão de que existe um mundo do samba, um universo específico composto de valores, crenças, regras, formas de classificação e de entendimento. Dentro do mundo do samba, as escolas ocupam papel de destaque pois são formadoras [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O samba é um gênero musical, mas também constitui um mundo social, um sistema cultural. Esta afirmação implica a compreensão de que existe um mundo do samba, um universo específico composto de valores, crenças, regras, formas de classificação e de entendimento.</p>
<figure id="attachment_74508" aria-describedby="caption-attachment-74508" style="width: 667px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-full wp-image-74508" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2021/11/componente_salgueiro.jpg" alt="componente salgueiro" width="667" height="459" title="Mauro Cordeiro: &#039;O samba e as escolas de samba&#039; 2"><figcaption id="caption-attachment-74508" class="wp-caption-text">Foto: Divulgação/Liesa</figcaption></figure>
<p>Dentro do mundo do samba, as escolas ocupam papel de destaque pois são formadoras de sujeitos. Ao participar de uma escola de samba uma pessoa está, ao mesmo tempo, formulando, articulando e criando saberes, práticas e costumes; e sendo forjado por eles. O indivíduo é formado pela cultura, mas é também seu construtor e isto denota que a cultura é viva, está em constante transformação, modificação, relação, justamente por ser uma prática humana.</p>
<p>O samba é um bom exemplo pois se transformou, muitas vezes, para se manter o mesmo. Escola de samba é uma forma de organização social de base comunitária e territorial que surge no Rio de Janeiro no final da década de 1920. São produtos da experiência histórica de negros e negras que, diante da exclusão do pós-abolição, construíram redes e locais de sociabilidade para manutenção de suas formas de vida e manifestação. São potentes formas de expressão, criadoras de identidades que fornecem sentidos aos seus praticantes.</p>
<p>As escolas são criações autênticas de locais de cidadania em um contexto de negação de direitos. Se a luta por cidadania naquele contexto envolvia a afirmação de sua própria existência, hoje o cenário é outro. Mas este ponto, fundamental, nunca se perdeu. Permanecem, atualmente, como pontos importantes, nos territórios que as abrigam como espaços de cidadania enquanto coletivos, associações comunitárias.</p>
<p>Vou trazer um exemplo para ilustrar esse ponto que acho interessante. No ano de 1934, um italiano chamado Emílio Turano, que dá nome a outro morro vizinho também na Tijuca, entrou na Justiça pedindo a destituição de todos os barracos do morro do Salgueiro pois, segundo ele, havia comprado a localidade. Esta ação causaria o despejo de 7 mil moradores, uma massa de imensa maioria negra que irá se organizar para defender seus direitos através da escola de samba do morro chamada Depois eu Digo, tendo como grande liderança o compositor Antenor Gargalhada.</p>
<p>O Gargalhada é o líder deste movimento pois as principais figuras dos territórios eram os sambistas de destaque nas escolas. Isso é fundamental, pensar a dimensão política das escolas no contexto e ainda mais a sua dimensão de coletividade, associação: é através desta organização local, uma escola de samba, que os moradores do morro ganham na Justiça o direito de manter sua residência.</p>
<p>Escola de samba é política! Coletivos periféricos que através da arte e da cultura inscreveram sua presença na cidade que quis sua eliminação física e simbólica. Emergiram dos morros e subúrbios práticas, saberes e modos de vida que constituíram o Rio como ele é. Se o samba é uma forma de ver, interpretar e viver no mundo, as escolas de samba seguem sendo locais privilegiados de socialização nas múltiplas gramáticas que este mundo, o mundo do samba, promove.</p>
<p>Desfile de escola de samba é produto das classes populares, majoritariamente negras, que ofertando sua arte produziram beleza, encanto e poesia forjando a identidade da cidade que tanto os violentou. Inventaram uma manifestação cultural que serviria de síntese do país. Mas escolas de samba é muito mais do que desfile carnavalesco. É produção de cultura e arte, são projetos de educação e inclusão mantidos nos territórios periféricos da cidade onde o Estado só chega através da repressão. Para muito além dos desfiles, as escolas são formas de organização social quase centenárias que formam sujeitos, promovem sociabilidades e constroem visões de mundo.</p>
