Por Gustavo Lima, Ana Carla Dias e Will Ferreira
A Dragões da Real realizou seu segundo ensaio técnico rumo ao Carnaval 2026. Foi um treino completo, em que tudo funcionou de forma satisfatória, mas com destaque especial para os quesitos Harmonia e Musicalidade, que deram total suporte para um canto forte e constante. Também foi possível ver uma verdadeira aula de evolução, com componentes soltos, alegres e brincando de carnaval com responsabilidade. Destaque para o intérprete Renê Sobral, que defende o primeiro samba indígena de sua carreira e vem liderando o carro de som com maestria. Um ensaio para marcar história. O Carnaval de São Paulo não se baseia em comparações, mas, sem dúvida, a Dragões da Real está no panteão das grandes escolas da folia paulistana.
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COMISSÃO DE FRENTE
Liderada por Ricardo Negreiros, a comissão de frente da Dragões da Real representou de forma satisfatória as Guerreiras Icamiabas. As mulheres, vestidas de onça, assim como os demais personagens, demonstraram garra ao evoluir, transmitindo a sensação de serem, de fato, guerreiras da Amazônia.

A comissão contou também com a presença de uma criança, na figura de um menino, que realizou movimentos de atuação e utilizou o elemento alegórico em diversos momentos. O garoto representa a alma da Amazônia, o que leva à interpretação de que as Guerreiras Icamiabas lutam pela preservação do território em defesa da criança.
Além disso, quatro homens participaram da comissão, representando os espíritos da floresta. Dessa forma, a ala conseguiu transmitir com clareza a importância das Guerreiras Icamiabas na preservação da Amazônia. Agora, resta aguardar o desfile oficial para conferir o impacto das alegorias completas e do tripé da comissão de frente totalmente revelado.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
O casal Rubens de Castro e Janny Moreno ensaiou utilizando as fantasias do Carnaval 2025, o que proporcionou maior sustentação durante a evolução na pista e permitirá fácil adaptação à nova vestimenta no dia do desfile.
A apresentação ocorreu de maneira satisfatória, com uma coreografia discreta, porém alinhada ao que o manual do julgador exige. Em todas as cabines, o casal executou corretamente os movimentos obrigatórios e deixou o treino com avaliação positiva.

“Hoje o nosso ensaio foi mágico, foi emocionante e tranquilo, e é isso. Não consigo falar muito hoje, estou muito emotiva hoje. Além da competição, tem um amor muito grande pela nossa arte. Já temos 28 anos de dança, e cada ano é novo e mágico. Hoje só tenho a agradecer a Deus por tudo, estou muito feliz”, diz Janny.
“Hoje a gente está tomada por emoção, estamos felizes por executar e dar um presente para esse público que está aqui no domingo. Fizemos o que estava proposto, todos os ajustes, mas sempre vai ter novos ajustes, até porque a gente é muito metódico e queremos o teste completo, entendeu? Então a gente está preparado para isso, preparado para viver esse pavilhão, preparado para poder defender a nossa arte. A nossa arte nunca vai deixar de ser tradicional, sempre trabalhando. O trabalho nunca acaba, só acaba no dia em que chegarmos aqui na dispersão”, comenta Rubens.
HARMONIA
O canto da comunidade da Dragões da Real foi um verdadeiro espetáculo. Impressiona a forma como a escola abraça seus sambas, e neste ensaio isso ficou ainda mais evidente. Com andamento acelerado, o intérprete Renê Sobral manteve os componentes animados do início ao fim.
A bateria “Ritmo que Incendeia”, comandada por mestre Klemen, realizou diversos apagões com precisão. O quesito apresentou linearidade, com a escola cantando forte desde a faixa amarela até o encerramento do cortejo.

Destaque para os últimos versos do samba, a partir de “Valentes guerreiras”, até o fim da segunda parte, já explodindo no refrão principal. Todas as alas tiveram ótimo desempenho, mas a Ala Sítio merece menção especial. Vestidos de branco, seus integrantes refletiram de forma exemplar a harmonia da escola.
Baianas, alas coreografadas e passistas mostraram domínio total da letra. Também foi visível a atuação constante da equipe de harmonia e dos coordenadores de ala, cobrando rendimento dos componentes a todo momento.

“A expectativa é a máxima possível, porque estamos vendo a entrega da comunidade, do barracão e de todos os departamentos da escola, como a bateria e a ala musical. Acreditamos que vamos apresentar um lindo espetáculo, que vai marcar a história da Dragões e também do Anhembi. Esse samba é um divisor de águas, assim como foi em 2017. Acredito que esse samba também vem para transformar a história da Dragões”, diz Rêne.
EVOLUÇÃO
Mais uma vez, a Dragões da Real demonstrou possuir uma das melhores evoluções do Carnaval de São Paulo. Enquanto muitas escolas adotam movimentos laterais, os componentes da Vila Anastácio enfatizam ainda mais essa dinâmica.
A evolução foi solta, alegre e descontraída. Há responsabilidade por parte dos componentes para evitar buracos ou desorganização entre as fileiras, mas existe liberdade para brincar o carnaval. A impressão para quem acompanha o ensaio de perto é de entrega total ao samba, com extravasamento, canto forte e amor pela escola.

Chama atenção a alegria dos integrantes em estar no Anhembi defendendo as cores da Dragões da Real. Não é obrigação, mas prazer. Coletivamente, não houve riscos de buracos ou divisão de alas. Cada ala utiliza sua camisa com cor específica, criando um grande mosaico colorido que remete a um desfile oficial. Uma verdadeira aula colocada em prática pelos componentes.
SAMBA-ENREDO
Renê Sobral vem dando um show à parte no comando do carro de som da escola. Trata-se do primeiro samba indígena que o intérprete defende no Anhembi em sua longa carreira e, ainda assim, seu desempenho é exemplar.

Ele mantém a comunidade empolgada o tempo todo e demonstra entrosamento de alto nível com a bateria “Ritmo que Incendeia”, especialmente nas bossas de apagão. Destaque também para a introdução feita pela cantora Mayara, que ajudou a ambientar o público no clima do enredo com a frase “sente o cheiro das matas”.
Na sequência, Mayara interpretou os versos “Onça-silva é resistência, guardiã em todo canto / Amazonas com espírito que é santo / Leva o nome de Maria, mulheres comuns / No peito amor, na pele urucum”, demonstrando ótima presença vocal como apoio do carro de som da Dragões da Real.

OUTROS DESTAQUES
A bateria “Ritmo que Incendeia”, sob o comando de mestre Klemen, executou bossas com precisão e apresentou excelente andamento dentro do samba. A forte harmonia da escola passa diretamente pela atuação segura da bateria.
A corte de bateria também merece destaque, com fantasias bem elaboradas e totalmente alinhadas ao enredo. Estiveram presentes a rainha Karine Grum, a princesa Yohana Obyara e a madrinha Lexa.

No setor monumental, foram distribuídas bandeirinhas ao público. Também foram vistas belas bandeiras com a logomarca do enredo, contribuindo para o clima festivo do ensaio.










