O enredo “Lonã Ifá Lukumi”, da Acadêmicos do Tuiuti, que fala sobre o Ifá cubano, tem mexido profundamente com os integrantes da escola. O CARNAVALESCO conversou com componentes no último ensaio técnico antes dos desfiles oficiais, e cada depoimento revela uma emoção única — mas todos carregam a mesma intensidade: cantar é rezar, é se conectar com a ancestralidade, é deixar a alma vibrar na avenida.
Rui Costa, de 43 anos, destacou que o samba é quase como uma oração.

“É uma adoração e também um pedido, uma prece. Acho que, independentemente da religião de cada um, todo mundo tem uma forma de rezar e pedir proteção. Por isso é o que esse samba fala. Apesar de ser iorubá, qualquer pessoa pode se identificar.”
Rui também ressaltou a relevância de levar o Ifá cubano para a avenida, enfatizando que o samba é uma forma de preservar memórias coletivas.
“É bastante importante, porque fala daquilo que é a história do Brasil, a história de Cuba. É importante continuar trazendo coisas que fazem parte da cultura e da história de um povo.”
Vanilda, de 53 anos, destacou a força ancestral que sentiu ao ouvir o samba.

“É um samba muito forte. Vem dos ancestrais e traz a ancestralidade muito presente. Mexeu comigo demais, porque é algo cativante, muito forte, e tá trazendo a gente pra dentro do samba.”
Ela também contou que a obra abre portas para novos aprendizados e desperta curiosidade sobre tradições que muitas vezes permanecem invisíveis.
“Faz com que as pessoas conheçam uma cultura — coisa que eu também não conhecia profundamente. É algo muito lindo, faz com que a gente aprenda, a cada dia, mais coisas referentes ao Ifá, ao santo.”
A servidora pública Rebecca, de 40 anos, contou que sua experiência em Cuba intensificou a conexão com o enredo.

“Eu estive em Cuba ano passado e me conectei com a cultura de lá. Achei muito legal essa ideia de homenagear uma vertente de Cuba. Adoro esse tipo de enredo, adoro a conexão com o povo que foi escravizado e trazido para a América Latina. Acho que é um enredo bem forte, o samba é muito bom e tem tudo pra gente levar esse ano.”
Rebecca também ressaltou a importância de exaltar a cultura negra e ampliar o conhecimento sobre a religiosidade africana.
“É uma maneira de exaltar o Ifá cubano, a cultura do povo africano que veio escravizado para as Américas. Quanto mais a gente levar para o povo o conhecimento sobre esse tipo de cultura, sobre a religiosidade, melhor. Quanto mais consciência, melhor.”
Luciano, motorista de 55 anos, confessou que se arrepiou ao ouvir o samba pela primeira vez na quadra.

“Cara, a primeira vez que eu escutei — quando o samba foi declamado na quadra pela nossa harmonia — foi… arrepiou na hora. Arrepiou total. O samba vem da alma mesmo, é uma coisa impressionante. Não sei nem como explicar em palavras o que a gente sente quando escuta.”
Luciano também citou o peso de falar sobre o tema no maior palco do carnaval, lembrando que a Sapucaí é vitrine mundial.
“É o melhor local pra você falar sobre isso. Porque aqui é o centro, o maior espetáculo da Terra. Mostrar essa cultura cubana, esse Ifá que está crescendo enormemente no Brasil, é sensacional.”
Já Aldimar, auxiliar de cozinha e integrante da ala das baianas, ressaltou sua ligação espiritual com o enredo.

“Mexe muito comigo, porque a espiritualidade fala sobre Ilonã, fala sobre o axé, sobre Lukumi, sobre Iboru, Iboya, Ibosheshe, sobre o Ifá. Mexe comigo porque eu sou de Oyá, sou de axé, então já fico toda balançada quando entro na avenida.”
Aldimar também confessou que ainda está aprendendo, mas vê grande valor na proposta de levar o Ifá cubano para a Sapucaí.
“É muito bom porque expande o conhecimento das pessoas. Nem eu sabia direito sobre esse enredo, tô ainda estudando, não sei muita coisa.”