<p>Quem apenas assiste, acompanha e admira os desfiles não chega nem perto de compreender a pluralidade de sentidos, a riqueza histórica e o conhecimento produzido pelas agremiações pois estas precisam ser vivenciadas, praticadas. Pode entender o que nós produzimos, a partir (inclusive) de valores que nos são alheios, mas não compreendem o que somos.</p>
<p>Através de uma série de rituais, cerimônias, maneiras de ocupação do espaço, técnicas corporais, formas relacionais, hábitos, costumes, regras (jamais escritas) e outras tantas lógicas inerentes as atividades cotidianas, essas associações atuam como força motriz de uma forma específica de ser e estar no mundo. Escolas de samba são pensamento e ação, filosofia e prática.</p>
<p>E assim o são visto que são constituídas por uma sabedoria bem assentada, rica, diversa e original. Sua manutenção se dá pela constante reinvenção que garante a continuidade. Há uma doutrina ancestral que se mantém na tradição que se renova. É o samba.</p>
<p>Mauro Cordeiro &#8211; Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 TT: @maurocordeirojr</p>
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		<title>Mauro Cordeiro: &#8216;Sabiá, o griô do meu torrão&#8217;</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/mauro-cordeiro-sabia-o-grio-do-meu-torrao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Nov 2021 04:15:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que é memória? Compreendo a memória como uma construção coletiva, um trabalho de registro realizado por um determinado grupo social, um quadro geral dos eventos significativos para sua existência. Esta memória coletiva forma uma espécie de acervo de lembranças compartilhadas que ajudam, inclusive, a promover a coesão do grupo. O passado é permanentemente reconstruído [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O que é memória? Compreendo a memória como uma construção coletiva, um trabalho de registro realizado por um determinado grupo social, um quadro geral dos eventos significativos para sua existência. Esta memória coletiva forma uma espécie de acervo de lembranças compartilhadas que ajudam, inclusive, a promover a coesão do grupo. O passado é permanentemente reconstruído e ressignificado pela memória coletiva. Neste sentido, a memória é uma produção.</p>
<figure id="attachment_63289" aria-describedby="caption-attachment-63289" style="width: 696px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-large wp-image-63289" src="https://www.carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-1024x673.jpg" alt="djalma" width="696" height="457" title="Mauro Cordeiro: &#039;Sabiá, o griô do meu torrão&#039; 3" srcset="https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-1024x673.jpg 1024w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-300x197.jpg 300w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-768x504.jpg 768w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-696x457.jpg 696w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-741x486.jpg 741w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-1068x701.jpg 1068w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma-639x420.jpg 639w, https://carnavalesco.com.br/wp-content/uploads/2020/11/djalma.jpg 1148w" sizes="(max-width: 696px) 100vw, 696px" /><figcaption id="caption-attachment-63289" class="wp-caption-text">Foto: Divulgação</figcaption></figure>
<p>Nas múltiplas e diversas filosofias africanas, sobretudo naquelas oriundas da África Ocidental, a oralidade desempenha papel fundamental na manutenção dos valores, saberes e práticas dos grupos sociais. É neste sentido que o papel dos griôs era central. A expressão griô tem origem francesa, já cunhada no período colonial para designar os diversos tipos de personagens que desempenhavam atividades semelhantes. Em solo africano eles eram nomeados de formas distintas de acordo com cada povo e etnia, mas algumas das suas nomenclaturas eram diali, gueséré, wambabé, aouloubé e guewél.</p>
<p>O griô é um narrador, alguém responsável pela manutenção da história de um grupo e a transmissão dessa história e dos seus saberes através de contos, cantos e crônicas; sempre de maneira oral atuando na manutenção da história local. Através dos griôs a memória coletiva dos grupos sociais é preservada em um processo produtivo operado, via de regra, pelos mais velhos.</p>
<p>Na história do Acadêmicos do Salgueiro um personagem se destaca pela produção da memória através da oralidade: Djalma de Oliveira Costa. Ao longo dos seus 95 anos de vida, seu Djalma se notabilizou pela sensibilidade, pela articulação e pelo poder de liderança. Foi um dos fundadores da agremiação, teve a alcunha de “prefeitinho do Salgueiro”, testemunhou e protagonizou acontecimentos que, pela sua ação, transformaram-se em marcos temporais e memoriais do que é a escola.</p>
<p>É impossível contar a história da agremiação sem reconhecer o papel de destaque de Djalma. Na escola ele foi o primeiro intérprete, compositor vitorioso, diretor de carnaval, candidato a vice-presidente em eleições gerais e, por fim, aclamado presidente de honra. Liderança expressiva do morro. Articulador social. Um sabiá, nosso griô. Ao longo dos anos recebeu milhares de pesquisadores, apaixonados e curiosos no acervo que construiu, mas as verdadeiras preciosidades eram as deliciosas histórias que relatava.</p>
<p>Djalma Sabiá não era um guardião da memória salgueirense, ele era o seu produtor. Foi através da construção dos sentidos de um passado que viveu que Sabiá nos ensinou o que o Salgueiro é. Este processo produtivo da memória em vermelho e branco se estende para muito além dos nove títulos, das revoluções e dos carnavalescos tão celebrados; o Salgueiro de Sabiá é aquele dos anônimos artistas populares que ainda vivem pois foram registrados em suas histórias tão gentilmente compartilhadas por décadas. É o Salgueiro da unidade de um morro que já encantava a cidade pela sua musicalidade, pelas suas festas, pela religiosidade que atraía visitantes e através dos carnavais se eternizou. É, fundamentalmente, o Salgueiro que existe para ser vivido e partilhado no dia a dia e somente assim pode ser compreendido.</p>
<p>Em novembro de 2020, o Sabiá descansou. Como um grande ancestral, o griô é eterno. Um ancestral é um antepassado, familiar ou não, que deixa uma herança espiritual na Terra contribuindo para evolução da comunidade ao longo de sua existência. Essa herança, deixada pelos ancestrais de um grupo social, atua tanto como forma de manutenção da força vital quanto para estabilização e coesão daquele grupo. Enquanto houver Salgueiro, produto direto da contribuição de seu Djalma, nosso baluarte viverá representando “a<br />
saudade dos nossos bambas lá do céu”.</p>
<p><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong><br />
BRUNO, Leonardo. Explode, coração: histórias do Salgueiro. Coleção<br />
Cadernos do Samba. Rio de Janeiro: Verso Brasil, 2013<br />
COSTA, Haroldo. Salgueiro, academia de samba. Editora Record, 1984.<br />
HALBWACHS, Maurice. Memória Coletiva. Editora Vértice, 1990.<br />
LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. Selo Negro<br />
Edições, 2014.<br />
LOPES, Nei; SIMAS, Luiz Antonio. Dicionário da história social do samba.<br />
Editora José Olympio, 2015.<br />
LOPES, Nei; SIMAS, Luiz Antonio. Filosofias Africanas. Editora Civilização<br />
Brasileira, 2020.<br />
NATAL, Vinícius Ferreira. Cultura e Memória na Escola de Samba Acadêmicos<br />
do Salgueiro. Mestrado em Antropologia). Universidade Federal do Rio de<br />
Janeiro, 2014.</p>
<p><strong>Mauro Cordeiro</strong>: Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 TT: @maurocordeirojr</p>
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		<title>Mauro Cordeiro: &#8216;Protagonistas do Carnaval de 2022&#8217;</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/mauro-cordeiro-protagonistas-do-carnaval-de-2022/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 09 Nov 2021 18:23:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Relógio zerado, soou a sirene. O locutor oficial do evento anuncia a escola. Em cinco minutos o desfile terá início. Os fogos de artifício pintam o céu nas cores da bandeira e atestam que é chegada a hora tão ansiada. As alegorias são, uma a uma, acionadas para entrar na avenida. É o momento dos [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Relógio zerado, soou a sirene. O locutor oficial do evento anuncia a escola. Em cinco minutos o desfile terá início. Os fogos de artifício pintam o céu nas cores da bandeira e atestam que é chegada a hora tão ansiada. As alegorias são, uma a uma, acionadas para entrar na avenida. É o momento dos últimos ajustes e retoques, os destaques vão assumindo seus lugares e a iluminação faz os carros alegóricos e tripés brilharem para encantar o público. Os componentes, já fantasiados, se organizam nas alas tomando suas<br />
posições. Existe uma tensão que paira no ar. Ressoam os tambores. Este ritual se repete escola após escola. Depois de todo um ciclo anual de fabrico e produção, a escola, finalmente, vai desfilar. E quando entrarem na avenida para o carnaval de 2022 as escolas de samba do carnaval carioca estarão encerrando um longo inverno sem folia.</p>
<p>Os milhares de componentes que irão cruzar o Sambódromo da avenida Marquês de Sapucaí no próximo ano serão protagonistas de um carnaval histórico. Em 2022 estaremos completando noventa anos do primeiro desfile, aquele organizado por iniciativa do jornalista Mário Filho, através do jornal Mundo Sportivo, em 1932 na lendária e mítica Praça Onze. Mas não é apenas pelo nonagésimo aniversário que o próximo cortejo será histórico; na realidade, será o desfile da retomada após o fato inédito de termos um ano sem desfiles de escola de samba. É bem verdade que em 1938 as escolas não foram<br />
julgadas e este carnaval ficou sem resultado, mas elas desfilaram. Já o ano de 2021 foi marcado pela impossibilidade da folia frente a pandemia de Covid-19 que vitimou milhares de brasileiros. Graças ao avanço da vacinação e seguindo os ditames da ciência, os preparativos estão a todo vapor e o carnaval em fevereiro já é mais que um sonho.</p>
<p>Quando cruzam a pista e encantam o público, as agremiações apresentam discursos, narrativas construídas para serem encenadas neste grande espetáculo de projeção internacional. Estes discursos e narrativas são os enredos. O enredo a ser apresentado na avenida é aspecto incontornável para compreensão das relações estabelecidas em uma escola de samba, pois, é a partir dele que se tece a confecção de um desfile, perpassando os diversos atores sociais de uma agremiação. A definição, a divulgação e a transformação<br />
de uma ideia em um enredo de escola de samba, da coletividade, são momentos decisivos e tensos da agenda de todas as agremiações. O sucesso deste processo, da apreensão e da coletivização da ideia do enredo, é o primeiro passo para um desfile de sucesso. Esta centralidade do enredo pode ser melhor compreendida pois é este elemento que articula o desenvolvimento das linguagens artísticas estruturantes do préstito: musical e visual. O tema escolhido precisa ser transformado em versos e melodia pelos compositores, em ritmo pela bateria, em canto e dança pelos componentes. Por outro lado, o enredo também precisa produzir figurinos e alegorias, elementos visuais que compõem sua narrativa e que são criados pelos múltiplos artistas e trabalhadores do barracão, sob a centralidade do carnavalesco.</p>
<p>A safra dos enredos para 2022 tem provocado intensos debates. Cada um deles deve ser entendido nas suas potencialidades e limites, caso a caso. Das várias possibilidades analíticas que o conjunto dos enredos descortinam eu destaco uma para esta coluna: os protagonistas dos desfiles serão, majoritariamente, os sambistas que construíram as escolas. Ao invés de navegadores, príncipes, princesas, imperadores, ditadores, escravocratas, bandeirantes e toda sorte de personagens que, costumeiramente, são<br />
tematizados nos desfiles, o ano de 2022 nos brindará com uma série de referências e reverências aqueles que fizeram da festa o que ela é!</p>
<p>Talvez o caso mais emblemático seja o da Estação Primeira de Mangueira que cantará três baluartes fundamentais em sua gloriosa história. Também se destaca a Mocidade Independente que, ao tematizar Oxóssi, reverência a genialidade de artistas populares que a consagraram como “a escola de samba que bate melhor no carnaval”.</p>
<p>Esta reverência das escolas aos seus bambas é, ao mesmo tempo, um movimento político de preservação da memória; e, também, a valorização do samba como espaço de produção de conhecimento ao reconhecer a genialidade de seus produtores. Dentre estas referências e reverências que as escolas irão promover no próximo carnaval destaco a da Beija-Flor que ao empretecer o pensamento se aproxima da sua própria história.</p>
<p>Nilópolis é um dos menores municípios em extensão do país, mas abriga uma das maiores instituições da cultura nacional. No natal de 1948, naquela pequena cidade da Baixa Fluminense, era fundado o Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor por um conjunto de bambas da Baixada Fluminense. Em 1953, o já vitorioso bloco, foi inscrito na então Confederação Brasileira das Escolas de Samba para desfilar como escola; nascia, assim, a Deusa da Passarela. A iniciativa de transformar aquele bloco em escola foi de uma figura central na história da agremiação: Silvestre David da Silva, o Cabana.</p>
<p>Fruto de um período anterior à consolidação do modelo espetacular dos desfiles, Cabana foi um autêntico intelectual do samba e do carnaval carioca. Além de exímio compositor, sete vezes vencedor da disputa de samba-enredo; também foi autor e desenvolveu os enredos da escola, por cinco carnavais. Antes da afirmação da figura dos carnavalescos, os processos de autoria e desenvolvimento de enredos eram de responsabilidades dos sambistas das escolas. Na Beija-Flor, Cabana se consolidou como grande destaque.</p>
<p>Durante as décadas inicias da escola, em seu período de criação e afirmação no carnaval carioca, foi a liderança artística de Cabana quem conferiu a Beija-Flor identidade. Cabana foi o grande soba nilopolitano. Nei Lopes, em sua Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, define soba como uma palavra que, no contexto do período colonial em Angola, se referia a um chefe, uma autoridade principal detentora de poder e prestígio. Um soba é<br />
um líder, um comandante político, administrativo e social de seu território.</p>
<p>O belíssimo samba-enredo da Beija-Flor para o próximo carnaval afirma em seu refrão: “Mocambo de crioulo, sou eu, sou eu! Tenho a raça que a mordaça não calou. Ergui o meu castelo, nos pilares de Cabana, dinastia Beija-Flor”. Se Nilópolis é um mocambo, o grande soba desta comunidade é Cabana, o intelectual negro que através de sua arte ajudou a construir esta escola de<br />
vida.</p>
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<li><em>Mauro Cordeiro: Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 e TT: @maurocordeirojr</em></li>
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		<title>Tendinha: &#8216;Manhã de Carnaval&#8217;</title>
		<link>https://carnavalesco.com.br/tendinha-manha-de-carnaval/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2021 17:53:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Grupo Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Mauro Cordeiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Manhã de carnaval. O dia nasce e paira no ar qualquer coisa de beleza, de encanto e poesia, uma magia que não há nos outros tantos dias. O tempo, sem pressa, corre em outra cadência, sincopado e dolente na doce ilusão dos dias de folia. A cidade, ou melhor, a nossa cidade, é o espaço [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>Manhã de carnaval. O dia nasce e paira no ar qualquer coisa de beleza, de encanto e poesia, uma magia que não há nos outros tantos dias. O tempo, sem pressa, corre em outra cadência, sincopado e dolente na doce ilusão dos dias de folia. A cidade, ou melhor, a nossa cidade, é o espaço ideal para esta “ofegante epidemia” que conferiu a sua própria identidade. A cidade, afinal, só é nossa pois foi conquistada nas frestas da festa. O que seria do Rio sem o carnaval? Toda profusão de cores que brilham nas ruas, tomadas de muitos e muitos corpos &#8211; de todos os tipos &#8211; que dançam, pulam e vibram ao som de vários ritmos, dos múltiplos batuques, toques, cantos e louvores que ecoam feito um grito afirmativo: nós somos carnaval!</p>
<p>O Rio é cidade-folia pois assim foi forjada: sua história pode ser contada, de forma fidedigna, através dos carnavais. O cortejo de Momo foi um espaço privilegiado das lutas pela cidade, dos distintos projetos políticos que encontraram na festa o local adequado de se expressarem e nela disputaram. E nesta batalha política, onde as elites queriam domesticar as formas brincantes, o povo venceu! Foram as formas populares de expressão carnavalesca que sobreviveram, cresceram, se consolidaram e ajudaram a construir a cultura carioca. O carnaval, nestas terras, sempre foi político, sempre foi política. Seguirá sendo.</p>
<p>Este ano que mal se iniciou, 2021, ficará marcado na história já que a pandemia impedirá os cortejos. Se o ano só começa depois do carnaval o que será de 2021? Não viveremos o encantamento coletivo que toma a cidade e transforma tudo que existe, fazendo com que, durante o reinado de Momo, tudo por aqui se carnavalize. Neste ano não. Por justificáveis, compreensíveis e incontornáveis razões os blocos não estarão nas ruas, os festejos dos cordões não serão realizados e as escolas de samba não produziram seu ritual festivo-competitivo que, desde 1932, mobiliza um crescente e apaixonado número de fiéis, admiradores e curiosos.</p>
<p>O meu carnaval é o das escolas de samba. Respeito, admiro e gosto de blocos e cordões, onde brinquei e me diverti em muitas ocasiões, mas o meu carnaval é mais de avenida e, nos últimos anos, de forma quase exclusiva. O ritual carnavalesco de um amante das escolas de samba é particular. Em uma manhã de carnaval uma atividade comum é descer, ao centro da Cidade, para contemplar as alegorias das agremiações já postas, sendo finalizadas na Avenida Presidente Vargas e já entrar naquele clima inexplicável da Praça Onze, onde o terreiro Marquês de Sapucaí está localizado.</p>
<p>Vou dividir a minha rotina: durante todo dia, a trilha sonora é composta por uma mistura equilibrada de sambas enredos clássicos e os do ano. Cuidados de última hora com a fantasia também são frequentemente necessários, geralmente com costureiras do bairro contribuindo para que a vestimenta, que vale ouro, esteja nos conformes. O deslocamento para o Sambódromo é algo a parte: o metrô festivo, lotado de sambistas com suas fantasias em sacos, suas bebidas em bolsas e a imensa alegria em cada rosto. Basta um primeiro desinibido puxar um samba, geralmente eu, e o vagão responde em coro. Ao chegar nos arredores do grande palco, a emoção transborda. As luzes, ainda sendo testadas, atestam que o dia, de fato, chegou. E lá vai aquela legião de apaixonados, ocupar os lugares das arquibancadas para vibrar e aplaudir as concorrentes, e brilhar na pista não apenas representando, mas tendo a oportunidade de ser na avenida a sua escola, as nossas escolas.</p>
<p>Hoje acordei angustiado. Afinal, é manhã de carnaval e a tal magia que espalha beleza, encanto e poesia está no ar. Os nossos corpos sentem que é tempo de folia, sabem. Mas não será, não poderá ser. Para que possamos seguir fazendo festa e sendo carnaval, as fantasias precisarão permanecer nos barracões, os batuques longe das ruas e os coletivos que ajudaram a inventar a nossa cidade não irão sair.</p>
<p>A saudade aperta, dói, mas existem soluções, sempre existem formas de amenizar a dor. Podemos matar a saudade assistindo e prestigiando as dezenas de iniciativas de sites, canais e blogs que vão, desde a reexibição e análise de desfiles, até programas de entrevistas, debates e cursos. É necessário reconhecer, parabenizar, louvar e, principalmente, apoiar estas tantas ações. Se não vai haver carnaval como momento anual de ocupar as ruas e expressar as culturas que, através das frestas, produziram a cidade, são muitas as iniciativas de valorização, preservação e difusão da cultura do samba. O bom folião há de prestigiar e novamente se emocionar com carnavais passados que seguem pulsando em nossos corações na espera de novos arrebatamentos nos carnavais vindouros.</p>
<p>Que venha a vacina para que a rua volte a ser nossa e façamos da vida um eterno carnaval.</p>
<p><em>Mauro Cordeiro &#8211; Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ).</em><br />
<em>IG: @maurocordeiro90</em><br />
<em>TT: @maurocordeirojr</em></p>
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